Guerra do Capital

A evolução gregária da humanidade proporcionou, em certa ocasião da história do pensamento económico, algum desenvolvimento sobre a teoria do valor; foi assim com vários pensadores, como Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx que encaravam o trabalho humano como determinante do valor económico de uma mercadoria; vivia-se numa época de escassez, era a economia da escassez; acreditava-se então que a oferta determinava a procura. John Stuart Mill propôs, divulgou e defendeu, ideias filosóficas de utilitarismo; em termos económicos, a doutrina do utilitarismo evoluiu para o designado valor utilidade, desenvolvido pela escola marginalista, segundo a qual a utilidade dos bens económicos está na sua capacidade de satisfazer necessidades. A procura dos bens económicos está relacionada com a sua utilidade, com a sua capacidade de satisfazer necessidades; a oferta está, segundo a escola marginalista, dependente da procura; assim, no âmbito das leis da oferta e da procura, a escola marginalista considera que a elasticidade da procura, isto é, a variação da procura de um bem em face da variação do respectivo preço está relacionada com o valor utilidade desse bem e, conforme varia a utilidade marginal assim varia a variação da procura, ou seja, assim varia a elasticidade da procura, por conseguinte, em termos de análise matemática, a elasticidade da procura surgiria como a primeira derivada á lei da procura e a utilidade marginal surgiria como a segunda derivada.
A escola marginalista do pensamento económico ao colocar o referencial absoluto e determinante de toda a actividade económica, de toda a economia, na lei da procura; ou seja, no valor utilidade e nas respectivas necessidades humanas, pois, direcciona-se para a pessoa humana, para o consumo do consumidor; por contraposição, as ideias de pensadores clássicos, como Adam Smith e David Ricardo, estavam mais vocacionadas para a escassez, para a produção, para as empresas produtoras e, por conseguinte, para a lei da oferta como determinante de toda a actividade económica, como determinante de toda a economia. A estrutura do pensamento marginalista, tradicionalmente aplicada ao valor da utilidade marginal, também pode ser totalmente decalcada e, por analogia simétrica comparativa, absolutamente transposta, com igual eficácia, para o valor da escassez marginal.
Numa economia do bem-estar, numa economia da abundância, numa economia com excesso de produção e de stocks em armazenamento, pois, impera a lei da procura e o estado, quando interveniente nessa economia, deve estimular o consumo; foi com estas ideias que culminou toda a teoria marginalista, na pessoa de John Mainard Keynes e sua macroeconomia, em íntima relação com a economia política. O pensamento marginalista assente na necessidade, e na procura, ainda impera em certos economistas, normalmente conotados com políticas mais socialistas; por contraposição o pensamento clássico de Adam Smith, assente na escassez, e na oferta, ainda impera em economistas, normalmente conotados com políticas que favorecem o patronato e as empresas. É muito importante salientar que qualquer bem económico, por definição, sempre escasso e necessário, tem indissociavelmente o dualismo das duas componentes, por conseguinte, a produção e o consumo, a oferta e a procura. Nas situações de crise com estagnação, recessão e regressão da actividade económica, a intervenção do estado, quando necessária, deve estar isenta de quaisquer ideologias; a adopção de uma política intervencionista do estado deve sempre considerar se a crise ocorre do lado da oferta com excesso de produção estimulando a procura ou, por outro lado, com excesso de escassez estimulando a oferta; o estado e os estadistas, no exercício responsável da acção política devem-se libertar das ideologias para concretizar as políticas económicas mais adequadas à situação concreta: seja do lado da oferta, seja do lado da procura; o motor da economia é sempre dualista, está simultaneamente na escassez e na necessidade.
No âmbito da geoeconomia, tem-se verificado que nas grandes zonas ou regiões económicas mundiais, consideradas economicamente mais pujantes e desenvolvidas, como na américa do norte, sobretudo os EUA, mas também em vários países da comunidade europeia; a balança comercial tem sido sucessivamente deficitária, com as importações a exceder as exportações; algumas destas economias conseguem equilibrar a balança de pagamentos com malabarismos nas balanças de capitais e financeiras, transacções correntes, assim como ajustes nas taxas de câmbio entre tantas outras manipulações financeiras, de natureza meramente especulativa porém, a economia real, a economia fundamental, centraliza-se na produção, distribuição e consumo de bens e serviços, não no sector financeiro; qualquer economia com uma balança comercial cronicamente deficitária, é uma economia doente que, a longo prazo, acabará por desaparecer ou ser tomada e dominada pelo exterior. Qualquer estado intervencionista que promova o crescimento económico pelo lado da procura, ou seja, estimulando o consumo, numa economia com défice crónico na produção de bens e serviços e, por conseguinte, na balança comercial, está a promover a perda da própria soberania nacional; numa economia com défice da balança comercial deve ser estimulada e promovia a produção e não o consumo, deve ser estimulada e promovida a oferta e não a procura; por outro lado, quando há excesso de stocks em armazém pois então sim, deve ser estimulada a procura e o consumo.
Em qualquer economia de mercado, o aumento do número de consumidores reflecte-se directamente no aumento da procura e do consumo, assim, economias comercialmente deficitárias, como os EUA e vários países europeus, deveriam restringir os fluxos migratórios diminuindo a entrada de consumidores estrangeiros; se a balança comercial é deficitária, pois, deveriam também ser colocadas barreiras alfandegárias com taxas e impostos aduaneiros de modo a restringir as importações, aumentando a produção com as respectivas exportações e consumo interno; as políticas monetárias devem ser cuidadosamente ajustadas favorecendo o acesso ao crédito apenas para a actividade produtiva, inibindo o consumismo desenfreado; estas e outras políticas proteccionistas têm, ultimamente, estado a ser implementadas pelos EUA, deveriam também ser seguidas pela Europa porém, na comunidade europeia, há países cuja produção excedentária pretendem exportar, por isso, desenvolvem para os restantes países da Europa, ideologias de crescimento económico com estímulo ao consumo externo excessivo e respectiva dependência política, entregando os países deficitários, do sul da Europa, aos mercados asiáticos, mais especificamente à China, a mero troco do escoamento de algum do seu superávite produtivo. Este tipo de união europeia não é igualitariamente justa para todos os países membros, deve pois, ser modificada.
No âmbito da geopolítica geoestratégica tem-se verificado que enquanto as economias ocidentais desenvolvidas estão sucessivamente a diminuir as suas despesas militares, pois, as economias asiáticas em ascensão, como a China e a Índia, estão paulatinamente a aumentar as respectivas despesas com armamento militar; assim, no planeamento estratégico mundial a ascensão asiática, em geral, e a China, em particular, primeiro conquista o mercado para depois conquistar o poder do mundo. Esta, é a guerra capital; esta, é a capital da guerra.
Doutor Patrício Leite, 10 de Janeiro de 2019

Investigação epidemiológica económica empresarial

Introdução
Introdução sobre o protocolo
Justificação do estudo
Objectivos
Objectivos gerais
Objectivos específicos
Hipóteses de estudo
Caracterização do estudo
Configuração do estudo
Aleatorização
Ocultação
Controlo
População do estudo
Universo populacional
Dimensões da população
Critérios de selecção
Critérios de inclusão
Critérios de exclusão
Amostra e dimensão da amostra
Amostragem
Unidade de observação e estudo
Definição
Variáveis
Definição conceptual
Definição operacional
Variáveis dependentes
Variáveis independentes
Classificação
Escalas de medida
Variáveis gerais
Variáveis específicas
Conselho de ética
Estudo piloto
Desvios ao protocolo
Redesenho do estudo
Informação ao conselho de ética
Monitorização do estudo
Esquemas de intervenção
Métodos de avaliação
Período de recrutamento
Informação básica aos intervenientes
Consentimento informado
Inscrição dos intervenientes
Monitorização dos esquemas de intervenção
Progresso, avaliação e seguimento dos intervenientes
Controlo de perdas
Colheita dos dados
Métodos
Técnicas
Instrumentos
Recursos humanos e técnicos
Controlo de execução
Perdas
Registo de dados
Fichas
Matrizes
Recursos
Controlo da qualidade
Tratamento dos dados
Tratamento
Testes estatísticos
Estratégia de análise
Divulgação dos resultados
Tipo e local
Cronograma
Previsão orçamental
Recursos
Referências bibliográficas
Anexos
Submissão ao comité de ética
Formulário do consentimento informado
Instrumentos de avaliação
Instrumentos de registo dos dados 
Síntese conclusiva

Introdução
A epidemiologia, enquanto ciência que realiza estudos, pesquisa e desenvolve conhecimentos acerca das pessoas, acerca da população, tem tido a sua máxima aplicabilidade na medicina, mais especificamente em saúde pública. A analogia comparativa entre fenómenos de carácter económico-social e fenómenos próprios da saúde pública, permite transpor os conhecimentos e metodologias epidemiológicas da área da saúde para a área da economia; nesta última, parece que a maior utilidade da epidemiologia se relaciona com a criação e desenvolvimento de indicadores económicos e empresariais assim como a validação científica de indicadores já existentes; também os testes de avaliação de situações económicas e sociais vividas no presente e os testes de rastreio de situações económicas futuras, como as crises com recessões e depressões económicas, são abrangidos pela metodologia epidemiológica. No domínio da matemática estatística probabilística com aplicação à econometria, a ferramenta básica e fundamental tem sido a regressão linear, no entanto, convém sempre lembrar que a linearização produtora de uma recta exclui imediatamente a linha curva e, em economia, há imensas curvas, ou fenómenos cíclicos, como é o caso dos ciclos económicos que alternam entre recessão e crescimento económico. Per se a aplicação da epidemiologia, à economia, não apresenta grande viabilidade na concretização de modelos econométricos porém, quando integrada com outras áreas cientificas, em conjunto com a matemática, pode assim contribuir para o desenvolvimento de uma teoria económica capaz de promover uma modelagem econométrica previsional, rigorosa e certeira. Enquanto ciência, a epidemiologia tem as suas especificidades adaptativas na aplicação do método científico; os protocolos de investigação científica, em epidemiologia, são muito semelhantes, tanto na área da saúde pública como nas áreas económicas e empresariais. Aqui, partindo de uma ideia simples e momentânea, isto é, um simples exemplo de esboço conceptual em economia, tenta-se explicar, resumidamente, o funcionamento de um protocolo de investigação epidemiológica com aplicação à economia.

Introdução sobre o protocolo
Apesar da constância e rigidez impostas pela metodologia de investigação científica em geral, e epidemiológica em particular; o facto é que desenvolver um protocolo de estudo consome tempo e atenção mental; neste ensaio, pretende-se apenas esboçar e explicar, com toda a simplicidade e falta de rigor científico, permitida, a matéria relacionada com o modo como se faz um minúsculo resumo protocolar em termos de uma investigação epidemiológica sobre eventuais factores de risco e respectivos indicadores económicos, implicados na depressão económica assim, serão, não apenas esclarecidos e interpretados factos e potenciais ocorrências relacionadas com a epidemiologia mas também, outras matérias e outras informações; serão também saltadas etapas próprias de uma investigação rigorosa ou, por vezes, trocada a ordem dos acontecimentos, tudo acompanhado de explicações em prol da clareza e facilidade de exposição das ideias e da matéria.  

Justificação do estudo
A globalização da economia com abertura dos mercados concorrenciais tem facilitado o comércio mundial e as trocas comerciais entre continentes e blocos económicos, mas também, entre países soberanos. Se no domínio económico, há empresas gigantes, internacionalmente implantadas, cujos orçamentos anuais, superam frequentemente o de países e regiões autónomas, o facto é que, a arena política internacional, ainda é dominada pela instituição de estados-nação com relevo significativo nas políticas macroeconómicas.
Reconhece-se que variáveis como a inflação, ou o desemprego, são muito importantes para o estudo, compreensão e actuação numa economia nacional, ou regional, como um todo; porém, é o produto interno bruto (PIB) que mais determina as medidas de actuação; de facto, em países com economia de mercado, liberal e aberta, o PIB é tão importante que estes se tornam dependentes, escravos, da sua evolução.
O produto interno bruto (PIB) tem monitorização praticamente contínua, frequentemente com emissão de relatórios trimestrais, fortemente baseados em estimativas; ou anuais, cuja consolidação das contas próprias da contabilidade nacional lhes conferem maior rigor e exactidão numérica. A análise quantitativa do PIB permite, aos dirigentes, tomar medidas de actuação concreta mas, também, investigação científica epidemiológica económica e empresarial sobre as suas implicações e determinações causais. Considerar que uma diminuição do PIB, em dois trimestres sucessivos, constitui uma recessão da actividade económica; considerar que uma queda do PIB superior a 10% ou prolongada por mais de dois anos, constitui uma depressão económica; são dados quantitativos do diagnóstico, capazes de permitir investigar, pelo método epidemiológico, as várias relações causais e determinantes.
O cálculo matemático do PIB, com base na contabilidade nacional anual deve ter resultados sempre iguais, no entanto, pode ser efectuado através de três modos, ou perspectivas, diferentes: pela óptica da procura ou da despesa; pela óptica da oferta ou da produção; pela óptica do rendimento.
Na óptica da procura, ou despesa, o cálculo matemático do produto interno bruto (PIB) obedece á seguinte fórmula:
P I B = C + G + I + X – M, sendo:
C = despesa das famílias em bens de consumo privado
G = despesa do estado em bens de consumo público
I = despesa das empresas em bens de investimento
X = bens que foram produzidos para exportação
M = despesa em bens que foram importados
Habitualmente, nesta fórmula, costumam-se subdividir os seguintes parâmetros:
Procura Interna = C + G + I
Procura externa (líquida) = X – M
Numa economia liberal de mercado, aberta e competitiva, é importante estabelecer relações científicas, de causa-a-efeito, entre a procura externa e a procura interna como determinantes do PIB; de facto, a variação cíclica do PIB é responsável pelos períodos de contracção e recessão da actividade económica mas também de expansão e crescimento económico. Conseguir em termos do rigor científico, saber se existe alguma relação entre a elasticidade das variações da procura interna e externa agregadas, e o modo como estas se relacionam, torna-se possível pelo uso de estudos de coorte mas, também, por outro lado, casos-controlos; de facto, os registos efectuados pelos vários organismos nacionais, como os institutos de estatística ou os bancos centrais, entre outros, conjugados com os dados das agências internacionais, facilita a execução de investigações epidemiológicas do tipo casos-controlos, no entanto, para uma compreensão mais profunda e generalizada dos mecanismos económicos, com a finalidade de desenvolver uma nova teoria ou modelo econométrico previsional, são mais importantes, variáveis como a oferta e a procura agregadas em relação com a produção e o consumo agregados; na realidade, os registos rigorosos e quantitativos, de variáveis como a oferta e procura agregadas assim como da produção e consumo agregados permitem a realização de estudos de coorte mas, mais fácil e económico, de casos-controlos no âmbito de investigações científicas capazes de estabelecer relações de causa-a-efeito pelos métodos da epidemiologia económica empresarial.   

Objectivos
Objectivos gerais
São objectivos gerais a avaliação das interacções, entre as variáveis oferta e procura agregadas com a produção e consumo agregados, no sentido de pesquisar e estabelecer as respectivas relações de causa-a-efeito.   
           
Objectivos específicos
1 - Determinar quantitativamente, através de rácios, razões ou quocientes, as interacções entre quatro variáveis quantitativas: oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado; no sentido de estabelecer e desenvolver indicadores económicos e empresariais capazes de fornecer informações sobre a situação evolutiva de uma dada economia de mercado e respectivas empresas.
2 – Relacionar as variáveis e indicadores económicos deste estudo com o PIB e sua evolução previsional.
  
Hipóteses de estudo
 - Para o primeiro objectivo específico.
Hipótese nula = H0 = Não existem interacções entre as variáveis oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado pelo que não é possível a sua determinação quantitativa nem o desenvolvimento de indicadores económicos e empresariais.
Hipótese alternativa = H1 = As interacções quantitativas entre a oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado existem e permitem determinar e desenvolver os respectivos indicadores económicos e empresariais.
 - Para o segundo objectivo específico.
Hipótese nula = H0 = Não é possível relacionar os indicadores e suas variáveis: oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado com o PIB.
Hipótese alternativa = H1 = A relação entre o PIB e as variáveis, oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado pode ser efectuada e quantitativamente determinada a respectiva evolução previsional.

Caracterização do estudo
Configuração do estudo
Trata-se de um estudo longitudinal que pode ser prospectivo ou retrospectivo, por conseguinte, tipo coorte ou caso-controlo.

Aleatorização
Pode ser realizada aleatorização simples ou sistematizada ou, por outro lado, sem aleatorização e com amostra de conveniência e nesta última situação não se verifica a ocultação dos dados nem o respectivo controlo da ocultação entre investigadores e colaboradores.

População do estudo
Universo populacional
O universo populacional é constituído pela vertente interna e externa de cada um dos países do mundo em relação com a economia mundial.
  
Dimensões da população
As dimensões da população tanto podem envolver apenas um só país como um grupo de países de uma região económica ou geográfica, como até, todos os países do mundo; os estudos de casos-controlos com consulta aos registos fidedignos dos dados permitem abranger facilmente, sem grandes custos monetários, todos os países do mundo com dados credíveis e publicados oficialmente na internet.

Critérios de selecção
Critérios de inclusão
Constituem critérios de inclusão a existência de uma economia de mercado livre e concorrencial em países, mas também, em regiões geográficas ou meramente económicas onde seja possível estabelecer fronteiras, ou barreiras, comerciais capazes de definir um mercado interno e um mercado externo. Para os estudos longitudinais do tipo casos–controlos, o registo de dados com fidedignidade e confiança validada também constituem critérios de inclusão.

Critérios de exclusão
São critérios de exclusão os países, ou regiões económicas, onde se verifica a existência de uma economia meramente de sobrevivência, uma economia de planificação centralizada, ou então, uma economia dominada por monopólios ou oligopólios, ou monopsónios e oligopsónios, ou seja, que não dependa das leis da oferta e da procura. Também constituem critérios de exclusão a ausência de registos de dados económicos ou registos deturpados e sem qualquer validez de fidedignidade.

Amostra e dimensão da amostra
As amostras em estudo tanto podem ser constituídas por subconjuntos da população como envolver a própria população total; no caso de a amostra coincidir com a população total, pois, não se justificam os testes de inferência estatística e o estudo torna-se descritivo, ainda que possa ser longitudinal, ou seja, com acompanhamento ao longo do tempo.

Amostragem
A amostragem pode ser por conveniência ou por aleatorização simples, ou então, sistemática; no caso de a amostra coincidir com a população em estudo, pois, nesta situação, trata-se de uma amostra de conveniência.
  
Unidade de observação e estudo
Definição
A unidade de observação do estudo é a economia de um país, ou região económica, na sua totalidade.

Variáveis
Definição conceptual
A definição conceptual das variáveis, oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado, consta dos manuais e tratados das ciências económicas e empresariais em geral, pelo que aqui não se vai efectuar.

Definição operacional
A operacionalização e quantificação métrica das variáveis; tanto das variáveis dependentes como das variáveis independentes, pode ser realizada através do uso de uma, qualquer, unidade monetária considerada porém, em substituição da quantificação monetária pode ser estabelecida uma unidade comparativa qualquer, desde que esta obedeça a um padrão mensurável e invariavelmente fidedigno.

Classificação
As variáveis podem ser classificadas de acordo com a sua maior tendência a quantificar a economia interna ou a economia externa; podem também ser classificadas de acordo com o seu contributo para o estabelecimento dos indicadores económicos ou empresariais assim como da respectiva actividade económica e do seu desenvolvimento.

Escalas de medida
As escalas de medida, em cada variável, dependem da unidade considerada para padrão de medição no âmbito da definição operacional utilizada no presente estudo.

Variáveis gerais
As variáveis gerais são muitas e diversificadas, habitualmente relacionadas com a história económica, social e demográfica do país, ou região, em estudo; assim, constituem variáveis gerais, aspectos como a densidade populacional, população activa, taxas de mortalidade infantil e de longevidade, movimentos migratórios, mas também, o histórico da produtividade e do PIB, do PIB per capita, etc.

Variáveis específicas
As variáveis específicas são constituídas pelas variáveis dependentes e independentes deste estudo mas também por outras que possam ser consideradas pertinentes no âmbito da adequação do estudo à realidade de cada caso em concreto.

Conselho de ética
Um estudo observacional, sem carácter interventivo, onde não existe confidencialidade dos dados nem compromissos de qualquer natureza entre os investigadores e entidades terceiras, pois, pode não ter necessidade de submissão a um concelho de ética.

Estudo piloto
Um estudo piloto tem como finalidades as verificações sobre a operacionalidade do protocolo assim como do trabalho de campo conducente à elaboração da tese ou relatório final.

Desvios ao protocolo
Na sequência do estudo piloto pode ser necessário efectuar desvios ao protocolo inicial com redesenho do estudo; nas situações em que esse desvio se mostre necessário e em face de tal ocorrência, poderá, nos devidos casos identificados, ser prestada informação ao conselho de ética, caso este exista, a fim de obter a sua aprovação.

Monitorização do estudo
Qualquer protocolo de investigação deve explicar o modo como o estudo e o trabalho de campo vão decorrer, assim, torna-se necessária uma explicação plena sobre os esquemas de intervenção mas também os métodos de avaliação dos intervenientes e do decurso do trabalho de campo; na calendarização especifica-se o período de recrutamento e a informação básica aos intervenientes aos quais, se for o caso, também se pede o respectivo consentimento informado, após o que se procede à inscrição dos intervenientes; com o inicio dos trabalhos, e a sua continuação, segue-se a monitorização dos esquemas de intervenção segundo a qual se tenta controlar o progresso, avaliação e seguimento dos intervenientes; nos estudos de tipo casos-controlos, cujas variáveis económicas, centradas em registos fidedignos de dados, permitem a simples consulta, pois, a monitorização do estudo torna-se facilitada e praticamente não se verifica necessidade do controlo de perdas; por outro lado, quando a intervenção humana é mais intensa, também a monitorização será mais rigorosa.

Colheita dos dados
Os métodos da colheita de dados recorrem às técnicas provenientes da crescente disponibilização pela via da internet assim como de bases de dados informatizadas. Como os instrumentos utilizados são, quase sempre, computadores, pois, a necessidade de recursos humanos e técnicos, tem de ser devidamente adequada, no entanto, o controlo de execução deve ser permanente a fim de evitar as perdas de informação. Tanto para estudos de investigação epidemiológica económica empresarial com tipologia de coorte como casos-controlos, pois, o recurso às tecnologias de informação é sempre fundamental; de facto, ao nível dos países desenvolvidos, com economias de mercado instaladas, os institutos de estatísticas económicas e sociais e as múltiplas agências e instituições governamentais disponibilizam e permitem a consulta on-line dos dados tanto em tempo real, permitindo os estudos de coorte como com dados históricos, permitindo os estudos de casos-controlos. 
Registo de dados
Os dados serão registados informaticamente em fichas e matrizes, tipo folhas de cálculo, criadas para o efeito e cujo formato permita a exportação facilitada para vários programas de bases de dados e software capazes de efectuar o seu armazenamento e consulta sem recursos adicionais; o controlo da qualidade permite que estes dados não sejam alterados tanto no decurso da sua colheita como da sua utilização ao longo de todo o estudo. 

Tratamento dos dados
O tratamento obedece a uma estratégia de análise que pode envolver múltiplos testes estatísticos; normalmente nos estudos tipo coorte realiza-se, frequentemente, o teste de McNemar e nos estudos de caso-controlo faz-se a regressão logística cuja variável resposta, por ser categórica, a torna numa particularidade da regressão linear. Os estudos epidemiológicos económicos e empresariais têm a sua máxima utilidade no estabelecimento de indicadores económicos e financeiros, tanto ao nível da macro e microeconomias como, até, ao nível empresarial; os testes de rastreio, tanto de uma situação presente como do dinamismo e evolução da economia global, como um todo, ao nível interno e externo, também são utilmente aplicados pela metodologia epidemiológica.

Divulgação dos resultados
Os resultados serão divulgados pelos vários tipos e locais de divulgação; tanto através da internet em geral como de revistas científicas generalistas, ou especializadas; os locais compreendem os organismos estatais, as universidades e outras instituições, com e sem fins lucrativos, dedicadas ao estudo e divulgação da economia.

Cronograma
Qualquer protocolo de estudo e investigação deve ter o desenrolar das suas actividades e tarefas devidamente estabelecidas num cronograma adequado.

Previsão orçamental
A previsão orçamental rigorosa, com o estabelecimento detalhado dos recursos a utilizar transformaria o protocolo de investigação num projecto de investimento em ciência, não é o que se pretende, no entanto, será sempre necessário um ligeiro esboço previsional.

Referências bibliográficas
As referências bibliográficas surgem, entre outros motivos, para respeitar os direitos de autor e também a credibilidade das fontes de informação.

Anexos
Como anexos costumam-se colocar cópias dos documentos de submissão ao comité de ética quando tal se verifica, também é habitual, entre todos os outros documentos, a divulgação dos formulários do consentimento informado, dos instrumentos de avaliação e dos instrumentos de registo dos dados.

Síntese conclusiva
Os estudos epidemiológicos económicos empresariais têm a sua maior utilidade na identificação de factores de risco capazes de desencadear crises económicas com períodos de recessão e depressão económica mas também no desenvolvimento e estabelecimento de indicadores e respectiva monitorização, através dos testes que rastreiam a evolução desses indicadores económicos. Apesar da possibilidade de aplicação dos conhecimentos epidemiológicos tanto ao nível macro como microeconómico e, até, empresarial, com indiscutível ganho e proveito, este método de investigação, só por si, portanto isoladamente, torna difícil o desenvolvimento de modelos econométricos previsionais; no entanto, se conjugado com outros métodos de pensamento económico, estatístico, matemático e de outras ciências, naturais e humanas, pois, o rigor de uma econometria preventiva eclode com força e pujança capaz de fundamentar a segurança decisional numa melhoria constante e permanente das condições de vida para a totalidade da população humana.
Doutor Patrício Leite, 24 de Dezembro de 2018

EPIDEMIOLOGIA ECONÓMICA EMPRESARIAL

Introdução
Incerteza e probabilidades em economia matemática
Fundamentos das crises económicas
Quantificação da probabilidade de crise económica
Elasticidade da oferta e da procura
Análise e investigação em economia
Epidemiologia económica
História natural da doença económica
Prevenção primária em economia e gestão
Risco económico e empresarial
Estudos epidemiológicos económicos e empresariais
Risco relativo em estudos de coorte
Odds ratio em estudos de casos-controlos
Rastreio da crise económica e empresarial
Testes de rastreio da crise económica empresarial
Fundamentos estatísticos da investigação
Depressão económica empresarial
Semiologia da depressão económica empresarial
Síntese conclusiva de epidemiologia económica empresarial

Introdução
A teoria dos ciclos económicos, inerente ao capitalismo liberal e competitivo, de um mercado global concorrencial, onde imperam as leis da oferta e da procura, com infinitos compradores e infinitos vendedores, capazes de impedir distorções de mercado como, entre outras, situações de monopólio e monopsónio ou oligopólio e oligopsónio, tem dominado o pensamento contemporâneo, tanto no domínio da micro, como da macroeconomia. Na realidade, tanto a linguagem em geral como a linguagem económica, em particular, manifesta uma dualidade conceptual e racional muito acentuada; por vezes dicotómica, por vezes antitética, por vezes meramente competitiva ou, até, cooperativa porém, sempre dualística.
Desde logo, a filosofia do conhecimento, impõe a ideia distintiva primária entre o conhecido e o desconhecido, que se continua pelos conceitos de certeza e a incerteza; depois, na senda deste tributo, surge a noção de parte e todo que, em associação com a incerteza do desconhecido, promove a matemática do cálculo probabilístico num quociente fundamental entre as partes e o todo; obviamente que a existência de um todo, ou totalidade, como sistema, implica imediatamente a ideia de um interior a esse todo e um exterior; porquanto, a psicologia da motivação explica a necessidade como um estado de carência do meio interno que pode ser satisfeita através do meio externo; porém no meio externo a abundância é relativa e a escassez não permite satisfazer a procura agregada determinada pelas necessidades conjuntas de todas as pessoas em estado de carência, ou necessidade; a escassez e a necessidade são os fundamentos estruturais do conceito de bem económico; assim surge a economia como ciência social e humana. Se os bens económicos, por definição, escassos e necessários, não existem em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades agregadas de toda a população de uma comunidade, então é preciso desenvolver uma actividade económica capaz de produzir esses bens económicos, porém, simultaneamente ocorre competição pela obtenção do melhor e máximo consumo desses bens; logicamente, as pessoas cooperam no trabalho produtivo, desses bens económicos e competem pelo melhor consumo; se na actividade produtiva alguns colaboram com a força do trabalho, outros detêm os meios de produção, o capital, o qual, como bem de produção produzido, é um factor de produção, ou recurso, utilizado pelas empresas na produção de produtos e serviços que serão vendidos; o excedente de produção pode ser totalmente absorvido pelo mercado interno ou, de outro modo, ocorrem trocas comerciais entre fronteiras que originam importações e exportações numa balança comercial mais ou menos equilibrada, porém, os compradores pagam sempre pela aquisição dos produtos ou serviços e os vendedores recebem esse dinheiro para fazer face aos compromissos com os fornecedores e os trabalhadores; se os proveitos e ganhos são superiores aos custos e perdas, a empresa é lucrativa e sobrevive, de outro modo terá de recorrer ao crédito e aumentar o seu passivo, mas o crédito concorre com o débito no equilíbrio entre o dever e o haver tornando-se assim importante para obter o balanço, usando as partidas dobradas de uma contabilidade organizada; obviamente, quando o passivo supera muito o activo a empresa pode-se tornar insolvente e entrar em falência aumentando o desemprego e lançando os trabalhadores para situações de pobreza com incapacidade de pagar as suas compras levando a uma diminuição do consumo, se não há consumo também os produtores não vendem nem ganham dinheiro pelo que todos empobrecem e a economia entra num período de contracção, numa recessão depressiva com pessimismo de toda a comunidade; assim, as pessoas são forçadas a poupar e posteriormente a investir essas poupanças, permitindo a retoma da actividade económica cujas receitas ao superar as despesas gera riqueza que por ser distribuída conduz a um aumento do consumo com crescimento e expansão da oferta e da procura de bens económicos.
A análise e o aprofundamento do pensamento económico têm demonstrado que, mesmo nas situações de mercado em concorrência perfeita, existe sempre uma assimetria desigualitária entre a oferta e a procura; na realidade, a oferta surge em função da procura pois, é a necessidade que gera a procura, na sequência da qual, a oferta dos excedentes de produção, surge como meio de troca para satisfazer necessidades do agente económico; é esta assimetria, entre a oferta e a procura, que fundamenta o desenvolvimento das crises económicas, é por causa destes períodos assimétricos, com domínio da oferta ou, pelo contrário, da procura, que se geram os designados ciclos económicos; finalmente, por outro lado, a substituição dos conceitos de oferta e procura pelas noções dualistas inerentes aos conceitos de ataque e defesa, próprios do jogo competitivo, poderiam conduzir a novos raciocínios, do pensamento económico, capazes de acabar com a actividade económica cíclica do capitalismo.

Incerteza e probabilidades em economia matemática
Se a linguagem económica, no plano conceptual, manifesta uma intensa dualidade antitética, antagónica e simétrica; pois, a realidade observacional dos factos e fenómenos inerentes a esta ciência social é, substancialmente, diferente. Efectivamente, a discrepância assimétrica relacional entre a teoria e a prática, as ideias e as acções, o planeamento abstracto e a concretização da actividade económica, têm conduzido a incertezas cognitivas que agravam qualquer risco de investimento; quantificar matematicamente o risco é, de certo modo, planear, organizar, dirigir e controlar a execução prática de qualquer projecto de investimento. As probabilidades e o cálculo estatístico surgem, assim, como ferramentas matemáticas capazes de auxiliar, na teoria da tomada de decisões. A probabilidade é, fenomenologicamente, uma relação entre a parte e o todo, ou melhor, especificamente, uma razão ou quociente entre a parte e a soma das respectivas partes, constituintes, do conjunto considerado.
Assim:
p = a/(a + b)
Sendo:
p = probabilidade de a
a = número de elementos a
b = número de elementos b
Compreende-se, imediatamente, que a probabilidade varia entre 0 - 1, com zero (0) considerado como a certeza absoluta de que um acontecimento não ocorrerá e um (1) considerado a probabilidade absoluta de um acontecimento, ou seja, a sua ocorrência a 100%.
Matematicamente vem,
p(a + b) = a
pa + pb = a
pb = a - pa
pb = a(1 - p)
b/a = (1 - p)/p
Se, agora, em termos económicos for considerada a lei da oferta e da procura com,
a = lei da oferta
b = lei da procura
pois, a expressão algébrica, (1 - p)/p, surge como um factor probabilístico de assimetria capaz de eventualmente explicar as perturbações do mercado conhecidas por crises económicas.

Fundamentos das crises económicas
Assumindo a antítese conceptual e reducionista da linguagem económica, num mercado a funcionar regularmente, em concorrência perfeita, pois, como tudo se reduz as leis da oferta e da procura, então são três as situações de mercado, a saber:
Primeira: a produção iguala o consumo, a oferta iguala a procura, a compra iguala a venda, enfim, a simetria é perfeita e verifica-se um equilíbrio com estabilidade económica.
Segunda: a produção é maior que o consumo, a oferta supera a procura, gera-se um desequilíbrio por excesso de produção com stocks em armazém que, por excessivos, não se conseguem esgotar, não se conseguem comercializar e, sem força de vendas, não há receitas, as empresas ficam em liquidez e incapazes de cumprir os seus compromissos no momento em que o passivo vence, inclusivamente incapazes de pagar aos seus trabalhadores com despedimentos que, por isso vêm diminuído e agravado o respectivo poder de compra, agravando a crise que progride para uma grave recessão com depressão económica e social.
Terceira: a produção é inferior ao consumo, a oferta é inferior à procura, as pessoas querem comprar para consumir, até podem ter dinheiro inflacionado, mas a escassez é tão elevada que não há produtos para comprar, obviamente a inflação, a subida generalizada dos preços, com todas as suas consequências, passa a imperar, a satisfação das necessidades e carências torna-se deficiente, incapaz e insuficiente, as pessoas, insatisfeitas e infelizes, agravam a crise económica com convulsões e, por vezes, violência social.

Quantificação da probabilidade de crise económica
Se, na fórmula das probabilidades com, p = a/(a + b) se considerar:
a = lei da oferta
b = lei da procura
Então, as três possíveis situações de mercado surgem assim:
a = b => p = 1/2
a > b => p > 1/2
a < b => p < 1/2
por conseguinte, considerando os valores de p, é fornecida a quantificação da probabilidade de surgir uma crise económica por excesso de oferta ou por excesso de procura.

Elasticidade da oferta e da procura
Sabe-se da economia clássica que o mercado funciona por confrontação entre a oferta e a procura, o preço surge no ponto de encontro entre estas duas leis económicas; sabe-se também, da escola do pensamento marginalista, que a variabilidade do preço, da oferta e da procura, têm equivalência com as respectivas elasticidades da oferta e da procura; acrescenta-se que diferentes produtos e serviços têm diferentes elasticidades, é porém de toda a evidência que, seja qual for o bem económico, a sua elasticidade nunca varia até ao infinito, ou seja, para qualquer bem económico, chega a um ponto da situação em que o mercado, e os respectivos preços, já não se conseguem adequar à variabilidade da oferta, ou da procura; surge assim, uma situação, habitualmente cíclica, de crise económica com recessão, ou simples contracção da actividade económica.
Considerando agora a respectiva fórmula, ou equação, das probabilidades, p = a/(a + b), porém raciocinando em termos da variabilidade adaptativa típica da elasticidade da oferta e da procura agregadas, considerando novamente as inerentes, três situações de mercado, sendo:
a = lei da oferta
b = lei da procura
p = probabilidade da oferta
Então, as três possíveis situações de mercado, surgem assim:
a = b => p = 1/2
a > b => p > 1/2
a < b => p < 1/2
por conseguinte, em termos da adaptabilidade do mercado a elasticidade da oferta, ou da procura, as crises económicas surgem sempre a partir de um determinado valor de p diferente de 1/2. Pode-se afirmar que, de um modo geral, quanto mais extremo for o valor de p, isto é, quanto mais ele se aproximar do valor zero (0) ou um (1), pois, menor a capacidade que o mercado e a economia têm de se adequar e adaptar; chega a um momento, atinge-se o ponto de não retorno e já não é possível adequar os preços instalando-se a crise depressiva económica empresarial.
Continuando a raciocinar sobre a elasticidade da oferta e da procura, pois, outro mecanismo para a instalação da crise consiste na impedância, ou seja, o tempo que medeia enquanto os preços de mercado se adaptam às novas situações da oferta ou da procura; este mecanismo, de um modo geral, conduz a desequilíbrios e crises mais frequentes, mas também mais ligeiras e, habitualmente, facilmente ultrapassáveis; estas últimas, por vezes, nem chegam sequer a ser percepcionáveis pela generalidade da população.

Análise e investigação em economia
Os estudos económicos e a investigação, ainda que concretizando uma abordagem meramente qualitativa, terão sempre de considerar a existência de diferentes categorias de mercados e bens económicos; de um modo geral, a oferta e a procura, agregada e total, reflectem o total do mercado interno, por outro lado, se for considerada também a balança comercial, que é no fundo uma forma de agregação, pois então, reflecte o total de produção e consumo; com maior ou menor défice, com maior ou menor superávite.
A abordagem pode ser sectorial, a análise e investigação em economia, podem considerar apenas a oferta e procura de bens de capital, portanto destinados ao investimento em produção; podem apenas considerar os bens de consumo pelas famílias; podem apenas considerar as matérias-primas como bens primários, essenciais e fundamentais para o funcionamento da economia, como um todo; porém, é no âmbito da respectiva elasticidade entre a oferta e a procura que se estabelece a importância e contributo para o desencadeamento e manutenção da crise económica; seja esta provocada do lado da oferta ou, por outro lado, da procura.
A abordagem e a metodologia de análise e investigação podem também ser direccionadas para outras categorias, não apenas para os mercados e bens económicos mas também para os mecanismos de funcionamento do mercado e da economia total; é neste âmbito que, a dualidade conceptual, antitética e dicotómica, ou não, implica sempre um antagonismo dual com relevância fundamental e significativa nos projectos de investigação; seja nos mecanismos da oferta e da procura, agregadas ou não; seja nos mecanismos da produção e consumo; seja nos mecanismos das compras e vendas, activo e passivo, importações e exportações, bens de investimento ou consumo, enfim, … esta dualidade antagónica implica uma metodologia de investigação científica muito semelhante aos estudos epidemiológicos desenvolvidos em medicina, e saúde pública, a fim de determinar os factores de risco para a saúde e a doença, porém, aqui, para o desencadeamento e manutenção de crises económicas no âmbito da dinâmica do capitalismo competitivo.

Epidemiologia económica
Frequentemente, os teóricos da economia, reconhecem a analogia comparativa, que fazem, entre diferentes ramos do conhecimento científico e a vida das empresas, mas também da economia, como um todo, na produção, adaptação e aplicação das suas ideias, pensamentos e raciocínios, que virão a servir o pensamento económico, e respectivas ciências afins; de facto, aspectos cognitivos teóricos como, por exemplo, o modelo gravitacional, foi primeiramente conceptualizado e utilizado pela física clássica newtoniana e, posteriormente, adaptado às relações económicas e comerciais internacionais, designadamente entre países que, por terem diferentes distâncias entre si, também desenvolveriam diferentes variáveis nas respectivas intensidades das trocas comerciais; já o modelo do ciclo de vida, próprio das ciências biológicas, onde primeiramente se observou, foi posteriormente transformado e adaptado à gestão de produtos e marcas comerciais mas também outras áreas económicas cíclicas em geral; ainda nesta lógica de pensamento, os modelos ecológicos, em conjunto com as teorias do ciclo de vida, foram adaptados e ultimamente, integrados e utilizados no pensamento próprio da designada economia circular. Qualquer teoria que admita a circularidade, portanto, a teoria dos ciclos de vida, ou melhor, dos ciclos económicos, com períodos de contracção ou recessão económica alternando com períodos de expansão e crescimento económicos são muito úteis, promovem uma certa sensação de segurança, porém, não explicam nem prevêem rigorosamente todas as situações. Outras áreas do saber humano, como a medicina, designadamente a saúde pública, com a epidemiologia, ou seja, os estudos acerca da população, têm desenvolvido metodologia científica mais capaz de quantificar o rigor e a precisão nos factores capazes de promover e desencadear doença humana. É sobejamente reconhecido, cientificamente, que o tabagismo, a hipertensão arterial, o sedentarismo com obesidade, são graves factores de risco para doenças cérebro e cardiovasculares; a medicina, lida e resolve estes problemas na sua actuação prática do dia-a-dia; assim, considera-se que a aplicação, à economia e gestão, da metodologia utilizada em medicina, designadamente na investigação epidemiológica, iria proporcionar benefícios e mais-valias capazes de prevenir e solucionar problemas económicos actuais que, de outro modo, nunca chegariam a ocorrer.            

História natural da doença económica
Se, por analogia com a doença humana, causadora de sofrimento, considerarmos as crises económicas, com contracção da actividade económica e recessão, como doenças, pelo sofrimento social que geram, com insolvências, falências empresariais e respectivos despedimentos, desemprego e mal-estar social, pois justifica-se, de todo, transpor a aplicação da metodologia de investigação em medicina para a área da economia e gestão; por conseguinte, tendo em atenção a história natural da doença, assim se desenvolvem níveis de prevenção: em prevenção primária lidam-se com os factores de risco; em prevenção secundária tentam-se os rastreios e o diagnóstico precoce; continuando o paralelismo comparativo entre estas duas áreas do saber e da actividade humana, numa economia, ou empresa, doentes, efectuam-se os respectivos tratamentos e tenta-se a reabilitação precoce.
A analogia comparativa, aqui expressa, permite que o pensamento económico-empresarial caminhe conjuntamente com o pensamento médico numa actuação prática adequada às respectivas especificações.
  
Prevenção primária em economia e gestão
Os estudos de investigação em prevenção primária tentam, primeiro, identificar os factores de risco causadores da doença económica e empresarial, posteriormente, são tentadas sobretudo duas estratégias, básicas e fundamentais, para lidar com esses factores de risco: primeiro evitar o contacto com esses factores previamente identificados e, nesta situação, torna-se muito importante a educação e divulgação de conhecimentos na área da economia e gestão; assim, é necessária a divulgação fácil e acessível de cursos e acções de formação em gestão e economia, no sentido de auxiliar e capacitar os empresários e outros decisores; por exemplo, um centro de informação empresarial que, após estudos epidemiológicos, rigorosos e controlados, colocasse à disposição dos novos empresários conhecimentos e informações sobre o risco ou probabilidade de fracasso quando estes entram num novo negócio, em determinada região geográfica, iria contribuir, e muito, para evitar as situações futuras de dificuldades de tesouraria, das novas empresas, com possível insolvência e falência empresarial; ainda por semelhança, considerando agora as doenças infecto-contagiosas e os respectivos surtos de contagiosidade, pois, frequentemente os contágios fazem-se para além das fronteiras territoriais de um país, ora isto, em economia significa tão-somente importar as crises económicas; estas crises podem ser previstas e a informação divulgada a todos os órgãos de decisão, pública e privada, no sentido de evitar o contacto ou então tomar medidas atempadamente; as medidas económicas de higiene e sanitárias permitem diminuir o contacto ou a entrada dos agentes agressores; uma segunda estratégia básica e fundamental para lidar com factores de risco em gestão empresarial, e economia, consiste na imunização, como que uma espécie de vacina, através da qual, um empresário experimentado realiza cálculos previsionais, com as respectivas reservas monetárias, e de outros recursos, que lhe permitirão enfrentar as dificuldades futuras no momento oportuno; obviamente, esta situação de imunização em face de agentes agressores, que já invadiram os organismos empresariais e a economia nacional, também se aplica à economia de um estado, de um continente com a respectiva zona e região económica ou, até, ao nível da economia mundial.

Risco económico e empresarial
Primeiro, torna-se necessário clarificar aquilo que se entende por risco; assim, o risco é considerado como a probabilidade de ocorrência de um acontecimento ou situação não desejada, ou seja, um acontecimento, uma ocorrência causadora de dano ou sofrimento.
Como se sabe, a gestão empresarial dos projectos de investimento, contempla e tenta quantificar, sempre que possível, os riscos inerentes ao investimento e ao retorno do capital investido, frequentemente procura a sua estratificação a fim de melhor o avaliar, tanto no plano micro como macroeconómico; por vezes, a avaliação do risco vai até ao pormenor da tomada de decisões individuais, tanto ao nível do planeamento estratégico como táctico e até operacional; por outro lado, é certo que os teóricos da economia, procuram modelos econométricos capazes de realizar previsões e assim minorar os riscos de mercado, isto, desde um simples nível microeconómico do mercado local mas também, passando pelo mercado interno, ou nacional, até ao nível do mercado global; porém, frequentemente, as ferramentas que têm sido usadas para avaliação do risco, tanto económico como empresarial, não têm os estudos de validade que lhes permitam sustentação científica.     
O vigor e a validade dos conhecimentos, estudos e investigação científica, decorrem das relações de causa a efeito; efectivamente, em ciência, entre os vários critérios de causalidade; a força de uma associação causal é determinante. Em epidemiologia empresarial e económica, o risco relativo determina a força da relação de causa a efeito; por outro lado, o cálculo do risco relativo faz-se a partir das taxas de incidência, mas também pode ser calculado a partir das taxas de prevalência; assim, quando a doença empresarial determina a sua insolvência com falência técnica e de mercado, ou seja, a morte e extinção da respectiva empresa, pois, será calculada a taxa de incidência; quando se trata de uma empresa cronicamente sem lucros, ou até tendo sucessivos prejuízos, pois, será calculada a taxa de prevalência; por analogia também se pode calcular a incidência e a prevalência para todas as situações económicas de mercado que determinam uma economia frágil, ou seja, fraca e doentia; mais uma vez se salienta que as taxas de incidência e prevalência permitem avaliar cientificamente a força da associação entre causas e efeitos que determinam a insolvência e falência de empresas, de mercados e de economias frágeis e deficitárias.

Estudos epidemiológicos económicos e empresariais
Considerando a dualidade conceptual, por vezes antagónica, por vezes dicotómica, por vezes meramente dualista, de todo o pensamento económico, e de gestão, pois, pode-se afirmar que os estudos epidemiológicos conducentes à investigação de causas e respectivos efeitos são muito semelhantes e de aplicação transversal a toda a área do saber económico e de gestão. Sabe-se também, que as probabilidades não surgem apenas como uma relação, ou quociente, entre os casos favoráveis e o total de casos mas, em termos estatísticos, portanto pela lei dos grandes números, as probabilidades surgem como a frequência relativa de um acontecimento; por conseguinte, considerando que as taxas de incidência e prevalência se referem a frequências relativas, pois necessariamente estas quantificam probabilidades de ocorrência de acontecimentos em economia e gestão. Os estudos epidemiológicos investigam a probabilidade de relações causais entre diferentes ocorrências, ou acontecimentos, e são temporalmente classificados de retrospectivos, ou casos-controlos, se vocacionados para o passado; por outro lado, dizem-se de coorte, se vocacionados para o futuro. Os coortes determinam e quantificam o risco relativo, os casos-controlos tentam quantificar uma medida estimativa muito aproximada do risco relativo que se designa por odds ratio; por sua vez, o risco relativo determina a força da relação entre uma causa e o respectivo efeito, daí a sua importância, em ciências económicas e empresariais, na investigação dos factores de risco com a correspondente prevenção primária de ocorrências nefastas e indesejadas capazes de causar perturbações na actividade económica e empresarial de um mercado liberal em concorrência perfeita.

Risco relativo em estudos de coorte
Os estudos de coorte, designados habitualmente como longitudinais, prospectivos e analíticos, consistem em seguir, ao longo do tempo, do presente para o futuro, um grupo de elementos designado coorte. Este tipo de estudos tem a sua maior utilidade para situações agudas e muito frequentes na comunidade, portanto, de elevada incidência. É directamente a partir dos estudos prospectivos, de coorte, que se determina o risco relativo e assim, também, a força da associação entre uma causa e o seu respectivo efeito. Esta metodologia consiste em acompanhar e observar os elementos constituintes de um coorte, constatando que alguns destes elementos são expostos a hipotéticos factores de risco e outros não são expostos; a seguir constata-se que dos expostos ao hipotético factor de risco há alguns que sofrem e desenvolvem certas consequências e outros que as não desenvolvem; por outro lado, considerando os que não foram expostos ao hipotético factor de risco, ainda assim, alguns também irão desenvolver consequências semelhantes às dos que foram expostos e outros simplesmente não desenvolverão essas consequências. Habitualmente, nestes estudos, os dados colhidos pela observação e seguimento são dispostos em tabelas de duas entradas: expostos e não expostos; com consequências e sem consequências. As possíveis situações resultantes são quatro: expostos com consequências (a), expostos sem consequências (b), não expostos com consequências (c) e não expostos sem consequências (d).      
Os cálculos permitem determinar:
Risco para os expostos = a/(a+b)
Risco para os não expostos = c/(c+d)
Risco relativo = Risco para os expostos/Risco para os não expostos = [a/(a+b)]/[ c/(c+d)]= a(c+d)/c(a+b)
Como se pode concluir, a partir da fórmula, ou equação, relacionada com a definição e cálculo das probabilidades, estes resultados dizem respeito, por exemplo, à probabilidade da ocorrência de consequências no total dos expostos e, analogamente, para os não expostos; já o risco relativo fornece a razão relativa destas probabilidades e daí a sua utilidade como instrumento de avaliação da força de associação na relação de causa a efeito. Os estudos de coorte permitem o acompanhamento directo e a observação continuada dos elementos, em estudo, ao longo do tempo; esta característica favorece o rigor e a fiabilidade porém torna estes estudos mais fáceis de realizar nas situações e ambientes onde a incidência das consequências, em estudo, é mais elevada; de outro modo, entre outras contra-indicações, a amostra populacional teria de ser extremamente elevada com graves custos económicos.
 
Odds ratio em estudos de caso-controlo
Nas situações de baixa incidência, ou prevalência, de consequências, é costume desenvolver estudos, longitudinais e analíticos, mas retrospectivos, designados estudos de caso-controlo. O registo em tabelas de duas entradas e o tratamento dos dados, nos estudos de caso-controlo, é muito semelhante aos coortes, porém, agora o investigador parte retrospectivamente das consequências para a exposição e, para isso, recorre a registos prévios, considerados fidedignos. Frequentemente, nos estudos de caso-controlo, a amostra não é representativa por não ser aleatória; estes estudos não são tão robustos nem fiáveis. O risco relativo, como medida da força de associação causal, não pode ser determinado, porém, faz-se uma estimativa através de uma relação designada odds ratio, assim:
Os dados colhidos, nestes estudos, através da consulta a registos prévios, são dispostos em tabelas de duas entradas: expostos e não expostos; com consequências e sem consequências. As possíveis situações resultantes são quatro: expostos com consequências (a), expostos sem consequências (b), não expostos com consequências (c) e não expostos sem consequências (d).
Odds ratio = [exposto com consequências X não exposto sem consequências]/[exposto sem consequências X não exposto com consequências]=ad/bc.
Nos estudos de caso-controlo, o odds ratio, também designado razão de possibilidades, exprime apenas uma estimativa meramente aproximada do risco relativo dentro de um intervalo de confiança; no entanto, apesar das várias fontes de enviesamento, ele é bom para estudar situações raras, eventualmente com vários hipotéticos factores de risco em simultâneo e baixos custos económicos.          
                  
Rastreio da crise económica e empresarial
Se os estudos em epidemiologia económica empresarial, designadamente os coortes e casos-controlos; permitem, no âmbito da história natural da doença económica identificar os factores de risco a fim de, por prevenção primária evitar, atempadamente, a eclosão, a chegada da crise, pois, tal nem sempre é possível; torna-se necessário, frequentemente, desenvolver testes de rastreio capazes de efectuar um diagnóstico precoce a fim de limitar os efeitos devastadores que uma crise económica, ou empresarial, pode provocar. Há vários indicadores do desempenho de uma economia; há vários indicadores, económicos e financeiros, do desempenho da actividade empresarial; nem todos estes indicadores são previsionais e, aqueles que o são, pois, nem sempre garantem a exactidão das supostas previsões; torna-se necessário realizar estudos que, por um lado, validem estes indicadores e, por outro, permitam o diagnóstico precoce, o rastreio atempado das crises; tanto ao nível económico como empresarial. Com o rastreio, ou diagnóstico precoce, dá-se entrada num nível secundário de prevenção, o objectivo deixa de contemplar os factores de risco para abordar a crise económica, ou empresarial, no sentido de limitar e minimizar, atempadamente, os danos que essa crise pode causar. A metodologia dos testes de rastreio é, em termos conceptuais e quantitativos, muito semelhante aos estudos epidemiológicos de coorte ou de caso-controlo.

Testes de rastreio da crise económica empresarial
Por semelhança com os testes de diagnóstico médico, que as pessoas tanto costumam confiar, mais, inclusivamente quaisquer avaliações que uma pessoa individual possa efectuar, considerando também as opiniões emitidas pelos designados peritos ou especialistas na matéria; a realidade dos factos testados, em prol da exactidão científica, aponta sempre para parâmetros como, por exemplo, entre vários outros, a sensibilidade, especificidade e valores preditivos, positivo e negativo.
Primeiramente tem-se um padrão ouro, a partir do qual se valida e afere qualquer outro teste; posteriormente consideram-se os resultados dos testes como verdadeiros positivos, verdadeiros negativos, falsos positivos e falsos negativos; os parâmetros de sensibilidade, especificidade e valores preditivos surgem por relação entre estes resultados. Por exemplo; a sensibilidade é a probabilidade de um teste ter resultado positivo quando a realidade testada é, de facto, positiva; assim, sensibilidade = verdadeiros positivos / total de positivos da população em estudo; a especificidade é a probabilidade de um teste ter resultado negativo quando a realidade é, de facto, negativa; assim, especificidade = verdadeiros negativos / total de negativos da população em estudo.
Os testes de rastreio e diagnóstico, ou seja, todos os indicadores, possíveis ou imaginados, da actividade económica, tanto ao nível de uma economia global como de uma simples empresa individual, podem ser classificados, entre outros parâmetros, de acordo com a sua sensibilidade, especificidade e valores preditivos; conforme predomina um, ou outro, destes parâmetros, assim as indicações do teste para o diagnóstico da situação económica e empresarial. Conforme se deduz imediatamente, o fundamento matemático quantitativo destes testes, por semelhança com os vários estudos epidemiológicos, está nas probabilidades e estatística.

Fundamentos estatísticos da investigação
No âmbito da história natural da doença económica, desde a prevenção primária, com as investigações tendentes a identificar os factores de risco capazes de causar as crises económicas, passando pelo estabelecimento, definição e monitorização de indicadores económicos, ou empresariais, capazes de efectuar testes de rastreio e diagnósticos precoces, até à instituição de tratamento adequado, juntamente com a reabilitação, tendente a eliminar ou, pelo menos, minimizar os danos resultantes da doença económica; a semelhança da investigação epidemiológica é muito elevada; de facto, os conceitos e raciocínios da economia e gestão, sempre impregnados por uma linguagem dualista, por vezes dicotómica, conduzem ao uso de tratamentos estatísticos muito semelhantes. A analogia comparativa entre as fórmulas relacionadas com as definições matemáticas e os respectivos cálculos de probabilidades, quando confrontada com os estudos de investigação epidemiológica, revela uma semelhança bem patente e muito acentuada; é esta semelhança que fundamenta o uso das ferramentas matemáticas, estatísticas e probabilísticas, nas investigações epidemiológicas empresariais e económicas.
Nas situações em que se pretende investigar, ou determinar, os factores de risco, por exemplo, nos estudos prospectivos de coorte, para estabelecimento do risco relativo e, por inerência, da força de associação das relações de causa a efeito, costuma-se efectuar o tratamento dos dados com testes de inferência estatística do tipo McNemar; já nos estudos retrospectivos de casos-controlos, cujo risco relativo é estimado, o tratamento estatístico costuma ser realizado através da regressão logística. Efectivamente, a técnica estatística de regressão logística teve, desde finais do século passado, ampla aplicação em várias ciências sociais e humanas, desde as investigações em farmacologia e ciências médicas até a economia teórica, sobretudo no estabelecimento de modelos macroeconómicos próprios da previsão em econometria. Salienta-se a existência de muitos e variados fenómenos cujo mecanismo as ciências económicas e empresariais ainda não conseguem explicar com a força da realidade científica; a explicação destes fenómenos depende, frequentemente, da opinião, sempre volátil, de supostas autoridades na matéria; o uso dos estudos de investigação epidemiológica, em economia, irá trazer uma pujança, uma força, uma credibilidade, muito semelhante aquela que actualmente é detida pela medicina.

Depressão económica empresarial
Quando a prevenção primária falha, quando os factores de risco, causais, entram em contacto com a economia, ou empresa, quando a empresa não tem imunidade suficiente para se defender desses factores de risco agressivos, pois, instala-se a crise, instala-se a doença económica, instala-se a depressão. Numa economia aberta, as crises, recessões e depressões económicas podem ser importadas, ou seja podem surgir através do contacto, e contágio, com as economias parceiras das trocas comerciais; ainda assim, compete aos agentes decisores efectuar investigações epidemiológicas a fim de conhecer os factores de risco e, por conseguinte, definir e estabelecer a prevenção primária adequada. Quando toda a prevenção falha e se desenvolvem os mecanismos patológicos, tenta-se o diagnóstico precoce, finalmente, quando tudo falha, surge a doença económica, a depressão.

Semiologia da depressão económica empresarial
Se, nas empresas, os problemas de insolvência e falência técnica, frequentemente, começam com a tesouraria, eventualmente por falta de liquidez, por incapacidade de enfrentar os credores no momento em que as dívidas vencem, pois, numa economia de mercado concorrencial torna-se de suprema importância a monitorização do produto interno bruto (PIB). Conforme a variação do valor do PIB, assim a linguagem utilizada para classificar o dinamismo económico; assim, se o PIB diminui o seu crescimento, pois, costuma-se dizer que o crescimento económico entrou em abrandamento ou, eventualmente, se mais grave, já se refere como estagnação, ou até, contracção da actividade económica, neste sentido, se o PIB entra em queda durante dois trimestres sucessivos, já se fala em recessão económica; uma queda acentuada do PIB, quantificada, por alguns, como superior a 10% e prolongada por mais de dois anos, pode ser designada como depressão económica.
A semiologia da depressão económica, com os respectivos sinais e sintomas, relaciona-se directamente com a gravidade das variações do PIB em íntima associação com outras variáveis e indicadores macroeconómicos; uma depressão económica grave e profundamente instalada costuma ser socialmente muito florida envolvendo, não apenas, a economia mas também os órgãos de decisão política.
Entre outros, são frequentes sintomas como as crises de confiança, com escassez de crédito e dificuldades no seu acesso com redução das transacções comerciais, baixos níveis de produção e de investimento mas também se verificam sinais de desemprego e respectiva diminuição do rendimento familiar e do poder de compra, normalmente, as taxas de câmbio tornam-se voláteis e a inflação aumenta assim como as insolvências e falências empresariais. O aumento do desemprego, com o respectivo sofrimento imposto pela diminuição do rendimento familiar, mas também, o aumento da ociosidade e dos tempos livres, conduzem a manifestações sociais, com desordem e descontentamento, tendentes a pressionar o poder político; a persistência da depressão económica com desordem e conflitualidade social pode agravar sucessivamente evoluindo para fenómenos próprios dos conflitos bélicos e, por vezes, revolucionários; a mudança da ordem jurídica vigente, assim como de toda a estrutura económica e social, constitui sempre um prognóstico mais reservado para as classes sociais dominantes e detentoras do poder político.

Síntese conclusiva de epidemiologia económica empresarial
Numa economia capitalista ou, de mercado concorrencial; considerando a teoria dos ciclos económicos, sempre com picos e vales, qualquer que seja a duração do ciclo, ainda que a recessão possa ter um carácter permanente e endémico ou, pelo contrario, induzida por uma pandemia global pois, no âmbito da história natural da doença económica, os estudos conducentes à investigação científica das relações de causa-a-efeito, são sempre muito semelhantes. Obviamente, na fase pré-clínica da história natural da doença económica empresarial, procuram-se os factores causais, designados factores de risco, cujo interesse máximo consiste na prevenção primária, os testes de rastreio e diagnóstico precoce procuram, com a prática da prevenção secundária, evitar e combater os danos provocados pelas manifestações da fase clínica; a instituição do tratamento adequado e reabilitação procura, pela prevenção terciária, restabelecer a economia doente e evitar a sua evolução para prognósticos mais reservados. Categoricamente, sobre qualquer ponto de vista, em qualquer nível da história natural da doença económica empresarial depressiva, e da respectiva prevenção; primária, secundária ou terciária, os estudos de investigação epidemiológica são muito iguais pelo que seguem sempre o mesmo protocolo de investigação científica.
Doutor Patrício Leite, 20 de Dezembro de 2018