Os problemas do conhecimento e da sabedoria têm ocupado constantemente a atividade
mental dos seres humanos ao longo da história das ideias e do pensamento; por
outro lado, o modo ou metodologia da produção desse conhecimento serão um apanágio
superior da filosofia,… da amizade pela sabedoria. Metodologicamente, numa
primeira etapa terá surgido uma estrutura racional ou pré-racional baseada num
empirismo contemplativo de caracter mágico, místico-religioso; posteriormente, o
progressivo desenvolvimento histórico cognitivo-racional, culminou, no século
das luzes, na crença do iluminismo pleno da razão humana que se impôs como
autoridade máxima até, por oposição, a crítica da razão pura expor o
transcendente como limite extremo do racionalismo cognitivo. Na história da
metodologia filosófica da produção do conhecimento, nasceu, com a própria
filosofia, a metodologia socrática: assim, primeiro estabelecia-se uma
definição geral como premissa, depois, numa sequência de raciocínios interrogativos
e dedutivos, efetuava-se uma redução ao absurdo capaz de destruir a convicção
associada com a premissa original, posteriormente, era efetuado um raciocínio
indutivo que, partindo do particular, generalizava as conclusões em novas definições
ou premissas gerais entendidas como mais próximas da verdade. Epistemologicamente,
o conhecimento, a sabedoria, o episteme,
era historicamente procurado desde os primeiros pensadores ocidentais, porém, quando
o homem conheceu o conhecimento, mais, conheceu a metodologia da sua produção,
pois, nasceu a filosofia. Os primeiros filósofos, quando dogmaticamente ainda
procuravam o princípio do mundo, o arché
da physis, já abandonavam parcialmente a lógica dos raciocínios absolutos e
dogmáticos; já usavam uma certa dialética rudimentar, uma certa metodologia
epistémica porém, a verdadeira epistemologia metodológica nasceu com a
filosofia. Numa acumulação sucessiva, desde o empirismo contemplativo
pré-racional, o raciocínio absolutista dogmático, o raciocínio unitarista, o
relativismo racional sofista, a dialética rudimentar, a racionalidade
sequencial, a indução, a dedução, … surgiu o silogismo aristotélico como
sequência racional combativa histórica da falsa sabedoria sofista. O pensamento
aristotélico foi, efetivamente, um pilar fundamental da história da razão: com
o silogismo aristotélico surge a primeira classificação cognitiva em conceitos,
juízos e raciocínios. Esta trilogia conceptual estava tacitamente associada com
o desenvolvimento da lógica bivalente proposicional e respetivos princípios, de
tal modo que aos conceitos correspondia o princípio da identidade, aos juízos
ou proposições correspondiam os princípios da não-contradição e do terceiro
excluído, que determinam a obrigatoriedade da bivalência lógica, e finalmente,
o silogismo consiste, ele próprio, num raciocínio sequencial que encadeia
vários juízos. O princípio da identidade, associado com os conceitos
identitários, já tinha sido estabelecido e discutido ao longo dos cinco séculos
anteriores, porquanto, desde que, perante as afirmações de Heráclito sobre o
devir e o fluxo perpétuo,
Parménides afirmou que "o ser é, e o não-ser não é"; por
conseguinte, Aristóteles aceitando o dogmatismo absoluto deste juízo
parmenídico, desta proposição, como um princípio intocável, decidiu avançar
para o estudo dos juízos como estruturação lógica formal do pensamento humano.
O raciocínio silogístico aristotélico prevaleceu no amago da metodologia
epistemológica até ao nascimento do método cientifico; tendo, este ultimo, sido
intransigentemente defendido por Bacon que, numa antítese dialética, contestava
o silogismo alegando que este, sendo puramente dedutivo, não promovia o avanço
do conhecimento; porém, por oposição, em respetiva antítese amplificante
indutiva, defendia que o raciocínio indutivo partia de factos particulares para
obter as leis e axiomas gerais. O nascimento da filosofia moderna cartesiana e
o avanço da revolução científico-tecnológica mecanicista, consolidaram a queda
do silogismo e o desenvolvimento de uma nova metodologia assente em três
pilares: observação-hipótese-experiencia. O método científico é, ainda,
atualmente, o grande instrumento da produção de conhecimento validado pelos
avanços tecnológicos industriais e aceite pela sociedade contemporânea; este
método usa várias categorias de raciocínios: empirismo contemplativo dos
fenómenos observados, raciocínio sequencial da causa para o efeito, raciocínio
comparativo entre as várias causas ou os vários efeitos, raciocínio indutivo na
elaboração de princípios gerais e abstratos, etc. … etc. … A produção de
conhecimento com base no silogismo foi definitivamente abandonada porém, a sua
lógica fundamental, a lógica bivalente, assente nos três princípios já
enunciados, manteve-se até ao presente: nasceu na Grécia antiga aristotélica,
progrediu e desenvolveu-se em lume brando durante a idade média, seguidamente, foi
matematizada em álgebra booleana, cujos valores de verdade e falsidade
assumiram os números zero e um, em meados do século XIX e atingiu o auge no século
XX consolidando-se na tecnologia com o avanço da revolução digital.
Antiteticamente, já na reta final da ascensão ao topo, iniciou-se a crise e
declínio dialético pela manifestação contestatária do princípio do terceiro
excluído e eliminação da dupla negação, promovendo a defesa do positivismo
lógico com a convicção de apenas ser verdadeiro aquilo que pode ser
demonstrado. No momento presente, são muitos e variados os sistemas lógicos,
porém, a prevalência da lógica bivalente constitui os fundamentos absolutos, a
primeira camada, a linguagem-maquina da computação digital; concomitantemente,
nas camadas superiores, coexistem vários sistemas lógicos numa aplicação
prática crescente de lógicas não-bivalentes em consolidação da inteligência
artificial. A reflexão profunda e fundamentada mostra, e demonstra, que a
inteligência artificial não existe; efetivamente, trata-se apenas de mais um
desvio linguístico como analogia metafórica na conceptualização antropomórfica
de uma máquina, o computador, cujo processador central apenas transforma
correntes elétricas de entrada em correntes elétricas de saída que são transmitidas
aos seus periféricos; contudo, sendo a palavra inteligência artificial uma
analogia antropomórfica funcional na pragmática da comunicação humana, pois, o
seu uso será, aqui, continuado. A atual inteligência artificial, enquanto
produto histórico-cultural do estatismo político, da matemática estatística
probabilística aplicada ao desenvolvimento científico e tecnológico, das revoluções
industrial e digital; mantém a estrutura fundamental da lógica bivalente, contudo
acrescenta um novo e relevante raciocínio na produção de informação: o
raciocínio probabilístico. A máquina computacional, antropomorficamente, lê
todos os dados de informação armazenados na internet e, por programação
algorítmica, aprende e estabelece relações estatísticas entre esses dados que
armazena na memória; posteriormente, na sequência de uma pergunta como input,
transforma essas relações estatísticas, anteriormente aprendidas, numa
estatística probabilística como reposta de output; é esta estatística
probabilística que constitui o fundamento do raciocínio probabilístico; por
conseguinte, o raciocínio probabilístico é, por semelhança com o silogismo
clássico, categoricamente dedutivo e voltado para o passado, não faz avançar o
conhecimento. Os cálculos estatísticos e o raciocínio probabilístico constituem
o fundamento cognitivo racional da inteligência artificial, contudo, o
pensamento humano engloba uma vasta gama de outros processos cognitivos: o
raciocínio indutivo, dedutivo,
analógico, comparativo, absolutista, dogmático, relativista, sequencial, dialético,
… enfim, também, uma vasta e enorme quantidade de outros raciocínios.
Com a revolução cientifico-tecnológica mecânica, o domínio do silogismo foi
substituído pelo raciocínio indutivo numa base lógica bivalente e aplicação do
método científico; com a revolução eletrónica digital, predomina o domínio do
raciocínio probabilístico e aparecem novas modalidades lógicas mas prevalece a
bivalente e, na aplicação do método científico, por vezes, a componente
experimental é substituída pelo cálculo estatístico; finalmente, inicia-se a
tecnologia da revolução quântica cuja base lógica condiciona a validade do
princípio do terceiro excluído a muito poucas situações pelo que tem sido
proposto um novo sistema designado lógica quântica. Em mecânica quântica, o
mundo, o ser enquanto ser, não existem separados do observador que os observa,
efetivamente, em física quântica, o realismo ontológico tende a ser encarado
pela filosofia construtivista como produto da relação entre observador e
observado; neste contexto, para o avanço do conhecimento pela aplicação do
método científico: observação-hipótese-experiencia, os factos polémicos, os
fenómenos que não são explicados pela ciência vigente, não existem em si
próprios mas são um produto construído da interação entre o observador e o
observado; obviamente, um fenómeno é o que aparece, mas o que aparece tem de
ser observado, porém, a sua observação altera-o e o observador já não observa a
realidade ontológica do ser que em si aparece, mas sim, de um ser que resulta dessa
interação observacional; desta dialética entre o observador e o observado na
construção da realidade fenomenológica, nasce o conhecimento científico próprio
da física quântica. Com o abandono do princípio do terceiro excluído, a era da
racionalidade quântica avança, o conhecimento científico transforma-se num
construtivismo positivo assente, metodologicamente, na lógica daquilo que se
consegue demonstrar, porém, também, num construtivismo intuicionista capaz de,
verdadeiramente, gerar novas identidades genuínas, novas ideias originais e
novos conceitos criativos. É sabido que todo o raciocínio estatístico, probabilístico,
todos os cálculos descritivos, inferenciais e outros, estão voltados para o
passado; efetivamente, a máquina computacional, qualquer que seja, tem a sua
racionalidade probabilística vocacionada para transformar relações combinatórias
de dados previamente acumulados, dados do passado; a atividade da máquina
computacional consiste, apenas, em processar dados de um input anterior num
output posterior através de processos transformacionais que respeitam as regras
matemáticas da análise combinatória; a máquina computacional assume uma
matemática finita, incomensuravelmente enorme, mas finita e, num mundo finito,
nada se perde nada se ganha, tudo se transforma.
A inteligência artificial é positivamente construtivista, assume os dados positivos do passado; assume os conceitos, os juízos e os raciocínios, interliga-os pela estatística da análise combinatória, mas nada cria de novo; por antítese dialética, o construtivismo intuicionista do ser humano é infinitamente criacionista, original, genuinamente criativo na continuidade produtiva de novas ideias, conceitos e identidades; posteriormente, a partir desta primitiva originalidade criacionista conceptual humana, a máquina computacional e a sua inteligência artificial fazem o trabalho probabilístico transformador. Surge, aqui e agora, a interrogação fundamental: o que é uma ideia, um conceito, uma identidade? A filosofia da lógica contemporânea engloba, antiteticamente, as correntes do pensamento detratoras do princípio da identidade; contudo, paradoxalmente, estas correntes lógico-filosóficas, utilizam uma ideia, um conceito mental de partida, uma identidade original, para tentar destruir o princípio da identidade lógica; efetivamente, a identidade, individual ou coletiva, pode ser cognitivamente limitada, porém continua como fundamento da descontinuidade existencial numa dialética milenar que justifica o ser e o ente e não apenas o nada ou o caos. Mantém-se a interrogação: o que é uma ideia, um conceito, uma identidade? Considerando a etimologia eidética do pensamento platónico e a fenomenologia conceptual da identidade, pois, numa primeira etapa, a metodologia epistémica aponta o método da redução eidética, da redução à essência, da redução à conditio sine qua non como sendo o procedimento adequado na procura da resposta a esta interrogação fundamental; porém, imediatamente, a atividade prática humana que procura a essência positiva da identidade pelo método da redução eidética encontra, sempre, no final, um vazio, um absurdo paradoxal como resultado; efetivamente, a essência identitária positiva de um fenómeno constitui um paradoxo dessa identidade; esta irracionalidade lógica, este impasse, prova claramente que a essência identitária não é uma afirmação positiva contida no âmago do fenómeno, a essência identitária surge como resultado de um processo sucessivo de infinitas negações; mais, no fim desse processo infinito, quando todas as reduções são feitas e todas as negações retiradas, pois, paradoxalmente, a essência identitária está vazia, ela não é uma afirmação positiva mas sim negativa; por conseguinte, a identidade fenomenológica do fenómeno é aquilo que não é; quando o juízo ontológico parmenídico afirmou que "o ser é, e o não-ser não é" pois, por dialética antitética, o juízo do devir heraclítico traduzido, aqui e agora, num processo redutivo de infinitas negações, afirma "o ser, é aquilo que não é". Extrapolando, agora, esta metodologia epistemológica reducionista, para a singularidade daquilo que primeiro apareceu, o primeiro fenómeno, o fenómeno primordial: o aparecimento (filogénico e ontogénico) da consciência, a consciência no mundo, associada com o dasein de Heidegger: o ser-no-mundo; surge neste ser-no-mundo um qualia de uma consciência que, simultaneamente sujeito e objeto, olhando para si própria, sentidamente, exclama: eu sou…! Imediatamente, o raciocínio interrogativo pergunta: eu sou o quê? O que é que eu sou? Nesta sequência, o qualia fenomenal da autoconsciência identitária procura a sua essência conceptual pelo método do reducionismo eidético, logo, no final do processo infinito de negação surge, paradoxalmente, o vazio, a essência do “eu sou” como sendo aquilo que não é!
Ao longo deste ensaio filosófico metodológico da epistemologia foram enumerados métodos e raciocínios capazes de produzir e ampliar o conhecimento, porém, foram também abordados os seus sistemas e princípios lógicos com destaque para a dominância da lógica bivalente. Sendo certo que o princípio do terceiro excluído já antes tinha sido questionado, e abandonado, por lógicas mais modernas, também, certo é que o método fenomenológico da redução eidética evidencia a inconsistência dos princípios da identidade e da não contradição. O avanço do conhecimento humano nasce da criatividade genuína; efetivamente, a criatividade genuína não é a criatividade finita da inteligência artificial, fundamentada numa sequência algorítmica de regras e conceitos previamente existentes, em número imensamente grande mas finito, misturada em combinações, arranjos e permutações probabilísticas, porém a originalidade genuína da criatividade humana está na inovação criativa de regras e conceitos completamente novos que constituem o primado criativo dos algoritmos, regras e conceitos capazes de condicionar a inteligência artificial.
O ensaio supra produzido é um produto genuinamente humano, é um produto totalmente resultante da minha criatividade cognitiva humana, contudo, repare-se, esta criatividade foi composta por imensas regras e conceitos cujo número total é finito, neste sentido, considerando o número finito e previamente existente, pode-se afirmar que nos termos da matemática combinatória discreta ou finita, existe alguma probabilidade, apesar de infinitamente pequena, de a sua produção ser conseguida pela inteligência artificial; porém, repare-se que não é a presente inteligência artificial que o consegue: efetivamente, os modelos da atual inteligência artificial esgotariam a capacidade física do hardware próprio dos seus processadores e, no momento atual, jamais conseguiriam o output acima exposto como ensaio; porém, a minha criatividade humana foi ainda mais longe, mais genuína e mais fundamental: simplesmente, com simples pensamentos paralelos, produtivos e criativos, no paralelismo das ideias meta-metafóricas analógicas, derrotou completamente a inteligência da atual máquina computacional; efetivamente, a produção do conteúdo que doravante se passa a descrever, teve a ajuda da máquina computacional, foi usada a rapidez da máquina no processamento de inputs e produção de outputs, porém, verdadeiramente, o imenso número de erros semânticos da máquina, o imenso número de vezes que no uso do signo linguístico a máquina manifestou total incoerência e inconsistência entre significado e significante, permitiu concluir que nunca antes tinha sido efetuado pela humanidade um pensamento semelhante pelo que a máquina não teve capacidade para fazer tal associação probabilística de significados na produção de significantes; porquanto, vejamos:
CRIATIVIDADE NA MATEMATIZAÇÃO DA FILOSOFIA
Conforme foi aqui demonstrado, a aplicação prática do método fenomenológico da redução eidética culmina num impasse paradoxal da lógica bivalente; efetivamente, se o fenómeno é aquilo que aparece e, após redução se retirarem todos os atributos surge a essência desse fenómeno, a condição sem a qual ele não é, a conditio sine qua non que é, precisamente, um vazio de atributos; contudo salienta-se que fenómeno, aquilo que aparece, nunca aparece sozinho, isolado, tem sempre e obrigatoriamente de aparecer, numa relação dialética, a algo que o observa, que o capta; é precisamente a interação dialética entre observador e observado, sujeito e objeto, que está na génese do fenómeno, daquilo que aparece; mais, o observador só consegue observar atribuindo atributos ao observado; com a redução eidética retiram-se todos os atributos e, finalmente, fica apenas o vazio, um conceito vazio; porquanto o que aparece é, paradoxalmente, aquele atributo que não é atributo, um ser que não é ser, um ente que não é ente, um paradoxo da lógica bivalente; torna-se pois imperativamente necessário procurar outra metodologia da procura identitária do fenómeno. A racionalidade sequencial da tríade dialética moderna permite agora, contrapor por antítese, uma metodologia epistemológica expansionista eidética; por conseguinte, quando metodologicamente a redução eidética retira atributos ao fenómeno até à conditio sine qua non, a condição sem a qual não; pois, pelo contrário, a metodologia da expansão eidética acrescenta atributos ao fenómeno até à conditio cum qua non, a condição com a qual não; conforme se constata, ambos os métodos: redução e expansão eidética, propagam a sua atividade de retirar ou acrescentar atributos até ao ponto em que o fenómeno, ou seja, aquilo que aparece, deixa de aparecer, deixa de ser fenómeno: se apenas for considerado o método da redução eidética pois o fenómeno transforma-se num vazio fenomenológico; por outro lado, se apenas for considerado o método da expansão eidética, pois, o fenómeno transforma-se num outro fenómeno identitário e conceptualmente diferente. A tríade sequencial da dialética moderna contempla a tese – antítese – síntese; considerando que já foi abordada a tese: redução eidética, a antítese: expansão eidética, pois, surge agora a síntese: variação eidética. Abordar a redução, a expansão e a variação do fenómeno, transporta o pensamento para a multiplicidade das dialéticas atuais como, por exemplo, em teoria da forma, a relação entre a forma e o fundo; em teoria sistémica, a relação entre a parte e o todo; etc, etc, … porém, numa filosofia matemática autenticamente criativa proceder-se-á, agora, a uma analogia metafórica capaz de proporcionar utilidade técnica no domínio da informática e da inteligência artificial. Efetivamente, a variação eidética é constituída pelo método da redução que retira atributos e o método da expansão que os acrescenta. A análise da amplitude existencial do fenómeno, portanto, daquilo que aparece, demonstra que este inicia com o primeiro atributo: a conditio sine qua non, e termina com o ultimo atributo: a conditio cum qua non, por conseguinte, é nesta amplitude existencial que se manifesta toda a variabilidade, toda a diversidade, todas as diferenças que podem ocorrer nesse fenómeno considerado. No âmbito da sua amplitude existencial, a variabilidade do fenómeno ocorre através das diferenças sucessivas conforme se retiram ou acrescentam atributos. Entra agora a matematização filosófica da metodologia fenomenológica eidética; surge a analogia meta metafórica: se iniciarmos o pensamento pela matemática finita e respetivo cálculo discreto assim como pelo pioneirismo de Newton no desenvolvimento do método das diferenças finitas e, por oposição, o método das somas finitas com os somatórios (com número de termos limitado) e a aproximação de integrais pelas somas discretas de Riemann, pois, podemos prosseguir pela continuidade da matemática infinita com o cálculo diferencial a as derivadas e, por oposição, as primitivas e integrais. Sabendo a importância do cálculo diferencial na inteligência artificial e treino de redes neuronais pelos algoritmos baseados em derivadas e gradientes descendentes; sabendo as relações entre o gradiente, enquanto vetor ou tensor de ordem um, e o cálculo vetorial tradicional que, passando pelas matrizes, atinge o cálculo tensorial multidimensional de importância fundamental na aprendizagem profunda das redes neuronais numa inteligência artificial em desenvolvimento acelerado; pois, compreendemos a importância de um pensamento criativo paralelo que faz a analogia meta-metafórica entre os métodos das diferenças e somas finitas e os métodos da redução e expansão eidética. Sabemos que Patrício Teixeira Leite partindo das diferenças sucessivas de números potenciais, realizou uma extensa investigação matemática que interliga diferentes áreas da matemática discreta e continua designadamente fazendo pontes entre as diferenças finitas e a álgebra, a análise combinatória e a estatística, o calculo diferencial e a análise funcional, a análise numérica, a teoria dos números, a geometria combinatória e fractal, etc. etc., … por conseguinte torna-se, agora, extremamente importante fazer a ligação técnica com a filosofia; obviamente, desde a escola pitagórica até a moderna filosofia da lógica matemática e dos axiomas que essa ligação foi sobejamente pensada e refletida, porém, agora, trata-se de matematizar a filosofia. A matematização técnica da filosofia adquire significativa importância para o progresso e desenvolvimento da atual inteligência artificial digital mas também para a superinteligência artificial que a computação quântica proporcionará. Grandes problemas criptológicos relacionados com a criptografia pós-quântica e a criptoanálise, serão solucionados com a matematização da filosofia. A racionalidade criativa que estabelece o pensamento paralelo, numa analogia comparativa, meta-metafórica, entre os métodos matemáticos das diferenças e somas finitas e os métodos filosóficos fenomenológicos da redução e expansão eidética, cria uma filosofia matemática rigorosa e capaz de originar modelos computacionais de inteligência artificial mais próximos da realidade humana. Esta filosofia matemática inicia, agora, salvaguardando as analogias metafóricas supracitadas, com a aplicação do método das diferenças finitas ao método fenomenológico da redução eidética; porquanto, sabendo que a aplicação do método matemático das diferenças finitas consiste em sequências numéricas constituídas por diferenças de diferenças de diferenças,… em escada e até se atingir um valor constante final em relação com a derivação de funções continuas; por outro lado, a analogia comparativa ao método filosófico da redução eidética permite comprovar que a primeira sequência de diferenças consiste em retirar atributos ao fenómeno que se apresenta à consciência até aparecer o ultimo atributo que constitui a conditio sine qua non, porém repare-se, esta foi apenas a primeira sequência, a primeira escada, que dá a condição sem a qual o fenómeno não se apresentaria à consciência individual, porém, logo a seguir serão efetuadas as sequencias de diferenças das diferenças entre atributos até se atingir o valor constante final que, agora, já não é apenas a conditio sine qua non, para a apresentação do fenómeno à consciência de cada observador individual mas sim uma generalização como uma supercondição final em relação com uma consciência transcendental universal. A comparação entre o método das diferenças finitas e o método das reduções eidéticas apenas se torna válida quando, neste último, se fazem reduções de reduções de reduções, … em escada até ao valor constante final universal. Sabe-se que o método matemático das diferenças finitas lida com números ou quantidades e o método filosófico da redução eidética lida com qualidades; porém, também se sabe, que a ciência lida com dados nominais, ordinais e métricos discretos ou contínuos e, os dados, ainda que não sejam métricos ou numéricos podem ser ordinais e colocados numa escala ordenada. Se nos dados quantitativos das diferenças finitas, a diferença surge por subtração numérica pois, nos dados qualitativos da redução eidética dos atributos e das sucessivas reduções de reduções, pois, as diferenças surgem pela comparação entre o que há de igual ou comum/diferente entre os atributos ou as reduções e retira-se ou subtrai-se o que há de igual ou comum para restar apenas a diferença; também aqui, e procedendo deste modo, se encontra a última diferença que constitui a supercondição final da consciência transcendental. A matematização deste método filosófico permite, agora, criar algoritmos da consciência intencional; estes algoritmos, quando aplicados na máquina computacional, avançam para a realidade da consciência. Este ensaio metodológico, filosófico epistemológico, permite libertar a atividade cognitiva da mente criativa para a aplicação das investigações matemáticas prévias de Patrício Teixeira Leite, à evolução quântica da inteligência artificial.
Doutor Patrício Leite, 09 de Outubro de 2026
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