Elementos de psicoterapia psicanalógica

A psicoterapia psicanalógica usa estruturas de metodologias como a comparação, a metáfora ou, num âmbito extremamente alargado, qualquer outro tipo analogias constituintes da psicanalogia como método de estudo e compreensão do ser humano, tendo o objectivo fundamental de aliviar o seu sofrimento mental.
Há analogia em tudo, todas as situações, das quais resulta alguma forma de movimentação, alguma forma de alteração, alguma forma de escolha; portanto, há analogia em todas as situações vivenciais onde se manifesta variabilidade existencial com a possibilidade de identificação da diferença e escolha de uma das alternativas; há analogia decisional no momento em que a escolha se realiza, se concretiza; é na analogia decisional, conscientemente volitiva, ou não, que se encontram os fundamentos do ser humano.
Efectivamente, a analogia decisional preconiza a existência de uma ordem interior e um caos exterior, de um meio externo como fonte de variabilidade caótica e um meio interno ordenado, eventualmente pela necessidade, ou carência; um meio interno não apenas capaz de identificar a variabilidade caótica do meio externo mas também capaz tomar decisões, capaz de escolher; capaz de escolher, sempre em obediência a uma ordem interna predeterminada, aquele objecto do meio externo caótico, que melhor consegue satisfazer, ou eliminar, a carência do meio interno.
Os fundamentos teóricos da psicanalogia pressupõem o determinismo de uma ordem existencial primária e presente em toda a existência, em toda a vida, em toda a evolução filogenética, desde os seres vivos mais primitivos até aos mais evoluídos; sempre que existe um movimento, uma alteração, pois, assume-se uma orientação ordenada, determinada pela ordem da psicanalogia comparativa. Qualquer psicanalogia é, fundamentalmente, comparativa; efectivamente procurar aspectos comuns, ou analogicamente semelhantes, ou desiguais é, pois, sempre, uma forma de comparação. A psicanalogia assume várias formas e aspectos do seu desempenho como, por exemplo a psicanalogia competitiva ou a psicanalogia metafórica; efectivamente, a metáfora é uma forma particular de analogia; de facto, é possível efectuar comunicações expressivas e indirectas apenas com linguagem metafórica mas também, frequentemente, a linguagem apresentada pelas pessoas, normais ou patológicas, reveste uma comparação metafórica tanto ao nível verbal como não-verbal. Ainda que comparando os comportamentos, gestos, posturas, modo de vestir, de andar, de sentar, e todos os elementos da linguagem corporal, pois, a metáfora assume uma preponderância fundamental na compreensão das emoções, sentimentos e atitudes mais elementares dos seres humanos.
O dualismo reducionista, como fundamento diferencial da ordem e das suas relações binárias; estabelece, in extremis, a dualidade como fundamento de toda a existência; por conseguinte, nos extremos reducionistas, será forçoso encontrar a dualidade existencial; não a unicidade, não a pluralidade, mas sim a dualidade de algo que observa e algo que é observado, de um interior e de um exterior, de um pensante e um pensado, enfim, de um sujeito e de um objecto; porém, o dualismo reducionista não é necessariamente dicotómico, por conseguinte, a partir de uma dualidade expressa num determinado nível de observação racional e cognitiva pode-se passar imediatamente para um unicismo ou, por oposição, um pluralismo existencial; este tipo de abordagem não contraria o dualismo já que este é apenas um dualismo fundamentalmente reducionista. Em psicoterapia psicanalógica, por semelhança analógica com outras terapias, torna-se, frequentemente, necessário introduzir outros elementos e outras variáveis comparativas e metafóricas, surge a triangularidade estruturalmente fundamental formada pelo terapeuta, pelo doente, que se deve aliar ao terapeuta, e pela doença que terá de ser combatida; porém, existem sempre muitas outras triangularidades que se definem no decurso da doença e respectivo sofrimento. A triangularidade psicanalógica considera os três sentimentos básicos: alegria, amor e ansiedade, em oposição dualista com os seus opostos: tristeza, ódio e segurança.  
A ordem e a desordem estão sempre presentes no desenvolvimento e avaliação das perturbações mentais. A escolha do método de abordagem psicanalógica depende de cada caso no entanto é sempre necessário considerar o duelo conflitual existencial entre patologia e pessoa; o duelo conflitual é a forma mais básica e elementar das estruturas de combate. Ainda que sejam imensos os competidores ou combatentes, eles estabelecem sempre políticas de aliança terminando por uma estrutura de duelo, uma estrutura básica de combate ou competição. No caso da doença ou sofrimento humano, há um dinamismo próprio de combate, de ataque e defesa; até parece que a doença e sofrimento se tornam, como que, possuidores de personalidade e vontade próprias; surge a aliança terapêutica, por um lado da necessidade de ajuda que a pessoa doente sente, por outro, há também a considerar que essa pessoa, em luta contra a doença, ainda tem uma certa força pessoal, uma força capaz de estabelecer, ainda que rudimentarmente, um plano de luta na esperança de concretizar, de vencer o seu sofrimento pessoal.
Há em toda a doença uma involuntariedade que permite a afirmação categórica da fraqueza humana; a aliança terapêutica surge de um pedido de ajuda; ou seja, o ser humano, doente e sofredor, tenta numa primeira fase erradicar autonomamente o seu sofrimento porém, face à sua incapacidade pessoal de conseguir o bem-estar, a saúde; decide pedir ajuda. O pedido de ajuda constitui, desde logo, a primeira formulação primitiva de uma aliança; A força da aliança terapêutica é variavel com a pessoa e a doença; a aliança terapêutica implica, desde o inicio, um reconhecimento da doença mas também da fraqueza própria do doente em conseguir, por meios exclusivamente pessoais, erradicar e debelar o sofrimento. Os doentes psicóticos têm, frequentemente, pouco insight, ou seja, pouca capacidade em reconhecer a sua patologia, ou a natureza patológica da sua conduta; obviamente, um doente com patologia crónica ou personalidade mórbida, também vê o seu insight diminuído porém, a natureza egodistónica do seu sofrimento e a incapacidade pessoal de o erradicar favorece a adesão à aliança terapêutica desde que esta produza alivio dos sintomas e do sofrimento.
O sofrimento parece, assumir um dinamismo próprio de cada patologia que motiva um duelo entre a pessoa, doente ou sofredora, em aliança com o terapeuta e a patologia. O dinamismo da doença não é estático, não é próprio de cada pessoa, nem sequer de cada patologia; os aspectos desse dinamismo são tão variados e diversificamos que a estratégia de combate ao sofrimento poderá ter de ser alterada a cada momento, mais parece um jogo, uma guerra, um combate contra a doença e o sofrimento, esse jogo gera incerteza e risco, esse risco, essa insegurança no controlo adequado da técnica terapêutica, no sentido de erradicar o sofrimento, geram relações dinâmicas entre uma tríade: a doença, o doente e o terapeuta. Nesta dinâmica a três, por vezes forma-se aliança entre doente e doença, outras vezes entre doente e terapeuta, finalmente, nas situações, de alguma forma, mal conduzidas, a aliança surge entre o terapeuta e a doença com eclosão de iatrogenia sempre nefasta.
Há em todo o ser humano uma tendência à estabilidade, conhecida e reconhecida; mudar o comportamento exige sempre uma atenção acrescida, um gasto de energia psíquica adicional; esse esforço de mudança traduz-se em sofrimento incómodo capaz de, por vezes, desmotivar ou desencorajar a tentativa de mudança.
Os três sentimentos básicos do sofrimento humano: ódio, tristeza e medo ou ansiedade, simples ou conjugados, podem sempre ser eliminados, ou aliviados, através de uma psicoterapia psicanalógica; por exemplo, numa breve análise comparativa do medo constata-se que este surge quando a pessoa sente uma ameaça causada directamente por um objecto, ou realidade, constrangedora e causadora de risco, do mundo externo sobre o mundo interno; diz-se que essa pessoa sente um medo cuja estrutura tem como base uma ameaça real causada pelo mundo externo; pode-se afirmar que categoricamente, não há medo sem ameaça e não há ameaça sem medo, por conseguinte, medo e ameaça são as duas faces da moeda, simplesmente, uma está voltada para a vertente externa e a outra para a vertente interna do organismo. A coragem não elimina o medo mas permite enfrentar e neutralizar a acção paralisante que o medo, habitualmente, produz; medo e ameaça são os dois termos do binómio dualista; sendo certo que o medo resulta, sempre, de uma ameaça sentida, é também evidente que essa ameaça tem de ser credível, tem de existir a possibilidade de ela se realizar, assim, quanto maior for a concretização especifica e detalhada da ameaça maior será o medo produzido; obviamente, desde que o ameaçado sinta que o agressor tem o poder de conseguir concretizar, pois, só assim, será maior o risco sentido. Uma ameaça abstracta apenas traduz um desejo de hostilidade patente, por isso, não causa tanto medo e apreensão. A ameaça tem sempre a sua vocação cognitiva direccionada para o futuro, por isso, causa também ansiedade; a fraqueza física e psíquica sentida pela pessoa ameaçada, agravam a percepção como elemento cognitivo da ameaça amplificando o medo com um dinamismo próprio e pessoal. Analisar e compreender o medo e a ansiedade permitem desenvolver uma psicoterapia psicanalógica comunicacional do medo; em cada caso concreto, quanto maior for a compreensão do medo, pois, maior será a possibilidade de o eliminar. A comunicação psicoterapeutica psicanalógica pode ser activada e aplicada em qualquer tipo de sentimento, comportamento, cognição ou atitude, tanto isolados como em conjunto; a sua aplicação permite melhorar toda a saúde mental.
Doutor Patrício Leite, 13 de Outubro de 2019

Estratégia empresarial em política eleitoral

A análise económica e social, em mercados livres e concorrenciais, tem os fundamentos da sua teoria nas leis da oferta e da procura. A sobrevivência empresarial, assim como o seu crescimento expansionista, dependem da tenacidade competitiva mas também do conhecimento dos mercados e respectivo planeamento estratégico. Em democracias partidárias representativas, os partidos, como empresas políticas, que são, têm a sua essência, o seu core business, no mercado eleitoral com a venda de promessas de decisões políticas futuras, por parte das organizações partidárias que, em troca, pretendem a confiança e respectivo voto por parte dos cidadãos eleitores.
A natureza empresarial e concorrencial dos partidos políticos leva-os a, tentativamente, definir estratégias de mercado e marketing, em tudo, iguais às das outras empresas; de facto, os votos são escassos e não chegam para todos, só alguns serão ganhadores. Em conformidade com as outras empresas, que também criam e manifestam muitas e variadas barreiras à entrada de novos concorrentes, assim, no mercado eleitoral há sempre partidos a entrar e a sair; as semelhanças de mercado conduzem a uma análise e planeamento estratégico semelhante. A teoria do ciclo de vida mostra que o mercado eleitoral português, desde há vários anos, está em contracção; há uma recessão política, uma crise de confiança, um défice de confiança nos políticos e partidos; os eleitores, cultos e instruídos, reconhecendo o elevado valor do seu voto, preferem não o trocar por promessas falsas, não querem “comprar gato por lebre”, não votam. A concorrência pelo voto é muito intensa, a oferta das promessas de decisões políticas futuras é muito diversificada. As estratégias de ataque e conquista do mercado eleitoral são afectadas por muitas variáveis; há as ganhadoras e as perdedoras.
No ciclo de vida do mercado eleitoral, actualmente em contracção e declínio, os pequenos e os novos partidos que conseguem penetrar as barreiras de entrada à concorrência terão, para sobreviver, que adoptar a concentração como estratégia de produto. Efectivamente, os grandes partidos, por semelhança com as grandes empresas, diversificam acentuadamente o seu mix de marketing aumentando assim as barreiras à concorrência; por vezes usam até a mera diversificação de marcas, ou seja, as mesmas promessas de decisão política futura, mas revestidas com um fraseado diferente, para dificultar o crescimento dos pequenos e a entrada de novos; por conseguinte, aos pequenos partidos restam as franjas, ou nichos específicos de mercado que, sendo pouco rentáveis, não cativam o desejo dos grandes. Num mercado em crescimento, em expansão, a cópia como táctica de entrada, a estratégia “me too”, é barata e capaz de cativar eleitorado; em mercados expansionistas o crescimento pela diversificação torna-se a maior necessidade para a expansão empresarial e partidária; num mercado em declínio, em contracção, como ocorre actualmente, a criatividade e imaginação criativa terão de ser maiores, a concorrência é feroz e a entrada terá de procurar nichos de mercado pouco explorados, atacando esses mercados eleitorais com estratégias de concentração, a concentração no core business torna-se fundamental à sobrevivência em mercados recessivos. As matrizes BCG e GE são ferramentas muito úteis para, tendo em atenção as fases do ciclo de vida e respectivo crédito atribuído pelo eleitorado às promessas políticas, gerir as promessas oferecidas assim como a relação com os segmentos de mercado cuja alocação de recursos deve prevalecer. Num posicionamento contingêncial face à mutabilidade do mercado eleitoral ambiental, as organizações políticas têm de considerar a matriz de Ansoff que relaciona as promessas políticas novas e antigas com o desenvolvimento novo e continuado desse mercado eleitoral. Obviamente o planeamento estratégico, qualquer que seja, terá sempre de considerar todas as forças e fraquezas, oportunidades e ameaças na relação entre o ambiente interno e externo do partido político; só assim será possível conceber um projecto e implementar um plano de marketing vencedor. A alocação e utilização eficiente dos recursos, conjugada com a colocação e consecução de objectivos eficazes, são fundamentais para conseguir resultados ganhadores. Na realidade política portuguesa, com um mercado eleitoral em declínio, em decrescimento lento, em contracção lenta mas permanente tem, paradoxalmente, entrado um número aumentado de novos e pequenos partidos; a competitividade concorrencial, a luta, o combate político pela “caça” ao voto, tornam-se ferozes; os grandes partidos, com as clássicas estratégias de diversificação, elaboram campanhas de marketing onde tudo prometem e nada cumprem, perdem eleitorado, perdem quota de mercado, o mercado eleitoral global contrai-se, declina e decresce; os pequenos partidos também são falsos, também prometem e não cumprem, porém, entre os pequenos partidos alguns, imitando os grandes, definem estratégias de diversificação que os tornam imediatamente perdedores; outros, fazem planeamento estratégico com base na concentração e, com isso, ganham quota de mercado. Num mercado em contracção e declínio permanente, qualquer planeamento estratégico com base na diversificação é inadequado e imediatamente perdedor, agora imagine-se, um pequeno partido a esbanjar os seus escassos recursos em planos abrangentes e diversificados de marketing, … só pode fracassar!
O bloco de esquerda era um pobre e miserável minúsculo partido, pequeníssimo; até que optando por estratégias de concentração, começou em primeiro lugar por se concentrar no mercado dos homossexuais, estes lutando pelo orgulho da sua fixação sexual anómala, deram-lhe o voto, conseguiu ganhar esse mercado eleitoral; de seguida, avançou para o sector do mercado eleitoral dos tóxico-dependentes; obviamente que o desespero destes, e seus familiares, pelo consumo desenfreado e legalizado da droga, deram-lhes o voto; tendo crescido e conseguido influência política na assembleia da república, avançou para um novo nicho de mercado eleitoral, o mercado do aborto; naturalmente, o remorso, a culpa e o medo, das mulheres que abortaram, assim como das respectivas famílias, tendo estado envolvidas nesses abortos, pretendiam abandonar o remorso, a culpa e o medo da lei, assim, legalizaram o aborto e deram o voto eleitoral ao bloco de esquerda; este partido cresceu à custa de um eleitorado sentimentalmente transgressor da lei e dos bons costumes, mas que pretendia ver a sua actividade transgressora, legalizada e aceite pela sociedade; finalmente, seguindo o seu planeamento estratégico, continuando a lutar contra a vida, pretendendo erradicar a vida humana, pretendendo que morram o máximo número de pessoas; o bloco de esquerda promete, agora, legalizar a eutanásia. A homossexualidade, a tóxico-dependência, o aborto e a eutanásia, constituem modos de erradicar a vida humana; por conseguinte, numa sociedade deprimida, com tendências suicidas e homicidas, o nicho de mercado eleitoral do bloco de esquerda é o mercado da morte, é o mercado dos eleitores que estão dispostos a dar o seu voto ao partido que legalize a erradicação da vida humana, própria e alheia. Outra situação de concentração estratégica num nicho de mercado eleitoral, revela-se no partido dos animais; efectivamente, este pequeno partido, que ainda há poucos anos nem sequer existia, concentra o seu planeamento estratégico de política eleitoral, num nicho de mercado constituído pelos seres humanos que, sofrendo ou tendo sofrido, por causa de outras pessoas, ou tendo simplesmente sido abandonadas; decidiram revoltadamente refugiar-se no conforto e companhia dos animais. O nicho do mercado eleitoral dos animais, é constituído por pessoas que optaram por dar o seu voto ao partido que prometesse, por exemplo, proteger e alimentar os animais nos canis municipais contra a morte assistida pelos veterinários, nem que para isso fosse preciso legalizar a eutanásia de seres humanos ou deixar crianças morrer à fome. Conforme se comprova por estes dois exemplos, as estratégias de concentração política eleitoral em nichos de mercado sentimental, específico e pouco explorado pelos grandes partidos, conduzem à sobrevivência e crescimento dos pequenos; porém, não é apenas suficiente o planeamento estratégico; para os pequenos partidos, são necessárias tácticas e operações de marketing com base na gestão de relações personalizadas com o cliente, mas também tácticas publicitárias compatíveis; a clássica fórmula publicitária AIDA: Atenção, Interesse, Desejo, Acção; manifesta aqui toda a sua utilidade. Por exemplo, aspectos como o combate à corrupção política, ao “compadrio” e tráfico de influências, à difusão de favores e lugares no governo a familiares e amigos, chamam a atenção e despertam o interesse, também o desejo de mudança, mas não conduzem à acção de votar nos partidos que propõem esse combate fundamental; as pessoas que votam sabem que estão a votar em falsos e corruptos, mas continuam a votar; as pessoas que se abstêm, não confiam em políticos e continuarão numa abstenção, sábia e consciente.
Doutor Patrício Leite, 27 de Julho de 2019

Arte cognitia probabilística

INTRODUÇÃO
Arte cognitia
Introdução filosófica
ALEATORIZAÇÃO PROBABILÍSTICA
Aleatorização
Função ou procedimento aleatório
Paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite
Paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite
Física determinista
Distribuição aleatória amostral tipo curva normal
INTRODUÇÃO
Arte cognitia
A arte surge, para o ser humano, como uma oposição, por excelência, da técnica. A arte depende intensamente da cultura e estado de desenvolvimento de uma sociedade, no entanto, factores como o belo, a harmonia ou a estética da criação criativa, mantêm a sua vitalidade ao longo do tempo. No decurso da actividade criativa, artística; o êxtase da “inspiração” transcendental, toma conta da vontade, toma conta da actividade; como que num fluir absoluto que coloca em contacto o artista, um simples ser humano mortal, com a transcendência divinal; o artista desconhece o fim da sua obra de arte, da sua criatividade, da sua imaginação criativa e criadora; parece que a vontade e a actividade criadora, do artista, lhe é ditada e determinada por alguma entidade sobrenatural e omnipotente, desconhece como e porquê, lhe flui uma actividade que o conduz a um resultado final, para si, totalmente imprevisível; contempla miraculosamente o belo; o artista, cria miraculosamente o belo, mas não sabe como, nem porquê; sabe, apenas, que cria e exprime um milagre da harmonia divinal que se lhe impõe.
O admirador da obra de arte, contempla miraculosamente a maravilha que lhe aparece; desconhece a metodologia “inspiradora” da sua criação, desconhece a sua motivação transcendental mas, simplesmente, admira; mira, mira miraculosamente, contempla o belo, contempla a beleza de um êxtase estético infinito.
A arte, enquanto linguagem das emoções, dos afectos e sentimentos, distribui-se por várias áreas da actividade humana: a harmonia musical, impressionando o sentido da audição, e a percepção das tonalidades sonoras é, por excelência, uma proto-comunicação sentimental, afectiva, na guerra e na paz, na exaltação do amor, na serenidade contemplativa do universo; a pintura e a escultura, impressionando os sentidos da visão e do tacto, revelam a percepção contemplativa das proporções emocionais na criação universal.
O chamamento artístico, tanto para o “produtor” como para o “consumidor” da obra de arte, pode brotar, predominantemente, de um aspecto orgânico, prático e sensacionalista, que impressiona os órgãos dos sentidos e as percepções ou, pelo contrário, de um aspecto mental, racional cognitivo, que maravilha o entendimento humano. Frequentemente, apesar das divergências proporcionais, estes dois aspectos caminham juntos, nas miraculosas maravilhas das obras de arte.
A arte cognitia é, na sua essência, a arte que maravilha o entendimento humano; a criação de conhecimento e sabedoria criativa, divinal, emocional e sentimental; entendimento esse, capaz de colocar em êxtase supremo, aquele que o contempla. A arte cognitia traduz-se, na prática quotidiana empírica por um pensamento criativo, pela emergência de uma reflexão criativa profunda. Artes como a literatura, já revelam alguma racionalidade criativa, porém superficial; a filosofia revela reflexão profunda porém o seu método de reflexão generalizante e global coarcta-lhe, limita-lhe, a criatividade suprema; a arte cognitia é, por conseguinte, a arte do pensamento sem limites, é a arte da racionalidade cognitiva, cujo miraculoso milagre maravilha o ser humano.
Para o ser humano médio normal, tocar duas dezenas, ou mais, de diferentes instrumentos musicais, torna-se numa tarefa fácil de desenvolver e conseguir; realizar poemas e poesias, narrativas, peças de teatro, pinturas, etc., são actividades banais; as multidões, as massas de agregados humanos atribuem destaque e esses artistas vulgares, porém, reconhecidamente, todo e qualquer ser humano é artista na sua arte e admira os seus congéneres; a inigualabilidade da arte cognitia torna-a numa singularidade suprema e irrepetível; difícil, sem dúvida; humana, certamente; divinal, provavelmente; ainda assim, presente em todos os seres humanos. A excelência em arte cognitia desenvolve-se pelo treino sistemático em reflexões, ideias, raciocínios e pensamentos profundos, não necessariamente globalizantes mas que provocam no interlocutor uma certa tonalidade emocional extasiante, sentimentalmente miraculosa, tendente à repetição experimental, tendencialmente imitativa.
Uma simples frase narrativa, uma simples quadra poética, uma simples pincelada numa tela de pintura; já permitem a qualquer observador, distinguir, um pouco da respectiva capacidade artística do emissor; uma simples “pincelada” artística como: “quem ama a outro e não a si, odeia a ambos” ou a subsequente “quem dá todo o seu amor, não tem amor-próprio” já permitem destacar um leve fascínio emocional cognitivo, um pequeno traço de arte cognitia; não tanto pela labilidade literária antitética na sua constituição, metafórica e hiperbólica, entre tantas outras figuras de estilo e recursos literários, porém, tão-somente, pelo despertar sentimental de um conteúdo cognitivo, racional, que maravilha o entendimento humano.
Frequentemente, no empirismo quotidiano, no decurso vida, as pessoas deparam-se com ideias, pensamentos cuja emissão, como que, encaixa numa harmonia emocionalmente perfeita; ficam maravilhadas, admiradas com essa harmonia; isso é arte cognitia; não é arte cognitia pela consonância sonora das palavras, não é arte cognitia pela teatralidade visual da emissão, nunca pela estimulação dos órgãos dos sentidos e da percepção; a arte cognitia revela-se no entendimento emocional da harmonia conceptual, cognitiva, racional, das ideias e pensamentos. A arte cognitia, como arte do pensamento, do puro entendimento humano, tem vários estilos e ramificações; como qualquer desenvolvimento artístico, não maravilha todas as pessoas, ou pelo menos, não as maravilha da mesma forma; é preciso uma certa compreensão, uma certa iniciação artística; a arte do meu pensamento, neste ensaio, envolve entre outros, um conjunto de ideias e raciocínios lógico-matematicos, dedutivos e indutivos, comparativos e analógicos, cuja compreensão, maravilha pelo entendimento do mundo, dos fundamentos essenciais do ser humano, do transe extasiante da interrogação: porquê? Porquê a pergunta? : porquê?           
Introdução filosófica
Os fundamentos estáticos da essencialidade existencial, parecem localizar-se na simetria dualista. Qualquer entidade, qualquer ser, qualquer ente, na sua mais íntima, intrínseca, elementaridade é, ou não, simétrico. A estrutura estática elementar é, pois, a polaridade e, na sua ausência, a simetria. É esta dualidade dicotómica, polar versus não-polar, que estruturando o dinamismo da simetria, fundamenta o desenvolvimento material e ideal, do ser e do ente, do concreto e do abstracto, do relativo e do absoluto, enfim, do dualismo probabilístico. Metodologicamente, a analogia comparativa, enquanto reflexão cognitiva, profunda, avança na compreensão, no saber, no conhecimento de um princípio e de um fim, de um igual e de um diferente, do homo e do hetero, do finito e do infinito, da ordem e do caos, do determinismo e do indeterminismo, da causa e do efeito, da continuidade e da descontinuidade, enfim, da dualidade. A coexistência empírica da dualidade fundamental, não pode ser contestada; constata-se a existência de corpos materiais mas, também, a imaterialidade dos respectivos movimentos; a abstracção matemática da forma, por exemplo, triangular, mas também do objecto concreto que a enforma; qualquer prova empírica, sentida, comprova a respectiva analogia cognitiva, pensada.
Enquanto a repetição congrega uma dualidade antagónica, quantitativa e qualitativa, num movimento infinito estático, finitamente cíclico e translaccional; pois, a ordem, nasce da polaridade assimétrica e descontínua, da diferença, finitude limitada e determinada, da causalidade, prévia ou teleológica, antecedente ou consequente, em mistura homogénea fundida com o caos e a desordem indeterminada, livre e ilimitada, homogénea e infinita, em plena igualdade simétrica.
ALEATORIZAÇÃO PROBABILÍSTICA
Aleatorização
As probabilidades surgem num contexto de incerteza, num contexto de indeterminismo, numa falta de causalidade capaz de determinar o curso dos acontecimentos. O aleatório surge num contexto de acaso com ausência de causalidade determinante, porém, torna-se necessário um conceito fundamental; ou seja, o conceito de equiprobabilidade.
Obviamente, é pelo conceito de equiprobailidade, que se faz a intrínseca conexão entre uma realidade duplamente dualística; entre uma realidade estruturalmente irreconciliável, efectuando-se a ligação da unidade com a diversidade, da igualdade com a diferença. Equiprobabilidade tem por pressuposto fundamental, uma igualdade de probabilidades numa diferença de características; portanto, equiprobabilidades significa que na diferença de características, pois, cada uma dessas características tem igual probabilidade de ocorrer.
Uma moeda tem duas faces que se podem afirmar estruturalmente iguais, para a probabilidade de ocorrência, mas diferentes no seu aspecto de imagem; no entanto, por pressuposto axiomático, considera-se que a diferença da imagem, em cada uma das faces, não interfere nas respectivas equiprobabilidades de ocorrência.
Um dado tem seis faces estruturalmente iguais, mas diferentes no seu aspecto, diferentes na sua imagem; também nesta situação, o pressuposto axiomático impõe igual probabilidade de ocorrência entre cada face do dado. Pela própria definição clássica de probabilidades (probabilidades = número de casos favoráveis / número de casos possíveis); pois, ao lançar a moeda a probabilidade de ocorrência de cara, ou coroa, é igual a 50% e ao lançar o dado a probabilidade de sair qualquer uma das suas faces é igual a 1/6; obviamente, considerando no dado, o número de faces pares igual ao de faces ímpares, pois, as probabilidades de sair um número par é igual a ímpar, isto é, 50% de probabilidades. Empiricamente fica, assim, demonstrada a estrutura igualitária capaz de proporcionar a equiprobabilidade necessária para a aleatorização probabilística.
Sendo reconhecidamente aceites, tanto a definição clássica de probabilidades, como a definição frequencista, pois, torna-se evidente que o conceito de equiprobabilidade se revela necessário tanto para o lançamento da moeda, ou dado, como para a aleatorização de amostras; de facto, é a equiprobabilidade de aleatorização da amostra que a torna representativa de uma população, no decurso dos estudos estatísticos, capazes de determinar as probabilidades, através da frequência relativa de ocorrências amostrais.
Se a igualdade estrutural permite a equiprobabilidade pois esta, sozinha e isolada, não é bastante; só por si a estrutura, apesar de igual e equiprobabilistica, não é capaz de determinar a probabilidade, torna-se também necessário o procedimento, o acto ou acção, aleatório.
Função ou procedimento aleatório
Confirmando-se a ideia de que a estrutura, só por si não basta, não é capaz de determinar as probabilidades, por mais que seja equiprobabilistica; a estrutura isolada não é suficiente para calcular as probabilidades; pois, torna-se necessário um procedimento, uma acção de aleatorizar. Uma moeda, ou um dado, por mais que tenham as faces todas iguais, só por si próprios, não são suficientemente bastantes para determinar o cálculo de probabilidades; é necessária uma conjugação dualística; uma dualidade estrutural e funcional, para aferir e determinar o cálculo de probabilidades; é necessária acção, movimento; o acto ou procedimento de lançar a moeda, ou o dado; sem a realização desse acto aleatório, sem a realização dessa acção, pois, nada feito, não haverá cálculo de probabilidades. O acto, ou procedimento, aleatório tem de ser adequado, apropriado e repetido sempre do mesmo modo, sempre igual; é essa acção apropriada e sempre igualmente repetida que provoca as equiprobabilidades de ocorrência capazes de determinar um resultado probabilístico. A dualidade probabilística está na equiprobabilidade da estrutura mas também do acto, ou procedimento, aleatório; ambos são igualmente fundamentais, igualmente importantes para a determinação e cálculo das probabilidades.   
Paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite
Tradicionalmente, sempre que se aborda pela primeira vez o estudo das probabilidades, é costume iniciar-se com uma exemplificação a partir da moeda, logo seguida pelo dado; são situações de compreensão muito simples e intuição imediata. Afirma-se categoricamente que lançar uma moeda produz probabilidades igualitárias de 50% para a ocorrência da cara e 50% para a ocorrência da coroa. Apesar da imperatividade, da evidência axiomática, com que tal afirmação se debita, imponentemente; a verdade é que ela não se verifica sempre. A verdadeira verdade é que lançar uma moeda, ainda que honesta, não resulta sempre em igual probabilidade de 50%, tanto para a cara como para a coroa; de facto, se uma moeda, ainda que honesta, for lançada três vezes, pois, uma das suas faces sairá duas vezes e a outra face apenas uma vez, logo a probabilidade não é igual; se por outro lado a moeda for lançada cinco vezes, pois, uma das suas faces sairá, pelo menos, três vezes e a outra sairá, no máximo, duas vezes; numa verdadeira generalização conclusiva, sempre que a moeda for lançada um número impar de vezes, pois, haverá sempre uma das suas faces que sairá mais vezes do que a outra; logo a probabilidade de sair cara ou coroa não é igual, pois, depende do número de vezes que se lançar a moeda; ainda que alguns teóricos das probabilidades afirmem que a probabilidade se iria igualar ao lançar infinitas vezes a moeda, pois, é sempre necessário que o infinito seja par, pois de outro modo, se o infinito for ímpar, então a probabilidade de sair cara será sempre diferente de sair coroa. Ainda que o método de aleatorização, a acção de aleatorizar, o procedimento aleatório, não seja pelo lançamento de uma moeda muitas vezes mas, pelo contrário, lançando muitas moedas de uma só vez, pois, sempre se dirá que se o número de moedas lançado for impar, pois, sairá sempre, necessariamente, um número de caras diferente do número de coroas; o número das caras só iguala o das coroas se o número de moedas lançado for par; ainda que se lance infinito número de moedas, pois, se o infinito for impar as probabilidades de sair cara ou coroa serão sempre diferentes. Este é o paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite. Se passarmos, agora, de uma moeda para um dado, com seis faces, obviamente que este paradoxo também se verifica; por conseguinte, pode-se concluir que em qualquer situação onde se proceda a uma aleatorização, qualquer que seja a forma, ou método, dessa aleatorização; pois, verifica-se sempre o paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite.
Paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite
Pela sua própria definição, e desde os pensadores clássicos, sabe-se que o conceito de probabilidade está, necessariamente, associado com a ideia de incerteza. Efectivamente, a razão, ou quociente, entre o número de casos favoráveis e o número de casos possíveis, determina uma variabilidade da incerteza probabilística entre zero (0) e um (1), portanto, desde 0% até 100%; obviamente que nestes extremos a incerteza deixa de se verificar para ocorrer uma probabilidade absoluta, ou seja, a certeza absoluta de que um acontecimento vai ocorrer ou, então, a certeza absoluta de que um acontecimento não vai ocorrer.
Se os extremos probabilísticos configuram certezas absolutas se, por outro lado, os opositores do absoluto determinismo científico, linearmente mecanicista, preferem adoptar e conceptualizar as probabilidades como uma função de distribuição cuja continuidade infinitesimal proporciona o respectivo limite infinito, ou seja, a respectiva intangibilidade da sua derivada infinitesimal, por conseguinte, nunca atingindo os limites do seu domínio absoluto; pois, a verdadeira verdade é que, paradoxalmente, há outras probabilidades absolutas, outras certezas absolutas relacionadas com a função de distribuição probabilística, independentemente dos seus limites derivados infinitesimais e dos respectivos limites do seu domínio funcional; surge pois, agora, o paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite. Efectivamente, recorrendo novamente, por uma questão de simplicidade, ao uso exemplar do lançamento de uma moeda, ainda que honesta, a verdade é que surgem certezas absolutas, probabilidades paradoxalmente absolutas, em pleno contraste com o jogo relativistico de probabilidades requerido; assim, lançando uma moeda honesta, apenas uma vez, é uma certeza absoluta que apenas sairá uma cara ou uma coroa, nunca as duas, nunca nenhuma; lançando a moeda honesta pelo menos três vezes, é uma probabilidade de 100%, uma certeza absoluta, que obrigatoriamente sairão pelo menos, duas caras, ou então por disjunção exclusiva, duas coroas; lançando a moeda honesta pelo menos cinco vezes, é uma probabilidade de 100%, uma certeza absoluta, que obrigatoriamente sairão pelo menos, três caras, ou então por disjunção exclusiva, três coroas; e assim sucessivamente, portanto generalizando, de cada vez que, na fórmula da definição clássica de probabilidades, se repita um ciclo de lançamento aleatório da moeda honesta, numa contagem total superior ao número de casos possíveis, pois, também se adiciona uma certeza absoluta ao número de casos favoráveis, por conseguinte, paradoxalmente, com 100% de probabilidades de ocorrência. Este é o paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite.       
Física determinista
Apesar da coexistência reducionista dualista pacífica, por vezes dicotómica, por vezes antagónica, duma ciência física macroscópica, mecanicista e linearmente determinada, com uma física quântica microscópica, indeterminada e probabilística; os paradoxos da aleatorização e das probabilidades absolutas constituem factos determinantes que tornam possível a queda do princípio da incerteza de Heisenberg. Efectivamente, o acaso, a ausência de causalidade, a aleatorização do caos desordenado, fundamenta o cálculo probabilístico próprio da física quântica, em ligação com a entropia termodinamicamente caótica, cujo princípio da incerteza de Heisenberg constitui o auge do pensamento físico actual; por conseguinte, apesar da coexistência pacífica, a queda deste princípio, de incerteza, permite a emergência do retorno a uma física determinística, agora quântica, microscópica, mas também, finita e determinada; as probabilidades absolutas limitam o grau de liberdade termodinâmico, quântico, numa descontinuidade assimétrica, heterogénea, polar e ordenada, capaz de estabilizar a coexistência, pacífica e coerente, entre o absoluto e o relativo, o igual e o desigual, o contínuo e o descontínuo, em intrínseca associação inclusiva e exclusiva, sem dominantes nem dominados, sem princípios mutuamente exclusivos, simplesmente, coexistência cuja coerência se fundamenta nas probabilidades absolutas, ou melhor, nas probabilidades absolutamente relativas, isto é, dualistas.   
Distribuição aleatória amostral tipo curva normal
Fazendo a experiência com moedas, dados, ou qualquer amostra aleatória, a verdade é que a distribuição, para grande número de vezes, tende sempre a desenhar uma curva de distribuição normal. Efectivamente, o triângulo aritmético, ou de Pascal, permite confirmar a distribuição de probabilidades tipo normal, ao longo das suas linhas, com o lançamento sucessivo de moedas honestas; a conjectura matemática que relaciona a distribuição de combinações simples, ou sem repetição, com a distribuição de probabilidades, no lançamento de uma moeda, permite deduzir que lançando uma moeda honesta três vezes, pois, a distribuição das probabilidades de sair caras está patente na sua linha três, assim: 1,3,3,1; ou seja: 1 – zero caras, 3 – uma cara, 3 – duas caras, 1- três caras. Obviamente que se a moeda honesta fosse lançada quatro vezes, pois, o respectivo padrão de distribuição normal de probabilidades estaria na quarta linha deste triângulo aritmético, assim: 1,4,6,4,1; ou seja: 1 – zero caras, 4 – uma cara, 6 – duas caras, 4 – três caras, 1 – quatro caras. Generalizando, esta conjectura matemática permite relacionar as combinações sem repetição, distribuídas ao longo da linha do triângulo aritmético, com a distribuição das probabilidades da sair cara, mas também se aplica a coroa, quando se lança a moeda honesta o número de vezes igual ao número da linha do referido triângulo aritmético.
A distribuição aleatória amostral tipo curva normal em conjugação com a realidade das probabilidades absolutas confirma o antagonismo da coexistência pacífica dualista entre os conceitos de equiprobabilidade relacionada com a estrutura do objecto da amostragem aleatória mas também, equiprobabilidade, relacionada com a acção, ou procedimento aleatório; por conseguinte, com o finito e infinito, limitado e ilimitado, absoluto e relativo, certo e incerto, determinado e indeterminado, … assim sucessivamente, numa coexistência pacífica duma realidade, irreal, sempre irredutivelmente dualista.
Doutor Patrício Leite, 22 de Maio de 2019