Neutralização económica empresarial

Introdução
Tabela periódica da economia
Grupos de Necessidades
Esclarecimento sobre as necessidades
Períodos e Escassez
Breve resumo histórico do dinheiro
Concentração da moeda
Concentração dos bens económicos
Fórmulas de representação
A moeda economicamente anfotérica
A moeda economicamente tampão
Autodissociação da moeda
Valor da constante de dissociação da moeda.
Produto de dissociação da moeda
Interesse do produto de dissociação da moeda
Bens económicos oferta-e-procura
Bens económicos oferta
Bens económicos procura
Reacções oferta-procura
Titulação oferta-procura
Constantes de equilíbrio
Reacções de neutralização oferta-procura
Síntese conclusiva

Introdução
São vários modelos físicos, biológicos e, posteriormente, da epidemiologia médica, que têm tido forte aplicabilidade à investigação e estudo do mercado concorrencial global, na prevenção e controlo das crises económicas, por conseguinte, não será de descuidar uma nova abordagem económica e empresarial fundamentada em conhecimentos químicos que, primeiramente, foram aplicados em reacções químicas de titulação, ou seja, nas reacções químicas de neutralização ácido – base. Efectivamente é muito elevada, e significativa, a analogia conceptual entre as reacções químicas tipo ácido – base e as reacções do mercado, assim, se for considerado um equilíbrio dinâmico, entre a produção e o consumo, entre a oferta e a procura, pois, o resultado cognitivo conceptual constitui a base fundamental para a aplicação deste modelo químico à economia de mercado. Nesta situação analógica, os reagentes, ou seja, os produtos e serviços produzidos e oferecidos no mercado, interagem entre si, reagem para, em equilíbrio bilateral dinâmico e recíproco, assegurar a satisfação da procura e do consumo.
Ao longo do desenvolvimento histórico do pensamento económico e empresarial, vários modelos físicos têm servido, frequentemente, para fundamentar modelos económicos; desde a sua aplicação ao produto interno bruto, até as relações comerciais entre países, como ocorre, nesta ultima situação, com a aplicação do modelo gravitacional; outros economistas recentes usaram os modelos termodinâmicos clássicos; enfim, são muitas as modalidades mas, também, os modelos biológicos, como é o caso da teoria do ciclo de vida, que tem sido aplicada a produtos, empresas e, até, mercados na sua totalidade; recentemente eu próprio desenvolvi, muito breve e resumidamente, um modo de aplicar os conhecimentos da epidemiologia médica à teoria económica e empresarial; agora, fundamento aqui, um esboço sobre os conhecimentos próprios da ciência química, designadamente as reacções ácido – base, titulações, de neutralização e até, cognitivamente generalizando, oxidação – redução, com respectiva aplicação nas ciências económicas, em geral e, em particular, o mercado monetário mundial.
Num futuro, ainda não determinado, poderei eventualmente vir a desenvolver e concretizar um novo modelo econométrico, teoricamente, fundamentado nas minhas próprias descobertas matemáticas, relacionadas com a análise combinatória, probabilidades e estatística, no sentido de melhor prever, quantitativamente, as crises de mercado, recessões e depressões económicas com a respectiva evolução temporal mas também a sua resolução atempada e eficaz.

Tabela periódica da economia
A tabela periódica da química, como ciência, consiste num agrupamento bidimensional de elementos; transpondo a analogia funcional para outras ciências, designadamente económicas e empresariais, sabe-se que a base fundamental da economia são os bens económicos, por definição sempre escassos e necessários, por conseguinte, uma tabela periódica da economia é fundamental e terá de comportar duas dimensões: por um lado, um agrupamento de variáveis dimensionais assente nas necessidades; por outro lado, um agrupamento dimensional de variáveis mais periódicas que se reporta à escassez dos bens, a qual, numa economia de mercado, assume ciclos, com períodos de maior crescimento e abundância contrastando com períodos recessivos, de maior escassez e miséria.

Grupos de Necessidades
As necessidades são estados de carência do meio interno que podem ser satisfeitos a partir do meio externo. As necessidades podem ser agrupadas e, até, hierarquizadas. Para efeitos de uma tabela periódica em economia, definem-se 7 grupos de necessidades dispostas com base numa certa hierarquização das prioridades biológicas, comportamentais e sociais, conducentes à sua satisfação. Alguns bens económicos, como o dinheiro, são capazes de satisfazer mais do que um grupo de necessidades em simultâneo. 
Grupo I – Necessidades fisiológicas
Grupo II – Necessidades de segurança
Grupo III – Necessidades de amizade
Grupo IV – Necessidades de estima
Grupo V – Necessidades de autorealização
Grupo VI – Necessidades de conhecimento
Grupo VII – Necessidades estéticas

Esclarecimento sobre as necessidades
Necessidades fisiológicas
São aquelas que satisfazem carências orgânicas e fisiológicas como fome, sede, urinar e evacuar, dormir, respirar, etc. Os bens económicos que as satisfazem podem ser alimentos e bebidas mas também vários outros produtos desde, por exemplo, oxigénio para certos tipos de doentes até fraldas e sanitários.
Necessidades de segurança
São aquelas necessidades mentais relacionadas com abrigos capazes de colocar as pessoas fora de perigo e os bens económicos que as satisfazem vão desde as habitações e outras construções humanas até aos serviços de segurança prestados por forças militares e policiais.
Necessidades de amizade
Estão relacionadas com a actividade geral das pessoas em grupo, ou sociedade, numa certa sensação de pertença social e integração grupal, mas também comportam e avançam desde os grupos recreativos, desportivos e culturais até aos fenómenos próprios das dinâmicas de grupo, designadamente religiosos, sindicais e políticos.   
Necessidades de estima
Manifestam-se quando alguém, após ter satisfeita a sua integração grupal, pretende ganhar o relevo, atenção e admiração dos seus companheiros, assim e frequentemente, as competições desportivas, os fenómenos de liderança, a concorrência entre pessoas por cargos sociais, laborais e políticos mais relevantes, são exemplos de actividades desenvolvidas em prol da satisfação das necessidades de estima.
Necessidades de autorealização
As necessidades de autorealização surgem quando a pessoa pretende tornar-se integralmente satisfeita consigo própria, numa sensação plena de que, todos os dias e a todos os momentos, tem o melhor desempenho comportamental que consegue, que é capaz; faz o melhor de si própria para se autorealizar.  
Necessidades de conhecimento
Compreender o mundo e o ambiente que rodeia, todo e qualquer ser humano, é uma necessidade, um impulso fundamental que motiva a conduta, em direcção a objectivos determinados; a curiosidade básica, e a sua satisfação, conduzem o comportamento humano para actividades cuja finalidade é apenas essa, conhecer o ambiente.
Necessidades estéticas
Quando o ser humano está, quase, plenamente satisfeito, surgem finalmente as necessidades de contemplação da beleza natural que se lhe apresenta; a maravilha da beleza, da estética e da contemplação pura e simples, surgem como necessidades terminais e capazes de motivar, de direccionar, toda a conduta humana.   

Períodos e Escassez
A escassez é uma situação da vida, social ou grupal, em que os bens necessários para a satisfação das necessidades não chegam para todos; por exemplo, o oxigénio, presente no ar que respiramos, é necessário para a sobrevivência individual, porém não é escasso, existe em quantidade abundante, chega para todos; os alimentos também são necessários para a sobrevivência individual, porém, não existem em quantidade abundante e suficiente para a satisfação de toda a população, por conseguinte, têm de ser produzidos e distribuídos pelos seres humanos, mas não abundam, são escassos, não chegam para todos, por conseguinte, existe sempre uma certa concorrência para os produzir, obter e adquirir.
Nas situações de necessidade, cujos bens escassos, têm de ser produzidos, distribuídos e comercializados há, frequentemente, variedade na percepção pessoal e individual de cada pessoa relacionada com a natureza de um determinado bem e respectiva capacidade em satisfazer necessidades; esta variabilidade é traduzida em ciclos de vida, dos serviços e produtos, que nascem, crescem e desaparecem ciclicamente no sentido de satisfazer, cada vez melhor, as necessidades sentidas. A duração dos ciclos de vida de cada grupo de produtos, ou serviços, capazes de satisfazer as respectivas necessidades, constitui o período da tabela periódica da economia. Há produtos, ou serviços, como o dinheiro e a moeda, tipicamente próprios da vida gregária do ser humano, que são percepcionados como capazes de satisfazer simultaneamente vários grupos de necessidades; o dinheiro e a moeda, são escassos e necessários, portanto constituem bens económicos, porém, escasseiam e abundam ciclicamente originando episódios periódicos de recessão e crescimento da actividade económica; o dinheiro e a moeda, pelas suas características próprias e inerentes à vida gregária do ser humano, ocupam uma centralidade fundamental no desenvolvimento e funcionamento das economias de mercado.

Breve resumo histórico do dinheiro
A história do dinheiro, e da moeda, caminham conjuntamente no desenvolvimento crescente das trocas comerciais; numa fase inicial, tudo terá começado com as trocas directas; posteriormente a moeda, ao representar um certo valor, facilitou a eclosão das trocas indirectas permitindo um maior volume de negócios com expansão do mercado. Foram vários os utensílios utilizados como moeda, porém, com o metal cunhado atingiu-se um patamar de excelência sem precedentes para benefício da humanidade; a evolução continuou, as duas faces indissociáveis, da moeda, transitaram para o papel-moeda; actualmente, apesar da tendência para uma generalização do designado dinheiro electrónico, a dualidade sempre presente, entre a credibilidade emanada da autoridade do estado, que certifica a moeda, e o respectivo valor nominal, terão de se manifestar claramente, proporcionando a necessária confiança aos utilizadores na concretização das trocas comerciais indirectas, ampliando e estabilizando maximamente o dinamismo dos mercados.
Apesar da dualidade entre a cunhagem, que certifica a credibilidade da moeda, e o valor nominal, que permite a concretização do valor da troca comercial; há no dinheiro em geral, e na moeda em particular, uma outra dualidade: a oferta e a procura de moeda.

Concentração da moeda
A dualidade cognitiva, sempre presente, ao longo de todo o pensamento económico permite distinguir os bens em económicos, e não económicos; os bens económicos são, por definição, escassos e necessários; a moeda é escassa e necessária, por conseguinte, é um bem económico; porque é produzida pela humanidade e, por sua vez, permite a produção de outros bens económicos, diz-se que se trata de um bem de capital.
A economia real, ou fundamental, diz respeito à produção, e consumo, de bens escassos e necessários para a sobrevivência da humanidade. Após a sua produção, os bens ficam assimetricamente distribuídos entre o produtor e o consumidor. Há uma diferente concentração dos bens produzidos entre o lado da produção e o lado do consumo; a moeda tem várias funções, porém, numa delas, funciona como um solvente que dissolve a concentração de bens entre a produção e o consumo, permitindo o funcionamento da economia. A moeda é um bem económico de capital, escasso e necessário, cuja concentração está assimetricamente distribuída pelas pessoas de uma comunidade. Para quantificar a medição da concentração de moeda, numa comunidade, como um todo, basta dividir a massa monetária, os seja, a quantidade total de dinheiro disponível nessa economia e num determinado momento, pelo número total de pessoas dessa comunidade, assim:
Concentração de moeda [PO] = massa monetária / número total de pessoas.
Há várias definições e classificações da massa monetária, porém, quantitativamente e em termos operacionais, rigorosos e para efeitos da fórmula de concentração da moeda, apenas interessa o uso do respectivo conceito, esclarecido, previamente definido e aceite por todos os seus respectivos utilizadores.

Concentração dos bens económicos
Em qualquer comunidade, os bens económicos, por definição, sempre escassos e necessários, estão desigualmente distribuídos, desde logo, imediatamente após a produção, ficam armazenados em stocks que depois serão distribuídos e comercializados até chegarem ao consumidor final. Ao longo do percurso de distribuição, e até no consumidor final, manifestam diferentes concentrações. O dinheiro, ou seja, a moeda, funciona como solvente, por outro lado, os bens económicos funcionam como soluto. Há vários modos, ou técnicas, de avaliar e quantificar a concentração de bens económicos; o soluto terá de ser sempre a quantidade dos bens económicos, já o solvente pode ser, por exemplo, a moeda, portanto, a massa monetária ou simplesmente a quantidade de moeda; porém, por outro lado, como solvente, pode ser usada a quantidade de pessoas dessa comunidade; assim:
Concentração de bens económicos [B] = quantidade de bens económicos / quantidade de moeda, mas também, outra fórmula:
Concentração de bens económicos [B] = quantidade de bens económicos / número total de pessoas
Obviamente que as medidas quantitativas da concentração dos bens económicos são muitas mais e variadas, por exemplo; a quantidade de bens económicos, como soluto, pode ser expressa e quantificada através da respectiva e equivalente quantidade de moeda; há pois, varias alternativas mas o interesse está no uso de conceitos, previamente esclarecidos, definidos e aceites por todos os seus respectivos utilizadores.

Fórmulas de representação
O dinheiro, mas sobretudo, a moeda, será representada pelas letras PO.
Os bens económicos serão representados pelas letras BO ou então BP conforme se refiram a bens oferecidos BO ou então a bens procurados BP.
Os serviços serão representados pelas letras SO ou então SP conforme se refiram a serviços oferecidos SO ou então a serviços procurados SP.

A moeda economicamente anfotérica
Numa economia de mercado, livre e concorrencial, teoricamente dominada pelas leis da oferta e da procura, qualquer bem económico, portanto necessário e escasso, está sujeito a estas duas leis, ou regras do mercado. A moeda é um bem económico, portanto, sujeita às leis da oferta e da procura porém, detém no mercado, uma posição muito especial; na realidade, enquanto qualquer outro bem económico ocupa uma posição de mercado predominantemente do lado da oferta ou, por oposição, predominantemente do lado da procura, pois, a moeda, ocupa simultaneamente, no mercado, uma posição cuja oferta é exactamente igual à procura; esta característica confere, à moeda, propriedades economicamente anfotéricas; ou seja, num mercado onde domina a oferta de outros bens, pois, a moeda comporta-se do lado da procura, por antagonismo, num mercado onde domina a procura de outros bens, pois, a moeda comporta-se do lado da oferta. Estas propriedades anfotéricas, da moeda, conferem-lhe uma posição de mercado capaz de regular os preços dos restantes bens e serviços; por exemplo, aumentar a quantidade de moeda em circulação provoca um aumento generalizado dos preços dos restantes bens económicos, por conseguinte, aumenta a inflação mas não altera as propriedades anfotéricas da moeda, assim, a moeda constitui um bom solvente, o solvente por excelência, o solvente que na economia real permite a dissolução entre os produtos e os consumidores; o solvente que faz a ponte, que faz o contacto, que faz a ligação entre a produção e o consumo.          

A moeda economicamente tampão
Em teoria económica, são frequentemente descritos, ciclos de alternância, entre períodos de crescimento, contrastando com períodos de contracção, da actividade económica, como sendo típicos das economias de mercado capitalistas.
Na realidade, considerando que são as leis da oferta e da procura que regulam o mercado, pois, esta alternância é necessariamente causada por um excesso relativo de oferta ou, por oposição, de procura; assim, o equilíbrio natural entre a produção e o consumo deixa de se verificar e surgem os excessos de oferta ou, por outro lado, de procura e por conseguinte, as crises, ou recessões, económicas.
A massa monetária, portanto, a quantidade total de dinheiro disponível permite, até certo ponto, atenuar as oscilações entre os excessos relativos de oferta ou, por outro lado, de procura; a moeda funciona como um tampão económico porque permite, em certa medida, estabilizar a mudança entre um excesso de oferta e um excesso de procura. A capacidade de tamponamento de uma moeda depende, entre outras variáveis, também da sua concentração no seio de uma economia. O tamponamento, proporcionado pela moeda, evita o descalabro de uma crise, ou recessão, económica, porém, a sua capacidade é limitada; a partir de determinado excesso de oferta, ou de procura, pois, a capacidade de tamponamento económico da moeda é ultrapassada e a recessão, ou depressão, ocorrerão com todo o vigor e dano económico-social.

Autodissociação da moeda
Qualquer moeda, representada por PO tem, por inerência dualista, duas componentes, ou constituintes, associadas: a oferta, representada por O constitui uma das componentes que pode ser designada moeda-oferta; por outro lado a procura, representada por P constitui a outra componente que pode ser designada moeda-procura.
No mercado, a solução concentrada da moeda PO, traduz-se nas suas duas componentes, moeda-oferta e moeda-procura, que se encontram dissociadas num equilíbrio permanente e constante, assim: [PO] [P] + [O]. A constante de equilíbrio da autodissociação da moeda surge assim: Km = [P][O]/[PO]. Como a concentração da moeda [PO] é essencialmente constante então ela pode, por simplificação, ser ignorada surgindo a constante de dissociação da moeda, assim: Km = [P][O].

Valor da constante de dissociação da moeda.
Sendo a economia uma ciência humana e estando a moeda dissolvida pelos seres humanos que habitam uma comunidade económica, então, a constante de dissociação da moeda surge como inversa do número de seres humanos dessa comunidade económica onde a moeda vai ser utilizada, assim: Km = 1/número de seres humanos. Compreende-se que se apenas existisse um ser humano pois todas as moedas estariam dissociadas, ou seja, esse ser humano tinha todas as moedas que procurava e não tinha a quem as oferecer nem como procurar mais moedas; por outro lado, se existissem infinitos seres humanos pois as moedas não poderiam ser dissociadas nas suas componentes de oferta e de procura.
Se por mero, e simples, exemplo for considerado que num país, como Portugal, existem 10 milhões de pessoas pois, o cálculo da constante de dissociação da moeda remete para a fórmula: Km =  1*10-6, ou seja; Km = 10-6.

Produto de dissociação da moeda
A constante de dissociação da moeda está dependente de muitas variáveis mas sempre condicionada a um funcionamento normal e regular de uma economia de mercado numa determinada comunidade económica; por exemplo, numa comunidade como os EUA seria de considerar a totalidade de pessoas dos EUA, na comunidade europeia seria de considerar a totalidade de pessoas da Europa; em Portugal será de considerar o total de portugueses que, neste caso, se considera 10 milhões e, por conseguinte, Km = 10-6.   
Considera-se que no equilíbrio de autodissociação da moeda [PO] [P] + [O] a moeda está praticamente toda dissociada pelo que [PO] pode ser desconsiderado, assim, para Portugal vem, Km = [P][O] = 10-6, como a moeda é, por inerência dualista, as suas duas componentes; oferta [O] e procura [P] existem e estão em concentração igual, assim, [P] = [O] pelo que os valores de  [P] = [O] = 10-3, agora, aplicando a função logarítmica, vem:
pP = - log[P]
pO = - log[O]
como, pKm = - log (10-6) = 6, surgem as seguintes situações da concentração dos serviços e produtos, no mercado, face à respectiva moeda, em Portugal:
se pP < 3 trata-se de uma situação de domínio da procura.
se pP = 3 trata-se de uma situação de equilíbrio entre a oferta e a procura.
se pP > 3 trata-se de uma situação de domínio da oferta.

Interesse do produto de dissociação da moeda
Numa fase inicial, cumpre esclarecer que o valor de Km está aqui, como que, indexado ao número total de pessoas da comunidade económica considerada, no entanto, a metodologia e o valor encontrado para sua determinação, na verdade, não têm de ser rigorosamente estes; porém, considerando sempre, que a moeda cumpre uma função central numa economia de mercado a funcionar regularmente, considerando também que a própria moeda está sujeita as leis da oferta e da procura, torna-se por demais evidente a sua dissociação nestas duas componentes, em qualquer mercado considerado, por outro lado a estimativa, ou determinação exacta, do valor da constante de dissociação da moeda, mais uma vez se afirma, pode ser alcançada por diferentes metodologias.    
Entre vários outros, um dos interesses do produto de dissociação da moeda consiste em regular o mercado da oferta e procura agregadas na prevenção ou atenuação das crises económicas cujos ciclos de crescimento da actividade económica alternam, com contracções e recessões; de facto, como cada produto, ou serviço, tem sempre associada uma esperança estimada de oferta, ou de procura, então, cada produto, ou serviço, pode ser dissociado nessa oferta, ou procura, associadas; sendo os produtos, ou serviços, dissolvidos pelos consumidores através da moeda, então torna-se possível o cálculo econométrico conducente ao equilíbrio de mercado; por conseguinte, se uma crise económica surge por excesso de oferta com armazenamento de stocks que não se conseguem vender pois através do uso do Km torna-se possível calcular rigorosamente a quantidade de estímulo ao crescimento económico; por outro lado, se uma crise económica surge por excesso de procura com falta de produtos no mercado, em quantidade capaz de satisfazer as necessidades dos consumidores, pois através do uso do Km torna-se possível calcular rigorosamente a quantidade de estímulo à produção, capaz de restabelecer o equilíbrio de mercado.

Bens económicos oferta-e-procura
Considerando a inevitabilidade indissociada da oferta e da procura, inerentes e patentes, na própria moeda; considerando que em condições normais e regulares do funcionamento de mercado numa economia capitalista, na posição de equilíbrio autodissociativo da moeda, pois, a sua componente oferta é igual à sua componente procura; considerando que todos os bens económicos têm inevitavelmente associada uma componente oferta e uma componente procura; torna-se eminentemente lógica a dedução conclusiva que na posição de equilíbrio a moeda é neutra em relação à oferta e procura; os bens económicos podem ter uma componente oferta cujo valor é superior, inferior ou igual ao valor de equilíbrio da moeda; os bens económicos podem ter uma componente procura cujo valor é superior, inferior ou igual ao valor de equilíbrio da moeda.

Bens económicos oferta
Os bens económicos, sobre o ponto de vista das leis da oferta e da procura, dizem-se bem-oferta se têm uma oferta superior à respectiva oferta da moeda, exactamente referente ao ponto de equilíbrio autodissociativo da moeda, nas condições de normal funcionamento de mercado, cuja moeda está totalmente dissociada e igualmente distribuída entre a respectiva oferta e procura.

Bens económicos procura
Os bens económicos, sobre o ponto de vista das leis da oferta e da procura, dizem-se bem-procura se têm uma procura superior à respectiva procura da moeda, exactamente referente ao ponto de equilíbrio autodissociativo da moeda, nas condições de normal funcionamento de mercado, cuja moeda está totalmente dissociada e igualmente distribuída entre a respectiva oferta e procura.

Reacções oferta-procura
Considera-se que nas situações concretas da realidade de mercado há uma interacção permanente, em equilíbrio dinâmico, entre bens económicos do tipo bem-oferta e bem-procura com produção de moeda e bens-neutros considerando-se como bens-neutros todos aqueles bens, ou serviços, que já não estão em situação de mercado, ou seja, que já não estão em situação de oferta e procura pois foram consumidos ou então foram retirados do mercado por armazenamento, destruição ou qualquer outra causa.
A reacção de oferta-procura pode ser assim representada:
[BO] + [BP] PO + BB sendo PO a moeda e BB os bens que foram retirados de mercado por consumo ou qualquer outra causa.
Obviamente que se a troca fosse entre um bem e um serviço pois a reacção poderia ser assim representada:
[BO] + [SP] PO + BS considerando-se agora SP como os serviços procurados e BS como os resultantes bens-serviços económicos que foram consumidos, ou então, por qualquer motivo, retirados do mercado.

Titulação oferta-procura
Quando existe um produto ou serviço que não se sabe se está do lado da oferta ou da procura e, neste sentido, também não se conhece o valor exacto do seu título, isto é, o seu valor de mercado; pois, procede-se a uma titulação oferta-procura; assim, numa primeira fase, por cálculos matemáticos com base no valor nominal da moeda, respectivo ponto de equilíbrio dissociativo e constante de dissociação, em conjugação com mecanismos comparativos, tendo em atenção o valor de oferta, ou de procura, de outros produtos já conhecidos, pois, estabelece-se um valor teórico de mercado e, numa segunda fase, procede-se à concretização prática da titulação em interacções de mercado, entre compradores e vendedores, normalmente designadas por negociações.  

Constantes de equilíbrio
Considerando que todos os serviços e bens económicos têm sempre e inevitavelmente associada uma componente oferta e uma componente procura, em constante dissociação, pois, nas situações concretas de mercado, torna-se inevitável a existência de uma constante de dissociação oferta, para os bens-oferta e uma constante de dissociação procura para os bens-procura. Esta constante de dissociação, na posição de equilíbrio, é típica e própria de cada bem económico e, em conjunto com a constante de equilíbrio da moeda, permite a realização de cálculos relevantes para as titulações e reacções oferta-procura.
Conforme a força da oferta, ou da procura, de um produto ou serviço, assim o equilíbrio se pode encontrar deslocado no sentido da oferta ou da procura; por outro lado, há uma relação entre as constantes de oferta e de procura de tal modo que podem ser relacionadas com a constante de dissociação da moeda, exemplificando assim:
Considere-se que no mercado português o valor da constante de dissociação da moeda se encontra assim definido e determinado, Km = 10-6
Considere-se a constante de dissociação da oferta como sendo ko
Considere-se a constante de dissociação da procura como sendo Kp
Resulta que Km = Ko.Kp
Aplicando agora, às respectivas constantes de dissociação da oferta e da procura, a função logarítmica, por semelhança para o produto de dissociação da moeda com, pKm = - log (10-6) = 6 surge a seguinte fórmula:
pKm =  pKo + pKp = - log (10-6) = 6 (apenas para o mercado português e, estritamente, nas condições anteriormente definidas para o valor de km).

Reacções de neutralização oferta-procura
As titulações, assim como qualquer reacção oferta-procura, resultam do conceito mais geral de neutralização podendo ser representadas graficamente por uma típica curva sigmoide que se pode iniciar com um bem económico oferta ou, por outro lado, com um bem económico procura e que por junção sucessiva, em quantidades crescentes, do respectivo bem económico complementar, portanto oferta ou procura, iniciam por um crescimento acelerado e depois passam pelo ponto de equilíbrio entre oferta e procura para, de seguida, mudar a concavidade da curva gráfica e a respectiva aceleração do crescimento, que se torna mais brando. Esta curva gráfica sigmoide, entre titulações oferta-procura, permite visualizar imediatamente as situações de mercado em que os bens económicos viram da posição de oferta para a posição de procura.   

Síntese conclusiva
A evolução do conceito de reacção de neutralização oferta-procura em associação evolutiva com os conceitos de serviço, ou então bem-oferta e, por complementaridade, bem-procura, pode atingir uma generalização extremamente elevada e teórica que permita abordar todas as situações de mercado, concretas ou abstractas, reais ou imaginadas.   
Obviamente que, em conformidade com a padronização do mercado mundial, podem ser desenvolvidas escalas de medição do pP ou, por inerência, do pO assim como indicadores de oferta e procura, entre vários outros estudos e desenvolvimentos teóricos. Os indicadores económicos e financeiros de nível empresarial, os indicadores microeconómicos do mercado, os indicadores macroeconómicos e até da economia política mundial são melhor estudados, compreendidos, validados e cientificamente comprovados através da teoria, que já desenvolvi e publiquei sobre a designação de epidemiologia económica empresarial; por outro lado as ideias teóricas, aqui e agora expostas, referem-se a uma analogia comparativa com a química das reacções de ácido-base, de neutralização e titulações, cuja tecnologia química permite cálculos numéricos exactos e previsíveis. O desenvolvimento de uma tecnologia económica rigorosamente exacta, por comparação com a tecnologia química, permite não apenas alguma previsão sobre a eclosão das crises económicas, sempre cíclicas, mas também, sobretudo, preparar os meios da sua neutralização. Se nas reacções químicas ácido – base a água tem um papel central, pois, nas reacções económicas de oferta – procura a moeda ocupa essa centralidade fundamental. É do conhecimento geral que sem o dinheiro, sem a moeda, a economia capitalista jamais seria desenvolvida; a moeda é necessária e escassa, por conseguinte, a moeda é um bem económico e, como tal, pode ser transaccionada no mercado. Ao nível mundial, considera-se actualmente que o foreign exchange, também conhecido por forex ou, em português, mercado cambial, é o maior mercado mundial, inclusivamente superando, múltiplas vezes, outros mercados financeiros especulativos como os mercados de acções ou títulos. No âmbito das políticas cambiais, as taxas de câmbio podem ser fixadas por autoridades monetárias nacionais, podem estar indexadas a uma qualquer moeda estrangeira, mas podem também, finalmente, estar apenas sujeitas às leis da oferta e da procura de moeda com uma flutuação flexível ou livre. É no mercado mundial da moeda, que a teoria das reacções de neutralização económica empresarial, agora, aqui exposta, melhor exprime o seu valor e utilidade; no entanto, a sua aplicabilidade expande-se, por semelhança analógica com as respectivas reacções químicas, para todas as áreas da teoria e do saber económico.
Doutor Patrício Leite, 20 de Janeiro de 2019

Guerra do Capital

A evolução gregária da humanidade proporcionou, em certa ocasião da história do pensamento económico, algum desenvolvimento sobre a teoria do valor; foi assim com vários pensadores, como Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx que encaravam o trabalho humano como determinante do valor económico de uma mercadoria; vivia-se numa época de escassez, era a economia da escassez; acreditava-se então que a oferta determinava a procura. John Stuart Mill propôs, divulgou e defendeu, ideias filosóficas de utilitarismo; em termos económicos, a doutrina do utilitarismo evoluiu para o designado valor utilidade, desenvolvido pela escola marginalista, segundo a qual a utilidade dos bens económicos está na sua capacidade de satisfazer necessidades. A procura dos bens económicos está relacionada com a sua utilidade, com a sua capacidade de satisfazer necessidades; a oferta está, segundo a escola marginalista, dependente da procura; assim, no âmbito das leis da oferta e da procura, a escola marginalista considera que a elasticidade da procura, isto é, a variação da procura de um bem em face da variação do respectivo preço está relacionada com o valor utilidade desse bem e, conforme varia a utilidade marginal assim varia a variação da procura, ou seja, assim varia a elasticidade da procura, por conseguinte, em termos de análise matemática, a elasticidade da procura surgiria como a primeira derivada á lei da procura e a utilidade marginal surgiria como a segunda derivada.
A escola marginalista do pensamento económico ao colocar o referencial absoluto e determinante de toda a actividade económica, de toda a economia, na lei da procura; ou seja, no valor utilidade e nas respectivas necessidades humanas, pois, direcciona-se para a pessoa humana, para o consumo do consumidor; por contraposição, as ideias de pensadores clássicos, como Adam Smith e David Ricardo, estavam mais vocacionadas para a escassez, para a produção, para as empresas produtoras e, por conseguinte, para a lei da oferta como determinante de toda a actividade económica, como determinante de toda a economia. A estrutura do pensamento marginalista, tradicionalmente aplicada ao valor da utilidade marginal, também pode ser totalmente decalcada e, por analogia simétrica comparativa, absolutamente transposta, com igual eficácia, para o valor da escassez marginal.
Numa economia do bem-estar, numa economia da abundância, numa economia com excesso de produção e de stocks em armazenamento, pois, impera a lei da procura e o estado, quando interveniente nessa economia, deve estimular o consumo; foi com estas ideias que culminou toda a teoria marginalista, na pessoa de John Mainard Keynes e sua macroeconomia, em íntima relação com a economia política. O pensamento marginalista assente na necessidade, e na procura, ainda impera em certos economistas, normalmente conotados com políticas mais socialistas; por contraposição o pensamento clássico de Adam Smith, assente na escassez, e na oferta, ainda impera em economistas, normalmente conotados com políticas que favorecem o patronato e as empresas. É muito importante salientar que qualquer bem económico, por definição, sempre escasso e necessário, tem indissociavelmente o dualismo das duas componentes, por conseguinte, a produção e o consumo, a oferta e a procura. Nas situações de crise com estagnação, recessão e regressão da actividade económica, a intervenção do estado, quando necessária, deve estar isenta de quaisquer ideologias; a adopção de uma política intervencionista do estado deve sempre considerar se a crise ocorre do lado da oferta com excesso de produção estimulando a procura ou, por outro lado, com excesso de escassez estimulando a oferta; o estado e os estadistas, no exercício responsável da acção política devem-se libertar das ideologias para concretizar as políticas económicas mais adequadas à situação concreta: seja do lado da oferta, seja do lado da procura; o motor da economia é sempre dualista, está simultaneamente na escassez e na necessidade.
No âmbito da geoeconomia, tem-se verificado que nas grandes zonas ou regiões económicas mundiais, consideradas economicamente mais pujantes e desenvolvidas, como na américa do norte, sobretudo os EUA, mas também em vários países da comunidade europeia; a balança comercial tem sido sucessivamente deficitária, com as importações a exceder as exportações; algumas destas economias conseguem equilibrar a balança de pagamentos com malabarismos nas balanças de capitais e financeiras, transacções correntes, assim como ajustes nas taxas de câmbio entre tantas outras manipulações financeiras, de natureza meramente especulativa porém, a economia real, a economia fundamental, centraliza-se na produção, distribuição e consumo de bens e serviços, não no sector financeiro; qualquer economia com uma balança comercial cronicamente deficitária, é uma economia doente que, a longo prazo, acabará por desaparecer ou ser tomada e dominada pelo exterior. Qualquer estado intervencionista que promova o crescimento económico pelo lado da procura, ou seja, estimulando o consumo, numa economia com défice crónico na produção de bens e serviços e, por conseguinte, na balança comercial, está a promover a perda da própria soberania nacional; numa economia com défice da balança comercial deve ser estimulada e promovia a produção e não o consumo, deve ser estimulada e promovida a oferta e não a procura; por outro lado, quando há excesso de stocks em armazém pois então sim, deve ser estimulada a procura e o consumo.
Em qualquer economia de mercado, o aumento do número de consumidores reflecte-se directamente no aumento da procura e do consumo, assim, economias comercialmente deficitárias, como os EUA e vários países europeus, deveriam restringir os fluxos migratórios diminuindo a entrada de consumidores estrangeiros; se a balança comercial é deficitária, pois, deveriam também ser colocadas barreiras alfandegárias com taxas e impostos aduaneiros de modo a restringir as importações, aumentando a produção com as respectivas exportações e consumo interno; as políticas monetárias devem ser cuidadosamente ajustadas favorecendo o acesso ao crédito apenas para a actividade produtiva, inibindo o consumismo desenfreado; estas e outras políticas proteccionistas têm, ultimamente, estado a ser implementadas pelos EUA, deveriam também ser seguidas pela Europa porém, na comunidade europeia, há países cuja produção excedentária pretendem exportar, por isso, desenvolvem para os restantes países da Europa, ideologias de crescimento económico com estímulo ao consumo externo excessivo e respectiva dependência política, entregando os países deficitários, do sul da Europa, aos mercados asiáticos, mais especificamente à China, a mero troco do escoamento de algum do seu superávite produtivo. Este tipo de união europeia não é igualitariamente justa para todos os países membros, deve pois, ser modificada.
No âmbito da geopolítica geoestratégica tem-se verificado que enquanto as economias ocidentais desenvolvidas estão sucessivamente a diminuir as suas despesas militares, pois, as economias asiáticas em ascensão, como a China e a Índia, estão paulatinamente a aumentar as respectivas despesas com armamento militar; assim, no planeamento estratégico mundial a ascensão asiática, em geral, e a China, em particular, primeiro conquista o mercado para depois conquistar o poder do mundo. Esta, é a guerra capital; esta, é a capital da guerra.
Doutor Patrício Leite, 10 de Janeiro de 2019

Investigação epidemiológica económica empresarial

Introdução
Introdução sobre o protocolo
Justificação do estudo
Objectivos
Objectivos gerais
Objectivos específicos
Hipóteses de estudo
Caracterização do estudo
Configuração do estudo
Aleatorização
Ocultação
Controlo
População do estudo
Universo populacional
Dimensões da população
Critérios de selecção
Critérios de inclusão
Critérios de exclusão
Amostra e dimensão da amostra
Amostragem
Unidade de observação e estudo
Definição
Variáveis
Definição conceptual
Definição operacional
Variáveis dependentes
Variáveis independentes
Classificação
Escalas de medida
Variáveis gerais
Variáveis específicas
Conselho de ética
Estudo piloto
Desvios ao protocolo
Redesenho do estudo
Informação ao conselho de ética
Monitorização do estudo
Esquemas de intervenção
Métodos de avaliação
Período de recrutamento
Informação básica aos intervenientes
Consentimento informado
Inscrição dos intervenientes
Monitorização dos esquemas de intervenção
Progresso, avaliação e seguimento dos intervenientes
Controlo de perdas
Colheita dos dados
Métodos
Técnicas
Instrumentos
Recursos humanos e técnicos
Controlo de execução
Perdas
Registo de dados
Fichas
Matrizes
Recursos
Controlo da qualidade
Tratamento dos dados
Tratamento
Testes estatísticos
Estratégia de análise
Divulgação dos resultados
Tipo e local
Cronograma
Previsão orçamental
Recursos
Referências bibliográficas
Anexos
Submissão ao comité de ética
Formulário do consentimento informado
Instrumentos de avaliação
Instrumentos de registo dos dados 
Síntese conclusiva

Introdução
A epidemiologia, enquanto ciência que realiza estudos, pesquisa e desenvolve conhecimentos acerca das pessoas, acerca da população, tem tido a sua máxima aplicabilidade na medicina, mais especificamente em saúde pública. A analogia comparativa entre fenómenos de carácter económico-social e fenómenos próprios da saúde pública, permite transpor os conhecimentos e metodologias epidemiológicas da área da saúde para a área da economia; nesta última, parece que a maior utilidade da epidemiologia se relaciona com a criação e desenvolvimento de indicadores económicos e empresariais assim como a validação científica de indicadores já existentes; também os testes de avaliação de situações económicas e sociais vividas no presente e os testes de rastreio de situações económicas futuras, como as crises com recessões e depressões económicas, são abrangidos pela metodologia epidemiológica. No domínio da matemática estatística probabilística com aplicação à econometria, a ferramenta básica e fundamental tem sido a regressão linear, no entanto, convém sempre lembrar que a linearização produtora de uma recta exclui imediatamente a linha curva e, em economia, há imensas curvas, ou fenómenos cíclicos, como é o caso dos ciclos económicos que alternam entre recessão e crescimento económico. Per se a aplicação da epidemiologia, à economia, não apresenta grande viabilidade na concretização de modelos econométricos porém, quando integrada com outras áreas cientificas, em conjunto com a matemática, pode assim contribuir para o desenvolvimento de uma teoria económica capaz de promover uma modelagem econométrica previsional, rigorosa e certeira. Enquanto ciência, a epidemiologia tem as suas especificidades adaptativas na aplicação do método científico; os protocolos de investigação científica, em epidemiologia, são muito semelhantes, tanto na área da saúde pública como nas áreas económicas e empresariais. Aqui, partindo de uma ideia simples e momentânea, isto é, um simples exemplo de esboço conceptual em economia, tenta-se explicar, resumidamente, o funcionamento de um protocolo de investigação epidemiológica com aplicação à economia.

Introdução sobre o protocolo
Apesar da constância e rigidez impostas pela metodologia de investigação científica em geral, e epidemiológica em particular; o facto é que desenvolver um protocolo de estudo consome tempo e atenção mental; neste ensaio, pretende-se apenas esboçar e explicar, com toda a simplicidade e falta de rigor científico, permitida, a matéria relacionada com o modo como se faz um minúsculo resumo protocolar em termos de uma investigação epidemiológica sobre eventuais factores de risco e respectivos indicadores económicos, implicados na depressão económica assim, serão, não apenas esclarecidos e interpretados factos e potenciais ocorrências relacionadas com a epidemiologia mas também, outras matérias e outras informações; serão também saltadas etapas próprias de uma investigação rigorosa ou, por vezes, trocada a ordem dos acontecimentos, tudo acompanhado de explicações em prol da clareza e facilidade de exposição das ideias e da matéria.  

Justificação do estudo
A globalização da economia com abertura dos mercados concorrenciais tem facilitado o comércio mundial e as trocas comerciais entre continentes e blocos económicos, mas também, entre países soberanos. Se no domínio económico, há empresas gigantes, internacionalmente implantadas, cujos orçamentos anuais, superam frequentemente o de países e regiões autónomas, o facto é que, a arena política internacional, ainda é dominada pela instituição de estados-nação com relevo significativo nas políticas macroeconómicas.
Reconhece-se que variáveis como a inflação, ou o desemprego, são muito importantes para o estudo, compreensão e actuação numa economia nacional, ou regional, como um todo; porém, é o produto interno bruto (PIB) que mais determina as medidas de actuação; de facto, em países com economia de mercado, liberal e aberta, o PIB é tão importante que estes se tornam dependentes, escravos, da sua evolução.
O produto interno bruto (PIB) tem monitorização praticamente contínua, frequentemente com emissão de relatórios trimestrais, fortemente baseados em estimativas; ou anuais, cuja consolidação das contas próprias da contabilidade nacional lhes conferem maior rigor e exactidão numérica. A análise quantitativa do PIB permite, aos dirigentes, tomar medidas de actuação concreta mas, também, investigação científica epidemiológica económica e empresarial sobre as suas implicações e determinações causais. Considerar que uma diminuição do PIB, em dois trimestres sucessivos, constitui uma recessão da actividade económica; considerar que uma queda do PIB superior a 10% ou prolongada por mais de dois anos, constitui uma depressão económica; são dados quantitativos do diagnóstico, capazes de permitir investigar, pelo método epidemiológico, as várias relações causais e determinantes.
O cálculo matemático do PIB, com base na contabilidade nacional anual deve ter resultados sempre iguais, no entanto, pode ser efectuado através de três modos, ou perspectivas, diferentes: pela óptica da procura ou da despesa; pela óptica da oferta ou da produção; pela óptica do rendimento.
Na óptica da procura, ou despesa, o cálculo matemático do produto interno bruto (PIB) obedece á seguinte fórmula:
P I B = C + G + I + X – M, sendo:
C = despesa das famílias em bens de consumo privado
G = despesa do estado em bens de consumo público
I = despesa das empresas em bens de investimento
X = bens que foram produzidos para exportação
M = despesa em bens que foram importados
Habitualmente, nesta fórmula, costumam-se subdividir os seguintes parâmetros:
Procura Interna = C + G + I
Procura externa (líquida) = X – M
Numa economia liberal de mercado, aberta e competitiva, é importante estabelecer relações científicas, de causa-a-efeito, entre a procura externa e a procura interna como determinantes do PIB; de facto, a variação cíclica do PIB é responsável pelos períodos de contracção e recessão da actividade económica mas também de expansão e crescimento económico. Conseguir em termos do rigor científico, saber se existe alguma relação entre a elasticidade das variações da procura interna e externa agregadas, e o modo como estas se relacionam, torna-se possível pelo uso de estudos de coorte mas, também, por outro lado, casos-controlos; de facto, os registos efectuados pelos vários organismos nacionais, como os institutos de estatística ou os bancos centrais, entre outros, conjugados com os dados das agências internacionais, facilita a execução de investigações epidemiológicas do tipo casos-controlos, no entanto, para uma compreensão mais profunda e generalizada dos mecanismos económicos, com a finalidade de desenvolver uma nova teoria ou modelo econométrico previsional, são mais importantes, variáveis como a oferta e a procura agregadas em relação com a produção e o consumo agregados; na realidade, os registos rigorosos e quantitativos, de variáveis como a oferta e procura agregadas assim como da produção e consumo agregados permitem a realização de estudos de coorte mas, mais fácil e económico, de casos-controlos no âmbito de investigações científicas capazes de estabelecer relações de causa-a-efeito pelos métodos da epidemiologia económica empresarial.   

Objectivos
Objectivos gerais
São objectivos gerais a avaliação das interacções, entre as variáveis oferta e procura agregadas com a produção e consumo agregados, no sentido de pesquisar e estabelecer as respectivas relações de causa-a-efeito.   
           
Objectivos específicos
1 - Determinar quantitativamente, através de rácios, razões ou quocientes, as interacções entre quatro variáveis quantitativas: oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado; no sentido de estabelecer e desenvolver indicadores económicos e empresariais capazes de fornecer informações sobre a situação evolutiva de uma dada economia de mercado e respectivas empresas.
2 – Relacionar as variáveis e indicadores económicos deste estudo com o PIB e sua evolução previsional.
  
Hipóteses de estudo
 - Para o primeiro objectivo específico.
Hipótese nula = H0 = Não existem interacções entre as variáveis oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado pelo que não é possível a sua determinação quantitativa nem o desenvolvimento de indicadores económicos e empresariais.
Hipótese alternativa = H1 = As interacções quantitativas entre a oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado existem e permitem determinar e desenvolver os respectivos indicadores económicos e empresariais.
 - Para o segundo objectivo específico.
Hipótese nula = H0 = Não é possível relacionar os indicadores e suas variáveis: oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado com o PIB.
Hipótese alternativa = H1 = A relação entre o PIB e as variáveis, oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado pode ser efectuada e quantitativamente determinada a respectiva evolução previsional.

Caracterização do estudo
Configuração do estudo
Trata-se de um estudo longitudinal que pode ser prospectivo ou retrospectivo, por conseguinte, tipo coorte ou caso-controlo.

Aleatorização
Pode ser realizada aleatorização simples ou sistematizada ou, por outro lado, sem aleatorização e com amostra de conveniência e nesta última situação não se verifica a ocultação dos dados nem o respectivo controlo da ocultação entre investigadores e colaboradores.

População do estudo
Universo populacional
O universo populacional é constituído pela vertente interna e externa de cada um dos países do mundo em relação com a economia mundial.
  
Dimensões da população
As dimensões da população tanto podem envolver apenas um só país como um grupo de países de uma região económica ou geográfica, como até, todos os países do mundo; os estudos de casos-controlos com consulta aos registos fidedignos dos dados permitem abranger facilmente, sem grandes custos monetários, todos os países do mundo com dados credíveis e publicados oficialmente na internet.

Critérios de selecção
Critérios de inclusão
Constituem critérios de inclusão a existência de uma economia de mercado livre e concorrencial em países, mas também, em regiões geográficas ou meramente económicas onde seja possível estabelecer fronteiras, ou barreiras, comerciais capazes de definir um mercado interno e um mercado externo. Para os estudos longitudinais do tipo casos–controlos, o registo de dados com fidedignidade e confiança validada também constituem critérios de inclusão.

Critérios de exclusão
São critérios de exclusão os países, ou regiões económicas, onde se verifica a existência de uma economia meramente de sobrevivência, uma economia de planificação centralizada, ou então, uma economia dominada por monopólios ou oligopólios, ou monopsónios e oligopsónios, ou seja, que não dependa das leis da oferta e da procura. Também constituem critérios de exclusão a ausência de registos de dados económicos ou registos deturpados e sem qualquer validez de fidedignidade.

Amostra e dimensão da amostra
As amostras em estudo tanto podem ser constituídas por subconjuntos da população como envolver a própria população total; no caso de a amostra coincidir com a população total, pois, não se justificam os testes de inferência estatística e o estudo torna-se descritivo, ainda que possa ser longitudinal, ou seja, com acompanhamento ao longo do tempo.

Amostragem
A amostragem pode ser por conveniência ou por aleatorização simples, ou então, sistemática; no caso de a amostra coincidir com a população em estudo, pois, nesta situação, trata-se de uma amostra de conveniência.
  
Unidade de observação e estudo
Definição
A unidade de observação do estudo é a economia de um país, ou região económica, na sua totalidade.

Variáveis
Definição conceptual
A definição conceptual das variáveis, oferta agregada, procura agregada, produção agregada e consumo agregado, consta dos manuais e tratados das ciências económicas e empresariais em geral, pelo que aqui não se vai efectuar.

Definição operacional
A operacionalização e quantificação métrica das variáveis; tanto das variáveis dependentes como das variáveis independentes, pode ser realizada através do uso de uma, qualquer, unidade monetária considerada porém, em substituição da quantificação monetária pode ser estabelecida uma unidade comparativa qualquer, desde que esta obedeça a um padrão mensurável e invariavelmente fidedigno.

Classificação
As variáveis podem ser classificadas de acordo com a sua maior tendência a quantificar a economia interna ou a economia externa; podem também ser classificadas de acordo com o seu contributo para o estabelecimento dos indicadores económicos ou empresariais assim como da respectiva actividade económica e do seu desenvolvimento.

Escalas de medida
As escalas de medida, em cada variável, dependem da unidade considerada para padrão de medição no âmbito da definição operacional utilizada no presente estudo.

Variáveis gerais
As variáveis gerais são muitas e diversificadas, habitualmente relacionadas com a história económica, social e demográfica do país, ou região, em estudo; assim, constituem variáveis gerais, aspectos como a densidade populacional, população activa, taxas de mortalidade infantil e de longevidade, movimentos migratórios, mas também, o histórico da produtividade e do PIB, do PIB per capita, etc.

Variáveis específicas
As variáveis específicas são constituídas pelas variáveis dependentes e independentes deste estudo mas também por outras que possam ser consideradas pertinentes no âmbito da adequação do estudo à realidade de cada caso em concreto.

Conselho de ética
Um estudo observacional, sem carácter interventivo, onde não existe confidencialidade dos dados nem compromissos de qualquer natureza entre os investigadores e entidades terceiras, pois, pode não ter necessidade de submissão a um concelho de ética.

Estudo piloto
Um estudo piloto tem como finalidades as verificações sobre a operacionalidade do protocolo assim como do trabalho de campo conducente à elaboração da tese ou relatório final.

Desvios ao protocolo
Na sequência do estudo piloto pode ser necessário efectuar desvios ao protocolo inicial com redesenho do estudo; nas situações em que esse desvio se mostre necessário e em face de tal ocorrência, poderá, nos devidos casos identificados, ser prestada informação ao conselho de ética, caso este exista, a fim de obter a sua aprovação.

Monitorização do estudo
Qualquer protocolo de investigação deve explicar o modo como o estudo e o trabalho de campo vão decorrer, assim, torna-se necessária uma explicação plena sobre os esquemas de intervenção mas também os métodos de avaliação dos intervenientes e do decurso do trabalho de campo; na calendarização especifica-se o período de recrutamento e a informação básica aos intervenientes aos quais, se for o caso, também se pede o respectivo consentimento informado, após o que se procede à inscrição dos intervenientes; com o inicio dos trabalhos, e a sua continuação, segue-se a monitorização dos esquemas de intervenção segundo a qual se tenta controlar o progresso, avaliação e seguimento dos intervenientes; nos estudos de tipo casos-controlos, cujas variáveis económicas, centradas em registos fidedignos de dados, permitem a simples consulta, pois, a monitorização do estudo torna-se facilitada e praticamente não se verifica necessidade do controlo de perdas; por outro lado, quando a intervenção humana é mais intensa, também a monitorização será mais rigorosa.

Colheita dos dados
Os métodos da colheita de dados recorrem às técnicas provenientes da crescente disponibilização pela via da internet assim como de bases de dados informatizadas. Como os instrumentos utilizados são, quase sempre, computadores, pois, a necessidade de recursos humanos e técnicos, tem de ser devidamente adequada, no entanto, o controlo de execução deve ser permanente a fim de evitar as perdas de informação. Tanto para estudos de investigação epidemiológica económica empresarial com tipologia de coorte como casos-controlos, pois, o recurso às tecnologias de informação é sempre fundamental; de facto, ao nível dos países desenvolvidos, com economias de mercado instaladas, os institutos de estatísticas económicas e sociais e as múltiplas agências e instituições governamentais disponibilizam e permitem a consulta on-line dos dados tanto em tempo real, permitindo os estudos de coorte como com dados históricos, permitindo os estudos de casos-controlos. 
Registo de dados
Os dados serão registados informaticamente em fichas e matrizes, tipo folhas de cálculo, criadas para o efeito e cujo formato permita a exportação facilitada para vários programas de bases de dados e software capazes de efectuar o seu armazenamento e consulta sem recursos adicionais; o controlo da qualidade permite que estes dados não sejam alterados tanto no decurso da sua colheita como da sua utilização ao longo de todo o estudo. 

Tratamento dos dados
O tratamento obedece a uma estratégia de análise que pode envolver múltiplos testes estatísticos; normalmente nos estudos tipo coorte realiza-se, frequentemente, o teste de McNemar e nos estudos de caso-controlo faz-se a regressão logística cuja variável resposta, por ser categórica, a torna numa particularidade da regressão linear. Os estudos epidemiológicos económicos e empresariais têm a sua máxima utilidade no estabelecimento de indicadores económicos e financeiros, tanto ao nível da macro e microeconomias como, até, ao nível empresarial; os testes de rastreio, tanto de uma situação presente como do dinamismo e evolução da economia global, como um todo, ao nível interno e externo, também são utilmente aplicados pela metodologia epidemiológica.

Divulgação dos resultados
Os resultados serão divulgados pelos vários tipos e locais de divulgação; tanto através da internet em geral como de revistas científicas generalistas, ou especializadas; os locais compreendem os organismos estatais, as universidades e outras instituições, com e sem fins lucrativos, dedicadas ao estudo e divulgação da economia.

Cronograma
Qualquer protocolo de estudo e investigação deve ter o desenrolar das suas actividades e tarefas devidamente estabelecidas num cronograma adequado.

Previsão orçamental
A previsão orçamental rigorosa, com o estabelecimento detalhado dos recursos a utilizar transformaria o protocolo de investigação num projecto de investimento em ciência, não é o que se pretende, no entanto, será sempre necessário um ligeiro esboço previsional.

Referências bibliográficas
As referências bibliográficas surgem, entre outros motivos, para respeitar os direitos de autor e também a credibilidade das fontes de informação.

Anexos
Como anexos costumam-se colocar cópias dos documentos de submissão ao comité de ética quando tal se verifica, também é habitual, entre todos os outros documentos, a divulgação dos formulários do consentimento informado, dos instrumentos de avaliação e dos instrumentos de registo dos dados.

Síntese conclusiva
Os estudos epidemiológicos económicos empresariais têm a sua maior utilidade na identificação de factores de risco capazes de desencadear crises económicas com períodos de recessão e depressão económica mas também no desenvolvimento e estabelecimento de indicadores e respectiva monitorização, através dos testes que rastreiam a evolução desses indicadores económicos. Apesar da possibilidade de aplicação dos conhecimentos epidemiológicos tanto ao nível macro como microeconómico e, até, empresarial, com indiscutível ganho e proveito, este método de investigação, só por si, portanto isoladamente, torna difícil o desenvolvimento de modelos econométricos previsionais; no entanto, se conjugado com outros métodos de pensamento económico, estatístico, matemático e de outras ciências, naturais e humanas, pois, o rigor de uma econometria preventiva eclode com força e pujança capaz de fundamentar a segurança decisional numa melhoria constante e permanente das condições de vida para a totalidade da população humana.
Doutor Patrício Leite, 24 de Dezembro de 2018