Estratégia empresarial em política eleitoral

A análise económica e social, em mercados livres e concorrenciais, tem os fundamentos da sua teoria nas leis da oferta e da procura. A sobrevivência empresarial, assim como o seu crescimento expansionista, dependem da tenacidade competitiva mas também do conhecimento dos mercados e respectivo planeamento estratégico. Em democracias partidárias representativas, os partidos, como empresas políticas, que são, têm a sua essência, o seu core business, no mercado eleitoral com a venda de promessas de decisões políticas futuras, por parte das organizações partidárias que, em troca, pretendem a confiança e respectivo voto por parte dos cidadãos eleitores.
A natureza empresarial e concorrencial dos partidos políticos leva-os a, tentativamente, definir estratégias de mercado e marketing, em tudo, iguais às das outras empresas; de facto, os votos são escassos e não chegam para todos, só alguns serão ganhadores. Em conformidade com as outras empresas, que também criam e manifestam muitas e variadas barreiras à entrada de novos concorrentes, assim, no mercado eleitoral há sempre partidos a entrar e a sair; as semelhanças de mercado conduzem a uma análise e planeamento estratégico semelhante. A teoria do ciclo de vida mostra que o mercado eleitoral português, desde há vários anos, está em contracção; há uma recessão política, uma crise de confiança, um défice de confiança nos políticos e partidos; os eleitores, cultos e instruídos, reconhecendo o elevado valor do seu voto, preferem não o trocar por promessas falsas, não querem “comprar gato por lebre”, não votam. A concorrência pelo voto é muito intensa, a oferta das promessas de decisões políticas futuras é muito diversificada. As estratégias de ataque e conquista do mercado eleitoral são afectadas por muitas variáveis; há as ganhadoras e as perdedoras.
No ciclo de vida do mercado eleitoral, actualmente em contracção e declínio, os pequenos e os novos partidos que conseguem penetrar as barreiras de entrada à concorrência terão, para sobreviver, que adoptar a concentração como estratégia de produto. Efectivamente, os grandes partidos, por semelhança com as grandes empresas, diversificam acentuadamente o seu mix de marketing aumentando assim as barreiras à concorrência; por vezes usam até a mera diversificação de marcas, ou seja, as mesmas promessas de decisão política futura, mas revestidas com um fraseado diferente, para dificultar o crescimento dos pequenos e a entrada de novos; por conseguinte, aos pequenos partidos restam as franjas, ou nichos específicos de mercado que, sendo pouco rentáveis, não cativam o desejo dos grandes. Num mercado em crescimento, em expansão, a cópia como táctica de entrada, a estratégia “me too”, é barata e capaz de cativar eleitorado; em mercados expansionistas o crescimento pela diversificação torna-se a maior necessidade para a expansão empresarial e partidária; num mercado em declínio, em contracção, como ocorre actualmente, a criatividade e imaginação criativa terão de ser maiores, a concorrência é feroz e a entrada terá de procurar nichos de mercado pouco explorados, atacando esses mercados eleitorais com estratégias de concentração, a concentração no core business torna-se fundamental à sobrevivência em mercados recessivos. As matrizes BCG e GE são ferramentas muito úteis para, tendo em atenção as fases do ciclo de vida e respectivo crédito atribuído pelo eleitorado às promessas políticas, gerir as promessas oferecidas assim como a relação com os segmentos de mercado cuja alocação de recursos deve prevalecer. Num posicionamento contingêncial face à mutabilidade do mercado eleitoral ambiental, as organizações políticas têm de considerar a matriz de Ansoff que relaciona as promessas políticas novas e antigas com o desenvolvimento novo e continuado desse mercado eleitoral. Obviamente o planeamento estratégico, qualquer que seja, terá sempre de considerar todas as forças e fraquezas, oportunidades e ameaças na relação entre o ambiente interno e externo do partido político; só assim será possível conceber um projecto e implementar um plano de marketing vencedor. A alocação e utilização eficiente dos recursos, conjugada com a colocação e consecução de objectivos eficazes, são fundamentais para conseguir resultados ganhadores. Na realidade política portuguesa, com um mercado eleitoral em declínio, em decrescimento lento, em contracção lenta mas permanente tem, paradoxalmente, entrado um número aumentado de novos e pequenos partidos; a competitividade concorrencial, a luta, o combate político pela “caça” ao voto, tornam-se ferozes; os grandes partidos, com as clássicas estratégias de diversificação, elaboram campanhas de marketing onde tudo prometem e nada cumprem, perdem eleitorado, perdem quota de mercado, o mercado eleitoral global contrai-se, declina e decresce; os pequenos partidos também são falsos, também prometem e não cumprem, porém, entre os pequenos partidos alguns, imitando os grandes, definem estratégias de diversificação que os tornam imediatamente perdedores; outros, fazem planeamento estratégico com base na concentração e, com isso, ganham quota de mercado. Num mercado em contracção e declínio permanente, qualquer planeamento estratégico com base na diversificação é inadequado e imediatamente perdedor, agora imagine-se, um pequeno partido a esbanjar os seus escassos recursos em planos abrangentes e diversificados de marketing, … só pode fracassar!
O bloco de esquerda era um pobre e miserável minúsculo partido, pequeníssimo; até que optando por estratégias de concentração, começou em primeiro lugar por se concentrar no mercado dos homossexuais, estes lutando pelo orgulho da sua fixação sexual anómala, deram-lhe o voto, conseguiu ganhar esse mercado eleitoral; de seguida, avançou para o sector do mercado eleitoral dos tóxico-dependentes; obviamente que o desespero destes, e seus familiares, pelo consumo desenfreado e legalizado da droga, deram-lhes o voto; tendo crescido e conseguido influência política na assembleia da república, avançou para um novo nicho de mercado eleitoral, o mercado do aborto; naturalmente, o remorso, a culpa e o medo, das mulheres que abortaram, assim como das respectivas famílias, tendo estado envolvidas nesses abortos, pretendiam abandonar o remorso, a culpa e o medo da lei, assim, legalizaram o aborto e deram o voto eleitoral ao bloco de esquerda; este partido cresceu à custa de um eleitorado sentimentalmente transgressor da lei e dos bons costumes, mas que pretendia ver a sua actividade transgressora, legalizada e aceite pela sociedade; finalmente, seguindo o seu planeamento estratégico, continuando a lutar contra a vida, pretendendo erradicar a vida humana, pretendendo que morram o máximo número de pessoas; o bloco de esquerda promete, agora, legalizar a eutanásia. A homossexualidade, a tóxico-dependência, o aborto e a eutanásia, constituem modos de erradicar a vida humana; por conseguinte, numa sociedade deprimida, com tendências suicidas e homicidas, o nicho de mercado eleitoral do bloco de esquerda é o mercado da morte, é o mercado dos eleitores que estão dispostos a dar o seu voto ao partido que legalize a erradicação da vida humana, própria e alheia. Outra situação de concentração estratégica num nicho de mercado eleitoral, revela-se no partido dos animais; efectivamente, este pequeno partido, que ainda há poucos anos nem sequer existia, concentra o seu planeamento estratégico de política eleitoral, num nicho de mercado constituído pelos seres humanos que, sofrendo ou tendo sofrido, por causa de outras pessoas, ou tendo simplesmente sido abandonadas; decidiram revoltadamente refugiar-se no conforto e companhia dos animais. O nicho do mercado eleitoral dos animais, é constituído por pessoas que optaram por dar o seu voto ao partido que prometesse, por exemplo, proteger e alimentar os animais nos canis municipais contra a morte assistida pelos veterinários, nem que para isso fosse preciso legalizar a eutanásia de seres humanos ou deixar crianças morrer à fome. Conforme se comprova por estes dois exemplos, as estratégias de concentração política eleitoral em nichos de mercado sentimental, específico e pouco explorado pelos grandes partidos, conduzem à sobrevivência e crescimento dos pequenos; porém, não é apenas suficiente o planeamento estratégico; para os pequenos partidos, são necessárias tácticas e operações de marketing com base na gestão de relações personalizadas com o cliente, mas também tácticas publicitárias compatíveis; a clássica fórmula publicitária AIDA: Atenção, Interesse, Desejo, Acção; manifesta aqui toda a sua utilidade. Por exemplo, aspectos como o combate à corrupção política, ao “compadrio” e tráfico de influências, à difusão de favores e lugares no governo a familiares e amigos, chamam a atenção e despertam o interesse, também o desejo de mudança, mas não conduzem à acção de votar nos partidos que propõem esse combate fundamental; as pessoas que votam sabem que estão a votar em falsos e corruptos, mas continuam a votar; as pessoas que se abstêm, não confiam em políticos e continuarão numa abstenção, sábia e consciente.
Doutor Patrício Leite, 27 de Julho de 2019

Arte cognitia probabilística

INTRODUÇÃO
Arte cognitia
Introdução filosófica
ALEATORIZAÇÃO PROBABILÍSTICA
Aleatorização
Função ou procedimento aleatório
Paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite
Paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite
Física determinista
Distribuição aleatória amostral tipo curva normal
INTRODUÇÃO
Arte cognitia
A arte surge, para o ser humano, como uma oposição, por excelência, da técnica. A arte depende intensamente da cultura e estado de desenvolvimento de uma sociedade, no entanto, factores como o belo, a harmonia ou a estética da criação criativa, mantêm a sua vitalidade ao longo do tempo. No decurso da actividade criativa, artística; o êxtase da “inspiração” transcendental, toma conta da vontade, toma conta da actividade; como que num fluir absoluto que coloca em contacto o artista, um simples ser humano mortal, com a transcendência divinal; o artista desconhece o fim da sua obra de arte, da sua criatividade, da sua imaginação criativa e criadora; parece que a vontade e a actividade criadora, do artista, lhe é ditada e determinada por alguma entidade sobrenatural e omnipotente, desconhece como e porquê, lhe flui uma actividade que o conduz a um resultado final, para si, totalmente imprevisível; contempla miraculosamente o belo; o artista, cria miraculosamente o belo, mas não sabe como, nem porquê; sabe, apenas, que cria e exprime um milagre da harmonia divinal que se lhe impõe.
O admirador da obra de arte, contempla miraculosamente a maravilha que lhe aparece; desconhece a metodologia “inspiradora” da sua criação, desconhece a sua motivação transcendental mas, simplesmente, admira; mira, mira miraculosamente, contempla o belo, contempla a beleza de um êxtase estético infinito.
A arte, enquanto linguagem das emoções, dos afectos e sentimentos, distribui-se por várias áreas da actividade humana: a harmonia musical, impressionando o sentido da audição, e a percepção das tonalidades sonoras é, por excelência, uma proto-comunicação sentimental, afectiva, na guerra e na paz, na exaltação do amor, na serenidade contemplativa do universo; a pintura e a escultura, impressionando os sentidos da visão e do tacto, revelam a percepção contemplativa das proporções emocionais na criação universal.
O chamamento artístico, tanto para o “produtor” como para o “consumidor” da obra de arte, pode brotar, predominantemente, de um aspecto orgânico, prático e sensacionalista, que impressiona os órgãos dos sentidos e as percepções ou, pelo contrário, de um aspecto mental, racional cognitivo, que maravilha o entendimento humano. Frequentemente, apesar das divergências proporcionais, estes dois aspectos caminham juntos, nas miraculosas maravilhas das obras de arte.
A arte cognitia é, na sua essência, a arte que maravilha o entendimento humano; a criação de conhecimento e sabedoria criativa, divinal, emocional e sentimental; entendimento esse, capaz de colocar em êxtase supremo, aquele que o contempla. A arte cognitia traduz-se, na prática quotidiana empírica por um pensamento criativo, pela emergência de uma reflexão criativa profunda. Artes como a literatura, já revelam alguma racionalidade criativa, porém superficial; a filosofia revela reflexão profunda porém o seu método de reflexão generalizante e global coarcta-lhe, limita-lhe, a criatividade suprema; a arte cognitia é, por conseguinte, a arte do pensamento sem limites, é a arte da racionalidade cognitiva, cujo miraculoso milagre maravilha o ser humano.
Para o ser humano médio normal, tocar duas dezenas, ou mais, de diferentes instrumentos musicais, torna-se numa tarefa fácil de desenvolver e conseguir; realizar poemas e poesias, narrativas, peças de teatro, pinturas, etc., são actividades banais; as multidões, as massas de agregados humanos atribuem destaque e esses artistas vulgares, porém, reconhecidamente, todo e qualquer ser humano é artista na sua arte e admira os seus congéneres; a inigualabilidade da arte cognitia torna-a numa singularidade suprema e irrepetível; difícil, sem dúvida; humana, certamente; divinal, provavelmente; ainda assim, presente em todos os seres humanos. A excelência em arte cognitia desenvolve-se pelo treino sistemático em reflexões, ideias, raciocínios e pensamentos profundos, não necessariamente globalizantes mas que provocam no interlocutor uma certa tonalidade emocional extasiante, sentimentalmente miraculosa, tendente à repetição experimental, tendencialmente imitativa.
Uma simples frase narrativa, uma simples quadra poética, uma simples pincelada numa tela de pintura; já permitem a qualquer observador, distinguir, um pouco da respectiva capacidade artística do emissor; uma simples “pincelada” artística como: “quem ama a outro e não a si, odeia a ambos” ou a subsequente “quem dá todo o seu amor, não tem amor-próprio” já permitem destacar um leve fascínio emocional cognitivo, um pequeno traço de arte cognitia; não tanto pela labilidade literária antitética na sua constituição, metafórica e hiperbólica, entre tantas outras figuras de estilo e recursos literários, porém, tão-somente, pelo despertar sentimental de um conteúdo cognitivo, racional, que maravilha o entendimento humano.
Frequentemente, no empirismo quotidiano, no decurso vida, as pessoas deparam-se com ideias, pensamentos cuja emissão, como que, encaixa numa harmonia emocionalmente perfeita; ficam maravilhadas, admiradas com essa harmonia; isso é arte cognitia; não é arte cognitia pela consonância sonora das palavras, não é arte cognitia pela teatralidade visual da emissão, nunca pela estimulação dos órgãos dos sentidos e da percepção; a arte cognitia revela-se no entendimento emocional da harmonia conceptual, cognitiva, racional, das ideias e pensamentos. A arte cognitia, como arte do pensamento, do puro entendimento humano, tem vários estilos e ramificações; como qualquer desenvolvimento artístico, não maravilha todas as pessoas, ou pelo menos, não as maravilha da mesma forma; é preciso uma certa compreensão, uma certa iniciação artística; a arte do meu pensamento, neste ensaio, envolve entre outros, um conjunto de ideias e raciocínios lógico-matematicos, dedutivos e indutivos, comparativos e analógicos, cuja compreensão, maravilha pelo entendimento do mundo, dos fundamentos essenciais do ser humano, do transe extasiante da interrogação: porquê? Porquê a pergunta? : porquê?           
Introdução filosófica
Os fundamentos estáticos da essencialidade existencial, parecem localizar-se na simetria dualista. Qualquer entidade, qualquer ser, qualquer ente, na sua mais íntima, intrínseca, elementaridade é, ou não, simétrico. A estrutura estática elementar é, pois, a polaridade e, na sua ausência, a simetria. É esta dualidade dicotómica, polar versus não-polar, que estruturando o dinamismo da simetria, fundamenta o desenvolvimento material e ideal, do ser e do ente, do concreto e do abstracto, do relativo e do absoluto, enfim, do dualismo probabilístico. Metodologicamente, a analogia comparativa, enquanto reflexão cognitiva, profunda, avança na compreensão, no saber, no conhecimento de um princípio e de um fim, de um igual e de um diferente, do homo e do hetero, do finito e do infinito, da ordem e do caos, do determinismo e do indeterminismo, da causa e do efeito, da continuidade e da descontinuidade, enfim, da dualidade. A coexistência empírica da dualidade fundamental, não pode ser contestada; constata-se a existência de corpos materiais mas, também, a imaterialidade dos respectivos movimentos; a abstracção matemática da forma, por exemplo, triangular, mas também do objecto concreto que a enforma; qualquer prova empírica, sentida, comprova a respectiva analogia cognitiva, pensada.
Enquanto a repetição congrega uma dualidade antagónica, quantitativa e qualitativa, num movimento infinito estático, finitamente cíclico e translaccional; pois, a ordem, nasce da polaridade assimétrica e descontínua, da diferença, finitude limitada e determinada, da causalidade, prévia ou teleológica, antecedente ou consequente, em mistura homogénea fundida com o caos e a desordem indeterminada, livre e ilimitada, homogénea e infinita, em plena igualdade simétrica.
ALEATORIZAÇÃO PROBABILÍSTICA
Aleatorização
As probabilidades surgem num contexto de incerteza, num contexto de indeterminismo, numa falta de causalidade capaz de determinar o curso dos acontecimentos. O aleatório surge num contexto de acaso com ausência de causalidade determinante, porém, torna-se necessário um conceito fundamental; ou seja, o conceito de equiprobabilidade.
Obviamente, é pelo conceito de equiprobailidade, que se faz a intrínseca conexão entre uma realidade duplamente dualística; entre uma realidade estruturalmente irreconciliável, efectuando-se a ligação da unidade com a diversidade, da igualdade com a diferença. Equiprobabilidade tem por pressuposto fundamental, uma igualdade de probabilidades numa diferença de características; portanto, equiprobabilidades significa que na diferença de características, pois, cada uma dessas características tem igual probabilidade de ocorrer.
Uma moeda tem duas faces que se podem afirmar estruturalmente iguais, para a probabilidade de ocorrência, mas diferentes no seu aspecto de imagem; no entanto, por pressuposto axiomático, considera-se que a diferença da imagem, em cada uma das faces, não interfere nas respectivas equiprobabilidades de ocorrência.
Um dado tem seis faces estruturalmente iguais, mas diferentes no seu aspecto, diferentes na sua imagem; também nesta situação, o pressuposto axiomático impõe igual probabilidade de ocorrência entre cada face do dado. Pela própria definição clássica de probabilidades (probabilidades = número de casos favoráveis / número de casos possíveis); pois, ao lançar a moeda a probabilidade de ocorrência de cara, ou coroa, é igual a 50% e ao lançar o dado a probabilidade de sair qualquer uma das suas faces é igual a 1/6; obviamente, considerando no dado, o número de faces pares igual ao de faces ímpares, pois, as probabilidades de sair um número par é igual a ímpar, isto é, 50% de probabilidades. Empiricamente fica, assim, demonstrada a estrutura igualitária capaz de proporcionar a equiprobabilidade necessária para a aleatorização probabilística.
Sendo reconhecidamente aceites, tanto a definição clássica de probabilidades, como a definição frequencista, pois, torna-se evidente que o conceito de equiprobabilidade se revela necessário tanto para o lançamento da moeda, ou dado, como para a aleatorização de amostras; de facto, é a equiprobabilidade de aleatorização da amostra que a torna representativa de uma população, no decurso dos estudos estatísticos, capazes de determinar as probabilidades, através da frequência relativa de ocorrências amostrais.
Se a igualdade estrutural permite a equiprobabilidade pois esta, sozinha e isolada, não é bastante; só por si a estrutura, apesar de igual e equiprobabilistica, não é capaz de determinar a probabilidade, torna-se também necessário o procedimento, o acto ou acção, aleatório.
Função ou procedimento aleatório
Confirmando-se a ideia de que a estrutura, só por si não basta, não é capaz de determinar as probabilidades, por mais que seja equiprobabilistica; a estrutura isolada não é suficiente para calcular as probabilidades; pois, torna-se necessário um procedimento, uma acção de aleatorizar. Uma moeda, ou um dado, por mais que tenham as faces todas iguais, só por si próprios, não são suficientemente bastantes para determinar o cálculo de probabilidades; é necessária uma conjugação dualística; uma dualidade estrutural e funcional, para aferir e determinar o cálculo de probabilidades; é necessária acção, movimento; o acto ou procedimento de lançar a moeda, ou o dado; sem a realização desse acto aleatório, sem a realização dessa acção, pois, nada feito, não haverá cálculo de probabilidades. O acto, ou procedimento, aleatório tem de ser adequado, apropriado e repetido sempre do mesmo modo, sempre igual; é essa acção apropriada e sempre igualmente repetida que provoca as equiprobabilidades de ocorrência capazes de determinar um resultado probabilístico. A dualidade probabilística está na equiprobabilidade da estrutura mas também do acto, ou procedimento, aleatório; ambos são igualmente fundamentais, igualmente importantes para a determinação e cálculo das probabilidades.   
Paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite
Tradicionalmente, sempre que se aborda pela primeira vez o estudo das probabilidades, é costume iniciar-se com uma exemplificação a partir da moeda, logo seguida pelo dado; são situações de compreensão muito simples e intuição imediata. Afirma-se categoricamente que lançar uma moeda produz probabilidades igualitárias de 50% para a ocorrência da cara e 50% para a ocorrência da coroa. Apesar da imperatividade, da evidência axiomática, com que tal afirmação se debita, imponentemente; a verdade é que ela não se verifica sempre. A verdadeira verdade é que lançar uma moeda, ainda que honesta, não resulta sempre em igual probabilidade de 50%, tanto para a cara como para a coroa; de facto, se uma moeda, ainda que honesta, for lançada três vezes, pois, uma das suas faces sairá duas vezes e a outra face apenas uma vez, logo a probabilidade não é igual; se por outro lado a moeda for lançada cinco vezes, pois, uma das suas faces sairá, pelo menos, três vezes e a outra sairá, no máximo, duas vezes; numa verdadeira generalização conclusiva, sempre que a moeda for lançada um número impar de vezes, pois, haverá sempre uma das suas faces que sairá mais vezes do que a outra; logo a probabilidade de sair cara ou coroa não é igual, pois, depende do número de vezes que se lançar a moeda; ainda que alguns teóricos das probabilidades afirmem que a probabilidade se iria igualar ao lançar infinitas vezes a moeda, pois, é sempre necessário que o infinito seja par, pois de outro modo, se o infinito for ímpar, então a probabilidade de sair cara será sempre diferente de sair coroa. Ainda que o método de aleatorização, a acção de aleatorizar, o procedimento aleatório, não seja pelo lançamento de uma moeda muitas vezes mas, pelo contrário, lançando muitas moedas de uma só vez, pois, sempre se dirá que se o número de moedas lançado for impar, pois, sairá sempre, necessariamente, um número de caras diferente do número de coroas; o número das caras só iguala o das coroas se o número de moedas lançado for par; ainda que se lance infinito número de moedas, pois, se o infinito for impar as probabilidades de sair cara ou coroa serão sempre diferentes. Este é o paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite. Se passarmos, agora, de uma moeda para um dado, com seis faces, obviamente que este paradoxo também se verifica; por conseguinte, pode-se concluir que em qualquer situação onde se proceda a uma aleatorização, qualquer que seja a forma, ou método, dessa aleatorização; pois, verifica-se sempre o paradoxo da aleatorização probabilística de Patrício Leite.
Paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite
Pela sua própria definição, e desde os pensadores clássicos, sabe-se que o conceito de probabilidade está, necessariamente, associado com a ideia de incerteza. Efectivamente, a razão, ou quociente, entre o número de casos favoráveis e o número de casos possíveis, determina uma variabilidade da incerteza probabilística entre zero (0) e um (1), portanto, desde 0% até 100%; obviamente que nestes extremos a incerteza deixa de se verificar para ocorrer uma probabilidade absoluta, ou seja, a certeza absoluta de que um acontecimento vai ocorrer ou, então, a certeza absoluta de que um acontecimento não vai ocorrer.
Se os extremos probabilísticos configuram certezas absolutas se, por outro lado, os opositores do absoluto determinismo científico, linearmente mecanicista, preferem adoptar e conceptualizar as probabilidades como uma função de distribuição cuja continuidade infinitesimal proporciona o respectivo limite infinito, ou seja, a respectiva intangibilidade da sua derivada infinitesimal, por conseguinte, nunca atingindo os limites do seu domínio absoluto; pois, a verdadeira verdade é que, paradoxalmente, há outras probabilidades absolutas, outras certezas absolutas relacionadas com a função de distribuição probabilística, independentemente dos seus limites derivados infinitesimais e dos respectivos limites do seu domínio funcional; surge pois, agora, o paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite. Efectivamente, recorrendo novamente, por uma questão de simplicidade, ao uso exemplar do lançamento de uma moeda, ainda que honesta, a verdade é que surgem certezas absolutas, probabilidades paradoxalmente absolutas, em pleno contraste com o jogo relativistico de probabilidades requerido; assim, lançando uma moeda honesta, apenas uma vez, é uma certeza absoluta que apenas sairá uma cara ou uma coroa, nunca as duas, nunca nenhuma; lançando a moeda honesta pelo menos três vezes, é uma probabilidade de 100%, uma certeza absoluta, que obrigatoriamente sairão pelo menos, duas caras, ou então por disjunção exclusiva, duas coroas; lançando a moeda honesta pelo menos cinco vezes, é uma probabilidade de 100%, uma certeza absoluta, que obrigatoriamente sairão pelo menos, três caras, ou então por disjunção exclusiva, três coroas; e assim sucessivamente, portanto generalizando, de cada vez que, na fórmula da definição clássica de probabilidades, se repita um ciclo de lançamento aleatório da moeda honesta, numa contagem total superior ao número de casos possíveis, pois, também se adiciona uma certeza absoluta ao número de casos favoráveis, por conseguinte, paradoxalmente, com 100% de probabilidades de ocorrência. Este é o paradoxo das probabilidades absolutas de Patrício Leite.       
Física determinista
Apesar da coexistência reducionista dualista pacífica, por vezes dicotómica, por vezes antagónica, duma ciência física macroscópica, mecanicista e linearmente determinada, com uma física quântica microscópica, indeterminada e probabilística; os paradoxos da aleatorização e das probabilidades absolutas constituem factos determinantes que tornam possível a queda do princípio da incerteza de Heisenberg. Efectivamente, o acaso, a ausência de causalidade, a aleatorização do caos desordenado, fundamenta o cálculo probabilístico próprio da física quântica, em ligação com a entropia termodinamicamente caótica, cujo princípio da incerteza de Heisenberg constitui o auge do pensamento físico actual; por conseguinte, apesar da coexistência pacífica, a queda deste princípio, de incerteza, permite a emergência do retorno a uma física determinística, agora quântica, microscópica, mas também, finita e determinada; as probabilidades absolutas limitam o grau de liberdade termodinâmico, quântico, numa descontinuidade assimétrica, heterogénea, polar e ordenada, capaz de estabilizar a coexistência, pacífica e coerente, entre o absoluto e o relativo, o igual e o desigual, o contínuo e o descontínuo, em intrínseca associação inclusiva e exclusiva, sem dominantes nem dominados, sem princípios mutuamente exclusivos, simplesmente, coexistência cuja coerência se fundamenta nas probabilidades absolutas, ou melhor, nas probabilidades absolutamente relativas, isto é, dualistas.   
Distribuição aleatória amostral tipo curva normal
Fazendo a experiência com moedas, dados, ou qualquer amostra aleatória, a verdade é que a distribuição, para grande número de vezes, tende sempre a desenhar uma curva de distribuição normal. Efectivamente, o triângulo aritmético, ou de Pascal, permite confirmar a distribuição de probabilidades tipo normal, ao longo das suas linhas, com o lançamento sucessivo de moedas honestas; a conjectura matemática que relaciona a distribuição de combinações simples, ou sem repetição, com a distribuição de probabilidades, no lançamento de uma moeda, permite deduzir que lançando uma moeda honesta três vezes, pois, a distribuição das probabilidades de sair caras está patente na sua linha três, assim: 1,3,3,1; ou seja: 1 – zero caras, 3 – uma cara, 3 – duas caras, 1- três caras. Obviamente que se a moeda honesta fosse lançada quatro vezes, pois, o respectivo padrão de distribuição normal de probabilidades estaria na quarta linha deste triângulo aritmético, assim: 1,4,6,4,1; ou seja: 1 – zero caras, 4 – uma cara, 6 – duas caras, 4 – três caras, 1 – quatro caras. Generalizando, esta conjectura matemática permite relacionar as combinações sem repetição, distribuídas ao longo da linha do triângulo aritmético, com a distribuição das probabilidades da sair cara, mas também se aplica a coroa, quando se lança a moeda honesta o número de vezes igual ao número da linha do referido triângulo aritmético.
A distribuição aleatória amostral tipo curva normal em conjugação com a realidade das probabilidades absolutas confirma o antagonismo da coexistência pacífica dualista entre os conceitos de equiprobabilidade relacionada com a estrutura do objecto da amostragem aleatória mas também, equiprobabilidade, relacionada com a acção, ou procedimento aleatório; por conseguinte, com o finito e infinito, limitado e ilimitado, absoluto e relativo, certo e incerto, determinado e indeterminado, … assim sucessivamente, numa coexistência pacífica duma realidade, irreal, sempre irredutivelmente dualista.
Doutor Patrício Leite, 22 de Maio de 2019

Econometria probabilística

INTRODUÇÃO

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Economia real e financeira
O mundo financeiro
Economia financeira e commodities
Relação entre a economia real e o mundo financeiro
História das crises económicas financeiras
Crises económicas
Mecanismo das crises económicas
Fundamentos da acção em política económica
Política económica financeira

ECONOMIA PATRICISTA
Economia probabilística
Fundamentos da economia probabilística patricista
Lei da distribuição probabilística dos preços
Lei da simetria dualista do mercado
Explicação das leis fundamentais da economia probabilística
Relação entre a economia tradicional e a economia da incerteza
Modelagem matemática e crescimento
Modelagem matemática em economia probabilística
Mecanismo probabilístico das crises económicas
Modelagem matemática econométrica de Patrício Leite
Exemplo simples e hipotético com modelagem de Patrício Leite em economia financeira
Caracterização do valor das variáveis
Dados e valores numéricos
Gráfico de alguns destes dados e valores numéricos
Comentários sobre este exemplo hipotético
Avanços importantes na modelagem económica probabilística de Patrício
Síntese conclusiva

RECESSÃO ECONÓMICA NA EUROPA
Factores desencadeantes da próxima recessão económica
A política económica europeia na origem da crise recessiva
Início e evolução da crise económica com recessão na Europa
A solução da crise recessiva económica na Europa

  
INTRODUÇÃO
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança. Mudam-se os conhecimentos, muda-se a teoria, a cultura e a ciência. Todo o mundo e composto de mudança. A teoria económica, desde o seu início, tem mantido a linearidade do seu carácter determinístico mecanicista; a cultura e a ciência, num mundo incerto, em mudança, evoluíram, tornaram-se probabilísticas. As crises económicas cíclicas, com períodos alternados de crescimento e recessão, continuam; os estados e poderes públicos apesar de, cada vez mais intervencionistas, não conseguem prever, planear, organizar, dirigir e controlar a economia e respectivas crises recessivas; torna-se necessária uma nova economia, uma economia assente nas ferramentas da matemática como fundamento exacto da sua racionalidade cognitiva, uma economia preventiva quantitativa; uma econometria probabilística. Vamos a isso!        

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Economia real e financeira
A modelagem representativa configura, sempre, uma dualidade reducionista entre o representante e o representado; é assim em todos os sistemas; é assim no sistema económico e financeiro cujos bens e serviços, necessários à subsistência do ser humano, configuram uma economia real que, em capitalismo de mercado, implica um elemento monetário de troca comercial facilitada numa dualidade analógica, espelhada e imagética, cujo objecto real corresponde à economia dos bens e serviços e, por oposição, a imagem virtual corresponde ao sector financeiro da moeda, acções, obrigações, futuros e derivados, enfim, muitos e variados instrumentos das operações financeiras. De facto, a dualidade paralela, espelhada num objecto da economia real e a correspondente imagem virtual do sector financeiro, têm os seus fundamentos de mercado nas leis da oferta e da procura; no entanto, a oferta de bens e serviços económicos agregados correspondem à procura de, todo e qualquer, “papel-finanças” do sector financeiro agregado e, por corolário de oposição relativa, a oferta de “papel-finanças” do sector financeiro agregado, correspondem à procura de bens e serviços agregados do sector económico. Avançando, agora, com a matematização das regras da oferta e da procura de mercado, torna-se compreensível que a elasticidade da oferta agregada de bens e serviços económicos, traduzida matematicamente pela primeira derivada da respectiva função oferta, corresponde à elasticidade da procura agregada de papel-finanças do sector financeiro, traduzida pela primeira derivada matemática da respectiva função procura.
A correspondência entre a oferta agregada de uma economia real, cuja imagem virtual se localiza na procura agregada do sector financeiro, não tem o seu ponto de encontro na primeira derivada matemática, ou seja, na respectiva elasticidade; de facto, não é na primeira variação elástica ou infinitesimal que as leis da oferta e da procura do sector económico se encontram com as leis da oferta e da procura do sector financeiro; na realidade, o ponto de encontro tangencial entre estas duas funções, confrontando o sector económico com o financeiro, surge com a segunda derivada matemática, num ponto de inflexão cuja concavidade da curvatura muda de sentido e se traduz, em termos económicos e financeiros, pelo pensamento das escolas marginalistas.

O mundo financeiro
A economia, também designada frequentemente por economia real, compreende o conjunto de todos os bens e serviços produzidos, distribuídos e comercializado no mercado global, cuja função se traduz na satisfação directa das necessidades humanas individuais ou agregadas; as finanças, adquirem frequentemente várias designações como, por exemplo e simplesmente, o crédito, a economia fictícia, economia da imaginação ou da imaginação humana, crédito à economia, falsa economia, economia dos activos de papel, entre várias outras. O mundo das finanças, o mundo financeiro, por oposição ao mundo da economia real, compreende todos os activos financeiros, todos os designados ou chamados “activos de papel” que são habitualmente negociados nos mercados financeiros; por conseguinte consideram-se activos financeiros os “papéis” como por exemplo as acções das empresas, contratos futuros, contratos a termo, moedas fiduciárias mas também os vários agregados monetários desde o mais restritivo como a moeda metálica e o papel-moeda até aos restantes títulos de crédito passando pelas livranças e letras de câmbio assim como os restantes meios de pagamento incluindo os depósitos bancários de poupança e a capacidade dos cartões de crédito; são também activos financeiros os contratos de opções e derivados, incluindo a sua componente futura e a termo mas também os swaps cambiais e de taxa de juro assim como os títulos públicos emitidos pelo tesouro nacional e privados, emitidos pelas empresas, como as obrigações, hipotecas e warrants, entre outros cujo objectivo consiste em captar recursos. O mundo e o mercado financeiro apenas dependem da criatividade e imaginação, para imporem a confiança e credibilidade no sistema pelo que a qualidade e quantidade dos seus activos e modos de comercialização continuam em permanente desenvolvimento e franca expansão, numa bolha especulativa sempre pronta a rebentar ou colapsar. O mundo financeiro é tutelado por um estado de direito cujo ordenamento jurídico, primitivamente previsto apenas pela generalização do código civil, se veio posteriormente a especializar em legislação comercial, das sociedades comerciais e mais recentemente em direito económico e financeiro próprios mas também em muita e variada legislação avulsa dispersa.      

Economia financeira e commodities
Considerando a economia real em nítida oposição ao mundo financeiro, facilmente se depreende que a satisfação directa de necessidades humanas, desde a alimentação, saúde e segurança, desporto e lazer, entre tantas outras; como bens e serviços escassos e necessários à sobrevivência e bem-estar da humanidade, se localizam do lado de uma economia real cuja actividade compreende a produção, distribuição, comercialização e consumo. Evidentemente, a actividade produtiva necessita de recursos ou produtos de base que, em estado bruto, se designam por matérias-primas. A comercialização destas matérias-primas, como mercadoria uniforme e indiferenciada, designada commodity, é efectuada habitualmente num subtipo de mercado financeiro, ou seja, o mercado de capitais cujas bolsas de valores permitem transaccionar as commodities como activos financeiros; no entanto, convém salientar que as commodities não são verdadeiros activos financeiros; na realidade, enquanto matérias-primas, ou produtos de base, elas detêm um valor intrínseco que as diferencia dos activos de “papel” meramente financeiros. Por outro lado, a cotação universal do seu preço, apenas baseado na oferta e procura global, atribui-lhes qualidades de moeda, própria do mundo financeiro; assim, considera-se que, apesar de serem comercializadas nas bolsas de valores, as commodities ocupam um lugar intermédio entre a economia real e o mundo financeiro.     

Relação entre a economia real e o mundo financeiro
A satisfação das necessidades humanas depende directamente da economia real, no entanto, desde os primórdios da história do desenvolvimento económico que, o homem, por sobreviver em diferentes ambientes naturais com diversidade de necessidades e, mais tarde, excesso de produção; sentiu necessidade de efectuar trocas comerciais; primeiro iniciou com a troca directa, porém, o desenvolvimento tecnológico permitiu a intensificação comercial pelo que se tornou necessária a mediação monetária. Com a criação da moeda, teve início o sector financeiro cujo desenvolvimento e pujança, tomaram posse dos meios e bens de produção numa burguesia dominante de um capitalismo global. Convém sempre recordar, e nunca esquecer, que é o mundo financeiro quem está sempre ao serviço da economia real e nunca o contrário. Na realidade qualquer sistema financeiro tem por função a canalização de fundos das pessoas que poupam para as que produzem ou consomem; porém, convém sempre lembrar que a economia e toda a actividade económica, são próprias da humanidade; é a economia real que satisfaz as necessidades humanas, in extremis, pode-se afirmar, numa generalização metafórica, que o homem come alimentos nutritivos, o homem não se alimenta de activos financeiros, de activos de “papel”; o homem satisfaz as suas necessidades com base na realidade da actividade económica. O mundo financeiro, qualquer sistema financeiro, ao permitir a canalização de fundos do sector da poupança para o sector do investimento, ou consumo, está por inerência de funções a lubrificar, a estimular, a facilitar a actividade económica real, a permitir o desenvolvimento da economia real agregada. Sendo o mundo financeiro que está ao serviço da economia real, a sua utilidade, o seu valor, decorre da facilitação que proporciona à economia real agregada. Um sistema financeiro torna-se perverso quando deixa de servir a economia real; e mais perverso ainda, quando não só deixa de ser útil para a economia real mas também passa a servir-se dessa economia para sobreviver; esta é a causa fundamental das crises cíclicas em economias capitalistas.      

História das crises económicas financeiras
As crises económicas não constituem uma propriedade exclusiva do capitalismo burguês; muito pelo contrário, ao longo da história tem-se sempre verificado que com excepção das crises económicas relacionadas com intensas alterações ambientais como, por exemplo, secas, trovoadas e degelos, guerras e doenças infecto-contagiosas, que destroem gravemente os processos produtivos, pois, todas as restantes crises económicas, que são a quase totalidade, ou pelo menos a grande maioria, qualquer que seja o sistema envolvido, têm a sua origem no sector financeiro; de facto, com o crescente desenvolvimento do mundo financeiro surgem as crises cíclicas da actividade económica que, por vezes, degeneram em graves recessões e depressões económicas com substancial prejuízo para toda a população. Uma das crises económica financeira mais significativa da Europa teve inicio em Inglaterra, no final do século 13 quando o rei recorreu excessivamente ao crédito monetário garantindo o pagamento com contractos futuros sobre matéria-prima, ou seja, a lã de ovelha, uma commodity que estava muito valorizada; gerou-se uma bolha de crédito que rebentou em 1294 iniciando uma crise de crédito e liquidez que se expandiu para outros países da Europa; mais tarde, em meados do século 17, na Holanda, surge a designada crise das tulipas cuja base resultou de uma bolha no mercado da bolsa de valores, pelo excesso de procura e transacção de acções desta flor; para muitos pensadores, a crise das tulipas foi a primeira do capitalismo; ao longo do século 18 relatam-se três crises sempre relacionadas com o sistema financeiro, envolvendo o governo, as bolsas de valores, os bancos e o crédito bancário; com o crescente desenvolvimento, expansão e poder do mundo financeiro surge, já no século 19, uma dezena de crises económicas envolvendo, sempre, a moeda e o crédito, assim como os bancos, o mercado accionista e de capitais; ao longo do século 20 dá-se uma enorme expansão e crescimento do mundo financeiro com diversificação progressiva dos respectivos mercados, instrumentos e activos financeiros, desde os fundos de investimento até aos vários tipos de contractos de futuros e derivados sobre commodities, moeda ou qualquer outro activo financeiro; gerando bolhas especulativas a partir de activos financeiros criados meramente sobre outros activos financeiros; por conseguinte, sem qualquer tradução na economia real; a diversificação e o crescimento expansionista do mundo financeiro foram sempre acompanhados pelas respectivas crises económicas financeiras; assim, o desenvolvimento histórico mostra e comprova que a origem das crises económicas financeiras está sempre no mundo financeiro.                  

Crises económicas
Afirma-se frequentemente que, nos sistemas capitalistas de mercado, as crises económicas são cíclicas. Efectivamente, tem-se verificado, ao longo do tempo, que existem ciclos de crescimento e expansão económica alternando com períodos, mais ou menos longos, de estagnação, contracção e recessão da actividade económica. A frequência, período e todas as outras características, oscilatórias e ondulatórias, dos ciclos económicos são variáveis; desde muito curtos a extraordinariamente longos, no entanto, existe uma explicação de causalidade racional, capaz de os prever e clarificar; de facto, a dualidade patente entre um sector económico real, de bens e serviços capazes de satisfazer necessidades humanas inatas e um sector financeiro meramente criado e desenvolvido pela organização social como forma de promover o poder nas sociedades capitalistas e politicamente organizadas, constitui a causalidade responsável pelos ciclos económicos dos mercados capitalistas.

Mecanismo das crises económicas
Para explicar o mecanismo e o modo como se desenvolve uma recessão económica torna-se necessário, primeiro, clarificar alguns conceitos relacionados com os activos e mercados financeiros. Na realidade, considera-se como mercado financeiro o local, real ou virtual, onde se efectuam trocas comerciais de activos meramente financeiros cujo objectivo consiste em obter ganhos, ou lucros, também essencialmente financeiros.
O mercado financeiro pode ser classificado em várias subcategorias, de acordo com a natureza dos produtos financeiros transaccionados: o mercado de capitais caracteriza-se pela transacção, geralmente nas bolsas de valores mobiliários, de acções, obrigações e outros activos financeiros capazes de gerar liquidez aos títulos emitidos pelas empresas; o mercado de crédito caracteriza-se por operações bancárias e de outras instituições financeiras, que efectuam empréstimos, depósitos, financiamentos etc.; o mercado de câmbio caracteriza-se pelas operações de troca entre diferentes moedas de diferentes países e finalmente o mercado monetário esforça-se por controlar a oferta de moeda assim como as taxas de juros geralmente, mas não só, através do banco central que pode comprar ou vender títulos do tesouro aumentando, ou diminuindo, a quantidade de moeda em circulação e a respectiva liquidez geral dessa economia de mercado.
 A realidade das necessidades humanas, e a evidência cognitiva, demonstram que o mundo financeiro está ao serviço da economia real, de facto, a satisfação da fome, sede, sono e todas as restantes necessidades realiza-se através da economia real, por outro lado, o sector financeiro ao servir a economia real está, por inerência, a facilitar a satisfação das necessidades humanas, por conseguinte o mundo financeiro é útil para a economia real. Obviamente se compreende que, no mercado, a um fluxo de mercadorias corresponde sempre um fluxo monetário de sentido contrário; esta realidade antagónica dualista dicotómica permite afirmar que a uma oferta de mercadorias corresponde uma procura de moeda; em termos de analogia comparativa pode-se concluir que o mundo financeiro funciona como uma imagem virtual espelhada de uma economia real, de tal modo que uma variação da oferta de mercadorias reais deve corresponder a uma variação proporcional de procura monetária financeira e vice – versa, mantendo um equilíbrio dinâmico entre as respectivas ofertas e procuras da economia real com o mundo financeiro, isto é, funcionando como pares acção – reacção.
Como um todo globalizante compreende-se que o sector financeiro agregado tem utilidade para a economia real agregada pelo que, considerando as leis da oferta e da procura e o pensamento das escolas marginalista, torna-se evidente que a variação da oferta, em economia real, corresponde ao valor utilidade marginal da procura financeira, por conseguinte, a elasticidade da oferta económica tem a sua correspondente proporcional na elasticidade da procura financeira e, considerando a lei dos rendimentos decrescentes, torna-se compreensível que conforme aumenta a oferta financeira agregada, pois, a sua utilidade marginal diminui proporcionalmente condicionando, assim, a respectiva procura financeira agregada pelo que, in extremis, torna-se até contraproducente e indesejável.
Aplicando os conceitos da análise matemática infinitesimal torna-se evidente que a elasticidade da oferta, na economia real agregada corresponde á elasticidade da procura financeira agregada e, em ambas as situações, estas variabilidades elásticas correspondem, matematicamente, à respectiva primeira derivada da oferta económica e primeira derivada da procura financeira; continuando o raciocínio matemático mas atendendo à utilidade marginal com a lei dos rendimentos decrescentes, em associação com a respectiva desaceleração do crescimento económico, torna-se evidente que o ponto de inflexão, da segunda derivada, corresponde à última unidade financeira da utilidade marginal que, o mundo financeiro oferece à economia real; a partir deste ponto de inflexão o aumento, ou excesso, de oferta financeira agregada torna-se não só contra producente para a economia real como até prejudicial. É neste ponto de inflexão, neste ponto de viragem, que se afirma a estagnação da economia, ou seja, o crescimento económico parou, estagnou, e se a oferta financeira agregada continuar a aumentar para além do ponto de inflexão, da segunda derivada matemática na lei da oferta financeira agregada pois, a economia entra em contracção, entra em recessão económica podendo atingir uma depressão profunda e cataclísmica.

Fundamentos da acção em política económica
A concepção popular, tradicional, com a parábola dualista entre a cigarra ociosa que passa o verão a cantar ao desafio e o inverno faminta e a formiga diligente e trabalhadora que passa o verão atarefada em trabalho e um inverno farto, tem tradução dualística metafórica, analógica, nos seres humanos ociosos, gastadores e consumidores em comparação com os trabalhadores, poupadores, produtores que investem e enriquecem; à tendência para a ociosidade, consumo e bem-estar que uns procuram, corresponde a ganância produção e enriquecimento dos outros; a sociedade vive, assim, num equilíbrio instável entre a ociosidade de uns e a ganância de outros porém, ambos, produtores e consumidores participam da acção política organizada no estado; os políticos precisam de legitimidade para exercer a autoridade do estado, em democracias representativas precisam do voto, por isso, têm de agradar a gregos e troianos, pois, são todos eleitores.
Uma concepção mais económica, ponderada, cuidadosa e científica, permite avançar para um fundamento mais real da vida mental; da necessidade humana, como estado de carência do mundo interno que pode ser satisfeita através do mundo externo e da escassez de alguns bens necessários que, não sendo suficientes para todos os elementos da comunidade, pois, em conjunto com a respectiva necessidade, os transforma em bens económicos. Colectivamente a escassez e individualmente a necessidade são os pilares mais fundamentais de toda a actividade económica; para colmatar a escassez, para terminar com a escassez colectiva de bens necessários é necessário produzir; para colmatar a necessidade individual, para terminar com as necessidades humanas é preciso consumir; assim, se a escassez determina a produção já a necessidade determina o consumo. Reconhece-se, no entanto que, como todo o comportamento humano individual é motivado por necessidades pode-se, pois, afirmar que também a produção, que resulta de uma escassez colectiva, resulta também da necessidade individual de consumir, mas, determina a inteligência e razão humanas que primeiro o homem tem de produzir para depois poder consumir.
O excesso de produção precisa de ser transaccionado, precisa de ser comercializado; como com o desenvolvimento colectivo se torna cada vez mais difícil a troca directa, pois, com o desenvolvimento social surge a moeda, entre outras funções, como meio de troca. Nas comunidades politicamente organizadas, os detentores do poder e controlo social, têm vários instrumentos ao seu dispor: a lei, imperativa e coerciva; os meios de comunicação social; a força armada; mas também, e finalmente, em termos económicos financeiros, a emissão e controlo da moeda em circulação.

Política económica financeira
O exercício do poder político e o controlo económico, por parte dos dirigentes políticos, pode ser efectuado com recurso a diferentes instrumentos, entre eles, usa-se habitualmente, por excelência, a força da lei escrita. Assim, nas relações internacionais públicas, privadas e comerciais com outros estados e países pode, o poder político, criar legislação que decreta e considera como estados adversários, ou até inimigos, com maiores, ou menores, taxas aduaneiras e barreiras alfandegárias, diferenciadas por produtos e serviços, podendo progredir até ao corte total de relações diplomáticas e comerciais; no plano interno, o direito económico, comercial, financeiro e fiscal com impostos e taxas diferenciadas permite estimular, ou inibir, as áreas da economia e investimento que o poder político considera prioritário. Efectivamente, as áreas e modos de intervenção e actuação do poder político são muitas e variadas porém, em termos de política económica são, frequentemente, utilizados activos e instrumentos financeiros de controlo, particularmente a moeda, quase-moeda e todos os respectivos similares e derivados que incluem os vários agregados monetários.             
Com o desenvolvimento cultural, social e tecnológico moderno, associado com as democracias, mais ou menos, representativas e o comércio mundial, os estados têm, cada vez mais, estipulado indicadores macroeconómicos capazes de, a todo o momento, fornecer informações sobre a respectiva economia; também, os grandes objectivos políticos obedecem, frequentemente a metas económicas balizadas por esses indicadores. O produto interno bruto (PIB) é, nas economias de mercado, abertas, um dos maiores indicadores macroeconómicos do crescimento e da actividade económica; os componentes do PIB são, na óptica da despesa, o consumo privado e público, o investimento, as exportações e as importações; o saldo da balança comercial compreende as exportações menos as importações, entretanto, como é sobejamente conhecido, este saldo da balança comercial é um activo financeiro de carácter monetário, sendo que, a balança comercial constitui um dos elementos que integram a estrutura da balança de pagamentos que em conjunto com outros elementos, designadamente as balanças de capital e financeira vão, na contabilidade nacional, originar duas contas: a conta corrente (para o comércio de bens e serviços) e a conta capital e financeira; estas duas contas sumarizam e controlam as transacções económicas e financeiras de um país. Considerando, agora, as relações comerciais e financeiras entre um país e os restantes países do mundo, pode-se afirmar que a taxa de câmbio é um dos indicadores macroeconómicos mais importantes para medir a força relativa entre países. Os regimes cambiais podem ser fixos e determinados politicamente ou flutuantes obedecendo às leis da oferta e da procura no mercado cambial. Obviamente, de acordo com a teoria dos jogos, pode-se considerar que a oferta e a procura do total de moeda mundial constituem jogos de soma nula, ou seja, no mercado cambial mundial, aquilo que um país ganhou, outro ou outros, perderam; no entanto há alterações políticas, económicas e financeiras, patrocinadas por governos e monopolistas mundiais, que distorcem a livre ocorrência da oferta e da procura no mercado cambial mundial. Além de situações políticas extremas como guerras, cataclismos etc., alguns dos factores, mais importantes, que influenciam a taxa de câmbio são: a taxa de inflação, a taxa de juros, a balança de pagamentos, a competitividade económica na produção e comércio internacional de bens e serviços (através da balança comercial), as transacções comerciais meramente especulativas de moeda e outros activos financeiros por parte de entidades públicas e organizações financeiras, a compra e venda de moeda e outros activos financeiros por parte dos bancos centrais com finalidade reguladora, a variação dos preços mundiais das commodities. Se as taxas de juro influenciam as taxas de câmbio no curto prazo, pois, a balança de transacções correntes (ligada à balança comercial) age no médio prazo e a paridade do poder de compra influência a taxa de câmbio no longo prazo.            
A inflação considerada habitualmente como a subida contínua e generalizada dos preços, é outro indicador macroeconómico também encarada, em termos monetaristas, como um excesso na oferta de moeda; a inflação descontrolada pode causar graves perturbações no normal funcionamento dos agentes económicos e sociais pelo que a sua estabilidade implica num controlo necessário e rigoroso por parte do poder político. Os factores que influenciam a inflação não são meramente de natureza financeira; não é apenas o excesso de “impressão” e emissão de dinheiro por parte dos governos e dos respectivos bancos centrais que, ao desvalorizar a moeda, aumenta a inflação; não é apenas a manifestação de um governo despesista e gastador que, para saldar as suas contas deficitárias, desenvolve uma politica tributária cujo agravamento da carga fiscal com impostos indirectos, se transmite ao consumidor final, reflectindo-se imediatamente na respectiva subida dos preços; efectivamente, a inflação significa que o volume de dinheiro, a massa monetária em circulação, é maior que a oferta de bens e serviços à venda e, por isso, os preços sobem sustentadamente, assim, já contando com a inflação, as empresas, para manter a margem de lucro, sobem os preços, por outro lado, os trabalhadores reivindicam maiores salários para manter o poder de compra; com a subida do custo dos factores de produção como o trabalho e a matéria-prima, mas também de outros encargos, como a subida dos impostos e das taxas de juro ou, por vezes, a simples distorção das leis da concorrência, como nos cartéis, monopólios e oligopólios; tudo conduz a uma diminuição da produção e da respectiva oferta, com aumento dos preços; esta situação conduz a uma crise recessiva da actividade económica cujo factor de equilíbrio é, primordialmente, um aumento do desemprego com agravamento ao sector social gerando convulsões, greves e violência que os governos procuram controlar; o facto de a inflação e desemprego terem relação de proporcionalidade inversa, significa que a taxa de desemprego constitui mais um indicador macroeconómico sob a alçada do poder político que, normalmente, prefere adoptar políticas de “quase” pleno emprego. Como a economia real da produção, distribuição e comercialização de bens e serviços, que satisfazem necessidades humanas, é fundamentalmente estável, salvo as raras excepções de graves alterações ambientais com terramotos, secas, trovoadas e degelos, doenças infecto-contagiosas, guerras e grandes movimentos migratórios, que destroem e diminuem os processos produtivos; pois, pode-se afirmar, com categoria de verdade, que as crises económicas têm a sua origem num desequilíbrio primário do sector das actividades financeiras; incluindo neste sector toda a acção política financeira, pública e privada.

ECONOMIA PATRICISTA

Economia probabilística
O paralelismo evolutivo do pensamento científico, entre várias áreas do saber e do conhecimento humano, não pode escamotear a realidade entre a história do pensamento e das ideias, da ciência física e as outras áreas do saber, designadamente o pensamento económico; efectivamente, a física mecanicista surgiu numa altura em que as ocorrências determinísticas dos fenómenos da vida real, eram tidas como mecanicamente determinadas; o mundo era encarado como uma máquina cujo funcionamento estava linearmente determinado em relações de causa a efeito; foi assim para a física; foi assim para a economia; com efeito, a economia clássica encarava a formação do preço como uma confrontação e encontro, no mercado, entre as forças da oferta e as forças da procura, numa causalidade linear e mecanicamente determinada. A evolução do pensamento científico, em física, permitiu operar uma transformação conceptual do mecanicismo tradicional para a física quântica; de facto, em física quântica a incerteza, a aleatoriedade, o acaso e as probabilidades constituem os fundamentos da racionalidade capaz de explicar os fenómenos físicos; estabelecido o paralelismo com a ciência económica, constata-se que as leis mecanicistas, da causalidade linear, entre a oferta e a procura na formação do preço de mercado, mantêm o seu vigor e validade para com a teoria económica actual; torna-se, pois, necessária uma nova economia; uma economia mais actual e adaptada ao modo probabilístico, aleatório e incerto, da cultura e racionalidade actual; torna-se necessária a economia probabilística. Efectivamente, a observação evolutiva dos preços no mercado, permite constatar diferentes preços, diferentes vendedores e diferentes compradores, respectivamente a oferecer e procurar, a vender e a comprar por diferentes preços; ou seja, num mesmo mercado, qualquer que seja o produto ou serviço, não se verifica apenas um preço, não existe apenas um único e só preço de mercado, existem sim muitos preços; no mercado, existem tantos preços, quantos os vendedores e os compradores individuais e os acordos de compra e venda firmados após o resultado das negociações; se for aplicado um estudo estatístico aos vários preços, encontrados no mercado, para um único produto ou serviço, pois, verifica-se que, frequentemente, a curva de distribuição desses preços obedece à estatística da curva normal, com média, mediana e moda coincidentes, assim como com o desvio padrão e a variância correspondentes, por conseguinte, o preço de mercado é um preço probabilístico; é a curva de distribuição de probabilidades que nos oferece, exactamente, a probabilidade de encontrar um produto no mercado a um determinado preço. Em concreto, na economia probabilística, não se negam em absoluto as forças da oferta e da procura na determinação dos preços de mercado, aceita-se que para a formação dos preços há vários factores, no entanto, a oferta e a procura são apenas dois dos muitos factores envolvidos, porém, aceita-se que no mercado o preço é uma função de probabilidade. Se para um mesmo produto ou serviço há vários preços e alguns coincidem, outros aproximam-se mais entre si, então, a determinação de um preço em concreto surge como uma função de probabilidades.    

Fundamentos da economia probabilística patricista
A economia probabilística de Patrício Leite, segue dois princípios, leis ou axiomas, fundamentais:
1 – No mercado, os preços resultantes dos acordos de compra e venda, assumem uma distribuição probabilística.
2 – Existe uma simetria dualista e indissociável entre o sector da economia real agregada e o sector financeiro agregado.

Lei da distribuição probabilística dos preços
Em qualquer mercado, independentemente da sua natureza, da sua dimensão ou localização, quando se pesquisam os preços de bens económicos e serviços aí transaccionados, verifica-se que estes seguem uma distribuição probabilística. São muitas as formas de distribuição probabilística que podem ser classificadas em duas grandes categorias: discretas como, por exemplo, a distribuição binomial ou a distribuição de Poisson; contínuas como, por exemplo, a distribuição do qui-quadrado ou, também, a distribuição normal.
A distribuição probabilística dos preços de um bem económico, ou serviço, num mercado qualquer, independentemente das suas dimensões, natureza e localização, assume uma forma característica, de acordo com os vários factores que influenciam esses preços. Assim, quando um mercado é fortemente regulamentado por um estado legislador intervencionista, ou quando se verificam distorções ao seu normal funcionamento; como nas situações de monopólio, oligopólios, cartéis, etc., pois, a curva de distribuição probabilística dos preços assume uma das muitas formas de distribuição; por outro lado, num mercado livre, ideal, em concorrência perfeita, com infinito número de vendedores e infinito número de compradores, pois, a distribuição probabilística dos preços, nesse mercado, assumirá a forma de uma curva de Gauss, ou seja, uma distribuição normal.

Lei da simetria dualista do mercado
Em qualquer economia, moderna e actual, existe um sector financeiro capaz de intermediar e interferir nas trocas comerciais de serviços e bens económicos, próprios da economia real.
A lei da simetria dualista assume a indissociabilidade dualista entre a economia real e o sector financeiro de qualquer economia, assim como a sua simetria funcional; por conseguinte, a economia real e o sector financeiro funcionam como pares acção – reacção, de características simétricas e qualquer variação num destes sectores terá a correspondente variação, de algum modo simétrica, no outro sector do par acção – reacção, portanto, economia – finanças.
Com o desenvolvimento do sistema de trocas comerciais, intermediado privilegiadamente pelo sector financeiro e a distribuição probabilística normal, assume-se que a simetria da curva em campainha corresponde à curva de Gauss, ou seja, a curva normal; tendo uma das metades relacionada com o sector da economia real e a outra metade, simétrica, relacionada com o respectivo sector financeiro.

Explicação das leis fundamentais da economia probabilística
Em economia probabilística, assume-se que a formação dos preços de mercado, não se deve unicamente às leis da oferta e da procura, mas sim a muitos e variados factores; obviamente, não se negam as leis da teoria da oferta e da procura mas, considera-se que estas funcionam apenas como mais um dos factores a concorrer para a formação dos preços, firmado após a conclusão da negociação, no contracto de compra e venda; em qualquer mercado, estes preços variam de contracto para contracto e, na sequência da sua distribuição, geram uma curva gráfica, em campainha, típica de uma distribuição normal; sendo metade da curva correspondente ao sector económico e a outra metade, simétrica, correspondente ao sector financeiro. A ligação teórica entre a economia tradicional, da oferta e da procura, e a economia probabilística faz-se, por um lado, no âmbito clássico do pensamento económico através da escola marginalista que, no limite da elasticidade, dada pela primeira derivada, vem a fornecer o elemento, ultimo, marginal dado pelo ponto de inflexão da segunda derivada matemática; obviamente, do lado da economia probabilística, a observação da curva de distribuição normal acumulada; portanto, o somatório acumulado dos preços de mercado com distribuição normal, dá uma curva muito semelhante à da segunda derivada, própria do pensamento clássico e, por isso, faz a ponte entre as duas teorias económicas; efectivamente, também se sabe que em termos matemáticos, funções sigmoidais, com curva sigmoide, como por exemplo a função logística, têm como primeira derivada matemática uma curva em campainha, típica da distribuição normal de probabilidades; conclui-se, pois, que a segunda derivada na teoria económica clássica, por mera semelhança conceptual com a distribuição normal acumulada, própria da teoria económica probabilística, faz a ponte de ligação, teórica e conceptual, entre as duas economias.
Considerando agora que a curva dos vários preços encontrados para um só produto, ou serviço, após os contractos de compra e venda, assume a forma de um sino ou campainha; curva de Gauss ou de distribuição normal, em que a média, mediana e moda, coincidem; considerando também que metade desta curva corresponde ao sector económico e a outra metade, sua simétrica, corresponde ao sector financeiro; pois, o ponto médio, ou seja, o valor da média, mediana e moda, iguala e coincide com a semi curva da economia mais a semi curva, sua simétrica, das finanças; a interpretação desta ocorrência conclui que esse valor médio coincidente poderá corresponder às commodities ou matérias – primas que podem funcionar, simultaneamente, como bem económico no mercado da economia real mas, também, no mercado do sector financeiro; na realidade, o ouro foi uma matéria – prima que funcionou como padrão da moeda; actualmente, o padrão ouro foi abandonado e o valor da moeda tem sido encontrado, na economia tradicional, através de cálculos financeiros; aceita-se porém que, em economia probabilística o padrão, valor coincidente da média, mediana e moda, seja aferido pelas commodities que, no mercado, tanto podem funcionar pelo lado da economia como pelo lado das finanças.
Para concluir, resta agora afirmar que na criatividade conceptual deste ensaio, apenas se aceita como leis de verdade axiomática fundamental, a distribuição probabilística dos preços, no mercado, e a simetria dualista entre o sector da economia real e o sector financeiro; tudo o restante, mais não são do que constructos conceptuais de criatividade imaginativa com lógica interna de coerência racional que também poderiam ser validamente desenvolvidos por outros pensadores da teoria económica.

Relação entre a economia tradicional e a economia da incerteza
O facto de a teoria económica necessitar de uma evolução mais adaptada e adequada aos tempos actuais, aos tempos da incerteza, aos tempos da aleatoriedade, da estatística e das probabilidades; não invalida, de todo, a velha teoria económica tradicional; efectivamente, as leis da oferta e da procura continuam a revelar alguma coerência interna, continuam a fornecer uma teorização compreensiva para grande parte das ocorrências observadas em economia; simplesmente, a própria teoria económica tradicional, assim como os vários modelos matemáticos econométricos derivados, não conseguem uma explicação lógica e coerente para todos os fenómenos económicos observados, entre muitos outros, não conseguem uma previsão determinística exacta das crises económicas, do seu inicio, desenvolvimento e desenlace. A evolução da história da ciência revela que os modelos mecanicistas, exactos e determinísticos foram substituídos por modelos de incerteza, de aleatoriedade, de probabilidades e estatística; foi assim com a ciência física, que substituiu as leis da física clássica pela aleatoriedade probabilística da mecânica quântica será, agora, assim, com a ciência económica cujas leis clássicas, da oferta e da procura, serão substituídas pela incerteza da economia probabilística. Qualquer gestor, designadamente em gestão de projectos de investimento, sabe que o risco resulta da incerteza; qualquer empresário sabe que o lucro é o resultado da remuneração do risco associado ao investimento; em qualquer estudo de mercado, é a incerteza e o risco associado, que se procuram quantificar; o risco, a incerteza, a estatística e probabilidades, já fazem parte do corpo de ferramentas práticas em gestão e economia porém, no entanto, ainda não integram a teoria económica. A nova teoria económica, a economia da incerteza, a economia da estatística e probabilidades, baseada no método científico: observação – hipótese – experiência; vem alargar o âmbito da teoria económica clássica, abrange todos os factos e ocorrências da teoria clássica, numa explicação mais ampla, mas também integra e explica os novos fenómenos económicos, observados na actual modernidade tecnológica.              

Modelagem matemática e crescimento
Desde o aparecimento da teoria do crescimento populacional malthusiana, têm surgido várias funções matemáticas e respectivas curvas gráficas capazes de modelar a variabilidade dos crescimentos. Ultimamente as curvas sigmoides têm, nesta matéria, manifestado utilidade preponderante: as titulações de ácido - base na química são representadas por curvas sigmoides; o crescimento de populações biológicas de vírus, bactérias ou células tumorais cancerosas são representados por curvas sigmoides de funções gompertzianas; a função logística e a respectiva curva sigmoide têm tido utilidade crescente na aplicação da regressão logística em modelagem matemática econométrica; enfim, são imensas as aplicações de curvas sigmoides a variadas situações de crescimento. Como já foi observado, os conhecimentos associados com as leis da oferta e procura; da escola marginalista com fundamentos nas elasticidades agregadas, ou não, dadas pelas respectivas derivadas matemáticas dessas leis; dos rendimentos decrescentes aplicados, por exemplo em gestão da produção; do ponto de inflexão da segunda derivada matemática em relação com a escola marginalista e o último elemento, ou seja, o ultimo elemento marginal, na variação da elasticidade; conjuntamente, congregam manifestações de aplicação da curva sigmoide em modelagem matemática na teoria económica tradicional.

Modelagem matemática em economia probabilística
Sendo certo que a curva sigmoide tem intensa aplicabilidade na modelagem matemática da economia tradicional, também é verdade que da reflexão cognitiva associada com a observação atenta desta curva, resultam ideias muito interessantes. Efectivamente, se concebermos a ideia de simetria aplicada à curva sigmoide; ou seja, a curva sigmoide projectada na sua imagem simétrica, vista num espelho, pois, o resultado conjunto das duas curvas sigmoides é uma curva representante de uma distribuição normal, também designada curva de Gauss. Qualquer curva sigmoide, ainda que se trate de uma curva gompertziana, logística ou outra, conjuntamente com a sua imagem simétrica, resulta numa curva com a forma da distribuição probabilística normal ou de Gauss; por corolário antitético, pode-se afirmar qualquer curva normal, ou de Gauss, resulta e origina, uma curva sigmoide mais a respectiva imagem simétrica. Em estatística descritiva diz-se que numa curva de distribuição probabilística normal, ou de Gauss, a média, mediana e moda, são coincidentes.
Qualquer estudo estatístico de mercado, mostra que em qualquer mercado, qualquer que seja, a funcionar normalmente, totalmente livre e em infinita concorrência perfeita, a curva de distribuição probabilística dos preços é normal ou de Gauss; quando surgem outras curvas de distribuição, como a distribuição qui-quadrado, ou outra, deve-se pensar que há, nesse mercado, uma anomalia, uma distorção da concorrência perfeita; não com infinitos compradores e infinitos vendedores mas sim com fenómenos de monopólio, monopsónio, oligopólio, oligopsónio, cartel etc., ou então uma restrição à livre concorrência efectuada por restrição legislativa, ou outra, de um estado dominante e intervencionista.     
Sabendo que, como se observou e descreveu, a curva sigmoide tem intensa aplicação na teoria económica tradicional como um todo, mas também, especificamente, na causalidade linear e mecanicista que conduz à formação dos preços de mercado através da oferta e da procura; reconhecendo que, em conformidade com a estatística descritiva dos estudos de mercado, a distribuição dos preços, nos mercados completamente livres e infinitamente concorrenciais, segue uma curva probabilística normal, ou de Gauss, numa causalidade multifactorial, ou numa multicausalidade factorial, inerente a aleatoriedade probabilística da nova economia, ou economia probabilística da incerteza; finalmente, aceitando que a curva normal, ou de Gauss, resulta do conjunto formado pela curva sigmoide associada à sua respectiva simétrica imagem de espelho; facilmente se conclui que a nova teoria económica probabilística integra a teoria económica tradicional, explicando todas as ocorrências já observadas e explicadas por essa teoria tradicional mais os fenómenos polémicos como, por exemplo, as crises económicas. Por analogia comparativa pode-se afirmar que, assim como a física quântica explica todos os fenómenos da física clássica mais as novas observações do mundo físico; também a economia probabilística explica todos os fenómenos da economia tradicional mais as novas observações do mundo económico, sobretudo associadas e desenvolvidas pelo sector financeiro como, por exemplo, com os novos produtos e activos financeiros decorrentes dos contractos de derivados financeiros que incluem as opções binárias, forwards, contractos por diferença (CFD) como os fundos de investimento exchange traded fund (ETF), entre outros, os SWAP e muitos mais; a economia probabilística assume particular relevância na explicação das crises económicas desenvolvidas a partir do sector financeiro.

Mecanismo probabilístico das crises económicas
Aceitando, como já foi observado e descrito, que o normal funcionamento do sector financeiro funciona como uma imagem virtual e simétrica, ou seja, uma imagem em espelho, da economia real de bens e serviços; aceitando as ideias correlacionadas com a teoria marginalista, em associação com a respectiva matematização de funções derivadas e primitivas, ou integrais, aplicadas às leis da oferta e da procura; aceitando a curva sigmóide como representante gráfica da segunda derivada de uma função, cujo ponto de inflexão corresponde ao último elemento, ou elemento marginal, em relação com a respectiva elasticidade da oferta ou da procura; finalmente, aceitando que a curva de distribuição probabilística normal, ou de Gauss, corresponde a uma curva sigmoide mais a sua respectiva imagem virtual simétrica, ou seja, respectiva imagem em espelho; muito facilmente se conclui que a curva de distribuição probabilística do tipo normal, ou de Gauss, traduz a representação gráfica da economia real, de bens e serviços, mais o normal funcionamento do respectivo sector financeiro. Assim, quando uma economia real de bens e serviços mais o sector financeiro estão a funcionar normalmente a curva matemática de representação gráfica da função é uma curva aproximadamente do tipo normal, ou de Gauss; em situações de crise económica, a respectiva representação gráfica pode ser traduzida por qualquer curva como, por exemplo, a curva típica da distribuição de qui quadrado.
A modelagem matemática, em termos quantitativos, algébricos, econométricos, pode ser traduzida por muitas, variadas e diferentes, expressões algébricas, equações ou funções matemáticas; efectivamente, assim como existem muitas funções matemáticas traduzidas graficamente por curvas do tipo sigmóide, também existem muitos modelos matemáticos capazes de traduzir, em termos econométricos, o normal funcionamento de uma economia da incerteza, uma economia probabilística.

Modelagem matemática econométrica de Patrício Leite
Considerando a economia probabilística com as respectivas curvas de representação gráfica tipo normal, ou de Gauss, como resultado da junção de uma curva sigmóide com a sua simétrica, imagem em espelho; considerando a relação fundamental de Patrício com a sua respectiva função e uma das suas fórmulas alteradas para o valor zero (0); considerando também uma das possíveis curvas sigmóides de representação gráfica de uma das funções relacionadas com a relação fundamental de Patrício surge pois, em consequência, um dos muitos e possíveis modelos matemáticos econométricos de Patrício Leite.
Obviamente, a partir da relação fundamental de Patrício podem ser retiradas várias fórmulas matemáticas e, efectivamente, muitos mais modelos matemáticos econométricos; se um dos membros da relação fundamental de Patrício for encarado como um polinómio, constituído por vários monómios, binómios, etc., pois, cada parte literal dessa expressão algébrica pode constituir uma variável económica, financeira, ou outra; em cada termo do polinómio, o coeficiente numérico, que também pode funcionar como variável econométrica, revela o número de combinações da respectiva linha do triângulo de Pascal; essa expressão polinomial, como um todo, pode permitir, por exemplo, uma das várias formas de análise multivariada, porém, é de notar que cada termo também pode funcionar como variável econométrica. A relação fundamental de Patrício estabelece, basicamente, uma relação entre as combinações simples, ao longo de uma linha do triângulo de Pascal, e grupos de arranjos com repetição cujo número de elementos escolhidos corresponde, sempre, ao valor da respectiva linha do triângulo de Pascal; esta ocorrência também facilita a modelagem econométrica de Patrício Leite; efectivamente, a distribuição das combinações ao longo da linha do triângulo de Pascal segue uma curva de Gauss, uma distribuição normal, em acordo com a economia probabilística da formação e distribuição dos preços, nos mercados liberais de concorrência perfeita; relembra-se que a curva de distribuição normal é o resultado da junção de uma curva sigmóide com a sua simétrica, imagem em espelho que permite reflectir mais uma relação entre a economia tradicional e a economia probabilística aplicadas ao estudo do crescimento e das crises económicas.
Avançando para a função de Patrício torna-se possível ampliar os resultados, com maior número de modelos econométricos encontrados; efectivamente surge a possibilidade de definir novas variáveis aplicadas aos mercados, económico e financeiro, como um todo; a qualquer destes mercados considerado separadamente, ou até, a variáveis micro ou macroeconómicas isoladas.
Como em qualquer modelagem a dificuldade consiste apenas na imaginação criativa e capaz de reflectir a realidade com o máximo rigor e precisão.
Primeiro a partir da relação fundamental de Patrício e posteriormente da respectiva função, torna-se possível desenvolver e extrair novas expressões algébricas e funções, como a função zero de Patrício, capazes de multiplicar e compor imensos modelos matemáticos econométricos aplicados a um sem número de situações económicas e financeiras.
Para complementar a exposição teórica sobre as imensas possibilidades de modelagem matemática, em econometria das crises e mercados financeiros, ou outras, que a relação fundamental de Patrício e respectivas funções relacionadas permitem, pois, efectua-se de seguida, uma aplicação hipotética, fantasiada e simples, de modelagem econométrica, cuja adequação com a realidade nunca foi testada e cujo propósito, meramente académico, pretende apenas ilustrar a facilidade com que se podem desenvolver modelos matemáticos simples em economia financeira a partir da relação fundamental de Patrício.   

Exemplo simples e hipotético com modelagem de Patrício Leite em economia financeira
Vamos considerar uma hipótese de evolução da economia e finanças de uma determinada comunidade. Partindo do princípio que a economia real, portanto, a economia dos bens e serviços, produzidos, distribuídos e comercializados, não se alterou, resulta que um lado da equação, ou seja, o lado da economia real, também se não alterou, não variou, o seu valor é pois nulo, zero (0).
Aceitando que apenas ocorrem alterações na situação financeira dessa comunidade, pois, generaliza-se a aceitação para todo o agregado financeiro, por conseguinte, aceitam-se alterações na variabilidade conjunta de todo o agregado monetário incluindo não apenas os muitos e variados tipos de depósitos bancários mas também todos os títulos de crédito como as letras de câmbio, livranças, cheques, etc., até a capacidade de transaccionar pelo uso dos cartões de crédito; também se aceitam as variações que ocorrem nas acções, obrigações e outros activos financeiros, mais as variações de títulos, obrigações do tesouro e outros similares injectados, ou comprados, pelo estado, na economia; mais todos os derivados financeiros incluindo os contractos de futuros, derivados, opções, etc., mais o mercado monetário de compra e venda de moeda pelo estado, assim como dívida pública; mais as alterações do mercado cambial com a oferta e procura de moeda no mercado internacional e respectiva saída ou entrada no mercado nacional; enfim, a totalidade do agregado financeiro é aqui incluída e estudada em associação com a variação da variável temporal k.
As matérias-primas, ou commodities, funcionam como um elemento próprio da economia real, na medida em que integram e são consumidas na produção de bens e serviços; por outro lado, os mercados internacionais das commodities também as usam, frequentemente, como uma forma de moeda de troca a funcionar como um activo financeiro; outras situações, como por exemplo, a alocação de recursos, como edifícios e outras estruturas de suporte, conjuntamente com funcionários e trabalhadores, nos mercados puramente financeiros, podem constituir uma fonte de erro capaz de produzir estudos com igual, ou semelhante, modelagem económica financeira mas com diferentes resultados; assim, como sempre ocorre em ciência, qualquer estudo deve clarificar e quantificar operacionalmente as suas variáveis a fim de eliminar confusões. Para já, sabendo que o exemplo de modelagem, aqui e agora expresso, é simples e meramente hipotético, pois, considera-se bastante a designação do tempo como variável k, sendo esta variável k temporal e anual em relação associativa com a variação total e também anual da totalidade dos activos e agregados financeiros.
Uma outra variável, aqui designada por n, diz respeito, de um modo geral, aos objectivos, metas ou finalidades, que se pretendem atingir no futuro, por conseguinte, diz respeito ao tempo, ao intervalo de tempo, à quantificação do tempo ou de variáveis, frequentemente, mas nem sempre, relacionadas com o tempo, com o futuro; estes objectivos tanto podem contemplar a economia real agregada como os activos financeiros agregados; porém, também podem visar o valor do mercado económico, ou financeiro, de uma comunidade, como um todo; qualquer que seja a variável considerada para a designação de n, parece boa norma que esta se relacione com uma posição a atingir no futuro, por conseguinte, com objectivos, metas ou finalidades, que virão a ser atingidos no futuro.
Finalmente surge uma variável designada por z, que diz respeito, de um modo geral, à posição inicial, à posição de partida, à posição presente; tanto podendo contemplar a economia ou as finanças, como o mercado global a partir do qual se desenvolvem as actividades conducentes a um resultado futuro, por conseguinte, conducentes e relacionadas com a variável n; define-se pois, uma posição de partida e uma posição de chegada; considerando z como a variável de partida e n como a variável de chegada. De notar que o valor da variável z não interfere nos resultados finais, mas apenas na amplitude das variações no decorrer do percurso processual, por conseguinte, ela pode tomar qualquer valor de partida.
Se, por mero exercício hipotético académico, fosse considerado um exemplo de modelagem económica financeira da inflação a partir da massa monetária, pois, em coerência racional, seria de considerar que numa grande economia e com elevada massa monetária em circulação, aumentar a taxa de inflação em apenas 1% implicaria uma maior injecção de moeda, que poderia ser efectuada num único episódio ou por etapas sucessivas e seriadas; obviamente, o valor da variável n, ou seja, o valor do resultado final a atingir seria sempre 1% da variação da taxa de inflação, porém, tendo em atenção a conformidade com o valor inicial da massa monetária, ou seja, o valor de partida, o valor da variável z, assim teria de ser considerada a quantidade de massa monetária necessária para injectar em circulação, efectuada num único episódio ou, então, por etapas sucessivas.
   
Caracterização do valor das variáveis
Considerando que nas situações de normal funcionamento dos mercados, livres e concorrenciais, a função zero de Patrício Leite define uma equação cuja economia real tem como imagem simétrica, em espelho, o sector financeiro e que o valor da economia real não se alterou, surge, pois, deste lado da equação, o valor zero; por conseguinte, é do lado do sector financeiro que tudo se vai desenvolver; assim, em conformidade com a função zero de Patrício Leite cuja equação:
 0 = Σnk=0(nk)(-1)k(n+z-k)n-1
traduz, neste exemplo meramente hipotético, de uma lado a economia real que se não altera e, por isso, assume o valor constante e igual a zero (0); do outro lado, o respectivo membro desta equação traduz a totalidade agregada do sector financeiro que sofre alterações de acordo com as três variáveis aqui incluídas: n, z, k. 
Considera-se, numa arbitrariedade hipotética, o valor z = 3, como sendo o valor de partida, ou seja, o valor inicial correspondente às unidades de partida do sector financeiro.
Considera-se, numa arbitrariedade hipotética, o valor n = 10, como sendo o valor de chegada, ou seja, o valor final que pode corresponder a qualquer unidade desejada; por exemplo, aqui, pode corresponder ao tempo de chegada, ou seja, ao tempo em anos, portanto 10 anos, respeitante à duração de um ciclo económico.
Considera-se a variável k como sendo o decurso anual do tempo, ou seja, a unidade de tempo aqui considerada é o ano assim, o valor do tempo, medido por k, decorre ano – por- ano.
Considera-se também, finalmente, que nesta situação hipotética concreta, a totalidade agregada do valor do sector financeiro, aqui expressa anualmente pelo respectivo membro da equação, se vai alterando ao longo dos dez anos considerados, pelo que funciona como variável anual.

Dados e valores numéricos
Considerando a função zero de Patrício Leite:
 0 = Σnk=0(nk)(-1)k(n+z-k)n-1
Considerando os dados que foram atribuídos às variáveis desta função; considerando também alguns cálculos numéricos simples e imediatos, que foram realizados seguindo a função zero de Patrício; pois, surge a seguinte tabela de disposição demonstrativa:

Gráfico de alguns destes dados e valores numéricos
Obviamente, está aqui apresentado apenas um desenvolvimento muito simples, pictórico, ilustrativo e didáctico dos cálculos, valores numéricos e respectivo gráfico.
Uma das interpretações do gráfico, aqui apresentado, permite verificar o modo como ao longo de um ciclo económico, aqui considerado de 10 anos, o valor total anual do sector financeiro agregado varia tendencialmente, ao longo do tempo anual, traduzido pela variável K. Como se pode observar, neste gráfico, a variável k, coincide com os dados ordenados pelo eixo das abcissas; no entanto, tal poderia não ocorrer. O que esta relação entre a variável k e a variável correspondente ao valor global anual do sector financeiro pretende demonstrar é a tendência do contributo de cada variável, ao longo do tempo, para o total final que, nesta situação concreta, ao fim de 10 anos, é nulo ou zero (0). Efectivamente, se a economia real agregada não variou, pois, o sector financeiro agregado também não pode variar para se manter um equilíbrio económico sem crises e sem grandes oscilações previsionais; para conseguir esse equilíbrio económico, pois, o sector financeiro como um todo agregado e equilibrado, terá de seguir, ao longo de cada ano, num ciclo considerado de 10 anos, as curvas aqui delimitadas.

Comentários sobre este exemplo hipotético
O exemplo hipotético aqui fornecido tem apenas o propósito didáctico e ilustrativo de mostrar que a modelagem económica financeira de Patrício Leite tem aplicabilidade prática e simples; obviamente quem desejar criar verdadeiros modelos econométricos, de natureza, económica, financeira, de gestão etc., ou qualquer outra previsionabilidade em micro ou macroeconomia probabilística terá sempre que dispensar mais algum tempo a procurar, e identificar, as variáveis capazes de alterar os factores condicionantes dos preços nos mercados; também é certo que a interpretação muito simples e directa, aqui exposta, não tem qualquer tradução com a realidade; muitas serão as interpretações para as mesmas ocorrências e muitas serão as ocorrências significativas; por exemplo, a variável z, que não interfere com o resultado final da função de Patrício, pode resultar de uma função constituída por muitas outras variáveis, mas também das inferências estatísticas relacionadas com a análise multivariada, regressão linear ou regressão logística; tudo integrado, desde que estes estudos com múltiplas variáveis conduzam a um valor constante que depois será integradamente introduzido como variável z, na função de Patrício, e suas respectivas relacionadas, ampliando o âmbito da abrangência.

Avanços importantes na modelagem económica probabilística de Patrício
Observando atentamente a função de Patrício e as restantes que dela resultaram, comprova-se o somatório de coeficientes, ou números, binomiais ao longo de cada linha do triângulo aritmético, ou de Pascal; como se sabe os coeficientes binomiais referem-se às combinações simples, ou sem repetição; comprova-se também que, ao longo da mesma linha do triângulo de Pascal a distribuição dos grupos de combinações simples segue uma distribuição típica com curva normal, ou de Gauss.
Partindo do exemplo hipotético acima ilustrado, mostra-se uma distribuição das combinações simples ao longo da linha n = 10 do triângulo de Pascal e a sua relação com os valores de k os quais são designados termos complementares do coeficiente binomial e determinam a classe de combinações, com n termos k a k. O esquema gráfico mostra que existe um ponto em que ambas as curvas gráficas se encontram num valor coincidente entre o número de elementos do conjunto total e o número de elementos do subconjunto.
Em termos económicos ficou estabelecido nas leis da economia probabilística (lei da simetria dualista do mercado e lei da distribuição probabilística dos preços) que a distribuição probabilística dos preços tipo normal, ou de Gauss, apenas surge num mercado completamente livre, em concorrência perfeita e com infinitos compradores e infinitos vendedores; nos restantes mercados a aproximação à curva normal, pode ser maior ou menor dependendo do grau de liberdade desses mercados; efectivamente, sabe-se que outras distribuições, como por exemplo, a distribuição tipo qui quadrado, mas também a distribuição tipo t de student, se vão aproximando e igualando cada vez mais da distribuição normal, ou de Gauss, conforme aumenta o grau de liberdade; este fenómeno que ocorre na matemática estatística e probabilidades também ocorre na economia probabilística.
Se as leis da oferta e da procura, desenvolvidas pela economia tradicional, a partir da investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações de Adam Smith, se referem a mercados livres e perfeitamente concorrenciais, sem a interferência de quaisquer factores, públicos ou privados, capazes de distorcer o seu funcionamento perfeito; se para a nova economia probabilística de Patrício Teixeira Leite, a distribuição dos preços nos mercados, se efectua através de uma curva tipo normal, ou de Gauss, apenas em mercados completamente livres, em infinita concorrência perfeita, portanto sem qualquer interferência de factores externos, quer públicos, quer privados; se para a economia probabilística de Patrício, a formação dos preços de mercado depende de muitos e imensos factores, constituindo a confrontação entre a oferta e a procura, da economia tradicional, apenas mais um desses factores; torna-se, por demais, evidente que em comparação analógica com o estipulado para a economia tradicional, também em economia probabilística os mercados, ainda que livres e concorrenciais, funcionam numa realidade concreta que apenas os faz aproximar, mais ou menos, da perfeição, os mercados nunca funcionam na perfeição, funcionam sim, numa realidade, mais ou menos, aproximada dessa perfeição. Se em economia probabilística os mercados funcionassem em condições perfeitamente, livres e concorrenciais, pois, a curva de distribuição dos preços, nesses mercados perfeitos seria, de acordo com a lei da simetria dualista do mercado, perfeitamente simétrica, seria uma curva normal ou de Gauss e, matematicamente, seria traduzida e descrita pela distribuição normal dos coeficientes binomiais, ou seja, as combinações simples, ao longo da linha do triângulo aritmético, ou de Pascal; como no mercado probabilístico, há imensos factores a interferir na realidade da formação dos preços, pois, apenas a distribuição das combinações simples não chega, não basta, não é suficiente; torna-se fundamentalmente necessária a aplicação das várias funções matemáticas de Patrício Leite na modelagem económica probabilística.

Síntese conclusiva
O desenvolvimento histórico do pensamento económico procurou um rigor crescente, cada vez mais, fundamentado na matemática; primeiro determinística, com as leis da oferta e da procura, agora probabilística, com as leis fundamentais da economia probabilística; porém, como em ciência, não poderia deixar de ser, as duas teorias económicas interligam-se; a teoria da economia probabilística integra toda a teoria tradicional, explicando todos os fenómenos das leis da oferta e da procura, porém, vai muito mais longe, pois, compreende e explica também os novos fenómenos financeiros, humanamente criados e capazes de gerar crises económicas cíclicas.
A partir das leis da oferta e da procura iniciais, o pensamento económico evoluiu para a revolução do marginalismo, por conseguinte, a escola económica do pensamento marginal cresceu e expandiu-se para todas as áreas da economia e gestão; nos mercados, parece que com o elemento marginal, ou seja, o último elemento resultante da variabilidade da elasticidade, se atinge a plena eficiência e eficácia do funcionamento de mercado.
Sabe-se que a variação da oferta ou da procura, de um bem económico, com o seu preço, define as respectivas elasticidades de mercado da oferta ou da procura; matematicamente, essas elasticidades são definidas através da primeira derivada, respectivamente das funções, oferta ou procura; no entanto, sabe-se que a elasticidade também varia, por vezes varia muito, outras vezes varia pouco, porém, também varia e a sua variação, a variação da elasticidade define o marginalismo; quando a variação da elasticidade termina, acaba ou pára de variar, com ou sem ruptura, atinge-se o último elemento marginal; matematicamente, a variação da elasticidade é definida através da segunda derivada das respectivas funções da oferta ou da procura de mercado; por conseguinte, se a primeira derivada matemática das funções oferta ou procura origina a respectiva elasticidade de mercado, entende-se que a sua segunda derivada matemática origina o marginalismo. Matematicamente, a primeira derivada, ou derivada de primeira ordem, traduz a variação de uma grandeza em relação com outra grandeza e a segunda derivada, ou derivada de segunda ordem, traduz a variação da variação, ou seja, a segunda derivada traduz uma variação de segunda ordem, ou uma segunda ordem de variação. É através da segunda derivada matemática das leis económicas da oferta e da procura, que o pensamento económico tradicional, usando o correspondente pensamento da sua escola marginalista, faz a ligação com a nova economia probabilística patricista; efectivamente, a segunda derivada matemática tem um ponto, designado ponto de inflexão que corresponde ao ponto em que muda o sentido da concavidade da curva original; o ponto de inflexão é extraordinariamente importante, pois, define e delimita matematicamente a máxima eficácia e eficiência dos mercados ideais e de toda a economia e gestão; o ponto de inflexão é também muito importante, pois, faz matematicamente a correspondente transição entre a teoria económica tradicional e a nova teoria económica probabilística patricista; por conseguinte, o ponto de inflexão correspondente matematicamente, na segunda derivada, à mudança da concavidade nas curvas da oferta e da procura representa, na economia tradicional, o último elemento marginal da variação das respectivas elasticidades, porém, na economia probabilística, este exacto ponto de inflexão vai também corresponder exactamente aquele ponto em que a concavidade da curva sigmóide de distribuição normal acumulada muda o seu sentido; sabe-se que a função de distribuição normal acumulada resulta da integral da curva de distribuição normal, ou de Gauss; sabe-se que a integração, ou primitivação de uma função num determinado intervalo, corresponde à respectiva primitivação dessa função nesse intervalo, por conseguinte, os processos matemáticos inversos de primitivação e derivação permitem explicar o funcionamento ideal de uma economia. Se a curva em forma de sino, ou campainha, da distribuição normal de probabilidades resulta da derivação da sua função de distribuição normal acumulada pois também se pode afirmar, com categoria de verdade matemática, que a sua antiderivada, ou seja a curva sinusóide da distribuição normal acumulada resulta da primitivação da respectiva curva normal, ou de Gauss. Por conexão matemática, directa e imediata, estabelecem-se correspondências entre a economia tradicional e a economia probabilística; de facto, o ultimo elemento marginal, ou seja, o ponto de inflexão da segunda derivada das leis da oferta e da procura tem correspondência com o exacto ponto de inflexão da curva sinusóide referente à distribuição normal acumulada que, por sua vez, corresponde ao ponto da média, mediana e moda, da curva, em sino, da distribuição normal, ou de Gauss que, por sua vez, é a derivada matemática da função de distribuição normal acumulada. Agora, efectuando um simples estudo de mercado, com aferição da respectiva distribuição normal dos preços, imediatamente, o conhecimento das leis fundamentais da economia probabilística, ou seja, o conhecimento da lei da distribuição probabilística dos preços e da lei da simetria dualista do mercado, permitiriam prever o desenvolvimento de toda a economia; no entanto, convém sempre recordar que a teoria aborda uma situação ideal com um mercado completamente livre, sem intervenções que o distorçam, em infinita concorrência, tanto do lado da oferta como do lado da procura, portanto, com infinitos compradores e infinitos vendedores; sabe-se que estas condições ideais são impossíveis de verificar nos mercados concretos da vida quotidiana. Num mercado ideal os grupos de combinações simples dos preços, seguem uma distribuição simétrica típica, ao longo da mesma linha do triângulo de Pascal, com curva normal ou de Gauss; em qualquer mercado concreto da vida quotidiana, os preços não dependem apenas do ideal da oferta e da procura mas de um imenso número de factores da vida real que distorcem a simetria; nos mercados concretos e reais da vida quotidiana, as interacções entre os vários factores determinantes dos preços são estabelecidas pela relação fundamental de Patrício, que originou as fórmulas e funções de Patrício; finalmente, é através da ordem das interacções entre os factoriais ou permutações, de um lado da equação, e as combinações simples mais os arranjos com repetição, estes últimos, correspondentes ao coeficiente potencial, do outro lado da equação, que se torna evidente a modelagem económica probabilística de Patrício.

RECESSÃO ECONÓMICA NA EUROPA

Factores desencadeantes da próxima recessão económica
A última crise com recessão económica que se verificou na Europa teve como pano de fundo a falta de confiança com dificuldade de liquidez por parte dos agentes económicos; na ânsia de ultrapassar essa situação e terminar com a falta de liquidez na Europa, o euro sistema, por intermédio do respectivo Banco Central Europeu, decidiu criar liquidez excedentária com acesso facilitado e ilimitado ao crédito, portanto as instituições bancárias e financeiras, da Europa, podem ter acesso ao crédito do Banco Central a custo zero, ou seja a taxa de juro cobrada é zero, por conseguinte, isto irá aumentar a massa monetária em circulação aumentando, assim, enormemente a inflação, simplesmente, por excesso da oferta de moeda em circulação, no entanto para controlar engenhosamente a inflação na zona euro e, ainda assim, reconhecendo a avidez por dinheiro dos banqueiros e especuladores, facilitar o acesso ilimitado ao crédito e ao dinheiro barato, pois, o Banco Central Europeu decidiu que para acederem ao crédito do Banco Central as instituições financeiras têm apenas de prestar uma garantia com activos financeiros considerados elegíveis; é aqui que ocorre a fraude que grassa nas instituições financeiras da Europa; de facto, as instituições financeiras europeias, para terem acesso facilitado ao crédito estão a criar, uma economia fictícia, estão a criar activos financeiros que não têm tradução com a economia real, por conseguinte, com a anuência do Banco Central Europeu e dos dirigentes políticos, ao mais elevado nível, da Europa, as instituições financeiras criam activos financeiros fictícios e sem tradução na economia real e que dão como garantia ao Banco Central Europeu, têm assim acesso ilimitado ao crédito e liquidez que, sem aumentar a inflação, usam para negociar num outro ramo, ou sector, do mercado financeiro, ou seja, no mercado mundial de câmbio; compram várias moedas do sistema monetário internacional e, curiosamente, imagine-se, chegam a comprar Euros com Euros, compram a descoberto, compram moeda em mercado de futuros e derivados, compram Euros com Euros a descoberto, com elevada alavancagem que coloca gravemente em risco de recessão toda a economia da Europa; alteram drasticamente o valor da moeda, do Euro, num sistema de pirâmide circular com bolha especulativa pela criação de activos financeiros fictícios, sem tradução na economia real que hipervaloriza um outro activo do mercado cambial, a moeda. Este sistema, engenhoso, de aumentar a massa monetária em circulação mas sem aumentar a inflação está a permitir uma bolha económica de activos monetários e financeiros que vai brevemente rebentar causando a próxima crise económica com recessão, desta vez, eventualmente mundial.

A política económica europeia na origem da crise recessiva
A economia europeia tem estado a desobedecer, significativamente, às leis fundamentais da economia probabilística; efectivamente, a curva da lei da distribuição probabilística dos preços está, cada vez mais, a afastar-se da sua forma simétrica ideal, também não tem seguido a modelagem económica probabilística de Patrício; a economia europeia está descontrolada, ou melhor, está a ser controlada por um mecanismo arcaico e ineficaz; a crise com recessão económica, na Europa, avança a passos largos.
Há um erro sistemático que corrompe todos os cálculos contabilísticos referentes às várias contabilidades nacionais, próprias de cada estado membro, mas também da contabilidade na região económica europeia, como um todo; este erro sistemático é político, legislativo, a sua essência radica na lei, nas regras e normas da contabilidade pública na união europeia, sobretudo no sector financeiro; estas leis, regras e normas da contabilidade pública europeia, permitem a demonstração de resultados com superávites orçamentais de alguns estados membros mas também o equilíbrio orçamental de toda a união europeia; porém, essas leis, normas jurídicas e regras contabilísticas estão corrompidas; a consolidação contabilística, das contas, na união europeia sofre de um erro sistemático que induz equilíbrios orçamentais sem qualquer correspondência com a realidade económica, sem qualquer correspondência com o desenvolvimento e evolução da economia real; por conseguinte, são irreais, são fantasiados e estão a conduzir a Europa para uma grave recessão económica. É certo que o tribunal de contas europeu, ao longo dos anos, nas suas auditorias e respectivas declarações anuais de fiabilidade, não tem dado uma declaração completa positiva às contas da união europeia, tem feito isso por reconhecer erros aleatórios sobretudo relacionados com o crescimento económico em irregularidades nas operações subjacentes às relações financeiras entre o sector público e o privado; porém, ainda que o tribunal de contas europeu atribuísse uma fiabilidade positiva completa, isso apenas significaria que não reconhecia erros aleatórios, no entanto, o erro sistemático permanece; é a legislação contabilística europeia que está errada, o próprio tribunal de contas está corrompido por esse erro legislativo sistemático. Este erro sistemático provoca distorções nas relações comerciais internacionais, com aparente e ilusório lucro, ou ganho, financeiro para a Europa mas profundo e real prejuízo económico estrutural, persistente, crescente e significativo, para uma união europeia que está a perder, sistematicamente, a sua soberania; os países e blocos económicos, sobretudo asiáticos, que realizam transacções comerciais com a Europa conhecem o referido erro sistemático, no entanto, estrategicamente, sabem que estão agora a comprar financeiramente a economia do mercado europeu para, mais tarde, exercerem a sua soberania política sobre toda a Europa.

Início e evolução da crise económica com recessão na Europa
Qualquer pessoa que, deslocando-se num mercado europeu, procure a origem e fabrico dos produtos e bens económicos aí comercializados verificará, imediatamente, que a grande maior parte tem proveniência de países asiáticos. Efectivamente, em defesa de uma economia global, de um liberalismo de mercado, aberto e global; as grandes empresas ocidentais, sobretudo europeias, na procura de mão-de-obra e trabalho baratos, estão a deslocalizar o seu sector produtivo para os países asiáticos. A Europa está a promover o desenvolvimento do seu próprio sector financeiro mas, também, simultaneamente, da indústria transformadora asiática; enquanto aposta na evolução do sector terciário da sua economia, sobretudo o sector financeiro, a Europa patrocina e promove o desenvolvimento do sector secundário da economia asiática. É certo que o conhecimento, a imaginação criativa e a inovação, pertencendo ao sector terciário dos serviços, permitem o crescimento da robótica numa automação, cada vez maior, dos processos produtivos; mas também é certo que a espionagem empresarial e política, continuam a deslocar os segredos das patentes para países asiáticos; se no muito longo prazo, com a robotização crescente, o sector terciário da economia comandará o exercício do poder político, pois, no médio longo prazo é o sector secundário quem o continua a controlar; o domínio do sector secundário da economia mundial, pelos países asiáticos vai-lhes permitir o domínio político na hegemonia do mundo.
Enquanto a economia real asiática cresce, se expande e invade a Europa com os seus produtos, com os seus bens económicos, realmente escassos e necessários para a sobrevivência da cada pessoa individualmente e da humanidade, como um todo; pois, a Europa continua com os seus subterfúgios a desenvolver uma economia fictícia, a desenvolver aceleradamente um sector financeiro sem qualquer tradução com a realidade da economia real, um sector financeiro excessivamente inflacionado que asfixia a economia real; uma criação exagerada de activos financeiros, como se as pessoas conseguissem alimentar-se, vestir-se ou satisfazer as suas necessidades reais apenas com papel – dinheiro. É certo que as pessoas, na Europa, sentem verdadeiramente que têm onde se abastecer, sentem que têm os mercados repletos de produtos e bens, prontos a ser consumidos; mas também é certo que esses produtos são importados, são provenientes do exterior, são exageradamente importados a partir dos mercados asiáticos. É certo que nas contabilidades nacionais de muitos países da Europa e também da comunidade europeia, como um todo; o saldo da balança comercial é positivo, parece existir um superavit, parece existir um excedente comercial com a exportação de bens e serviços a superar as importações; mas também é certo que a avaliação contabilística do saldo da balança comercial é efectuada mediante o uso de um dos, modernamente, designados activos financeiros: dinheiro - euro; o sistema financeiro europeu, a agregação completa, de todos os tipos de activos financeiros da Europa, incluindo o dinheiro - euro, constitui uma intrujice, um engano, uma mentira; o sistema financeiro europeu agregado, protegido pela legalidade legislativa dos políticos está, maliciosamente, a enganar as pessoas e as contas públicas da comunidade europeia e dos países que a integram. É certo que no mercado de câmbio a estabilidade do euro é notória, até se tem valorizado face ao dólar; no comércio internacional, o mercado financeiro europeu de câmbio ou forex, o euro goza de confiança e prestígio reconhecido pela sua aparente estabilidade, no entanto, essa estabilidade aparente é apenas uma ilusão, enganosa, resultante de manobras “subterrâneas” de pura engenharia financeira, legalmente protegida, mas sem qualquer tradução com a realidade económica da Europa; o banco central europeu, os bancos centrais dos países que integram a Europa, os bancos comerciais públicos e privados as, muitas e variadas, restantes instituições financeiras, públicas e privadas, da Europa, actuam concertadamente, numa espécie de cartelização corporativa, enganosa mas legalmente protegida, para controlar todo sector financeiro europeu agregado; as engenhosas manobras financeiras camufladas são tão arrojadas que, para enganar a contabilidade, pública e privada, criam uma diversidade de activos meramente financeiros que não só iludem e escondem as verdadeiras contas como, numa espécie de circularidade financeira chegam, paradoxalmente, a comprar euros com euros numa pirâmide financeira com formação de uma bolha (financeira) que ao rebentar vai arrasar toda a Europa comunitária. É certo que nas relações comerciais da Europa com o resto do mundo a balança de pagamentos parece manter-se estavelmente excedentária, porém, isso deve-se meramente aos saldos positivos das balanças de capital e financeira, por conseguinte, apenas activos financeiros que em associação com as manobras de engenharia financeira enganosa, algumas das quais já aqui descritas vão, maldosamente, iludir a balança corrente no, aparente, superavit do saldo da balança comercial. É certo que os vários países do mundo, que mantêm relações comerciais com a Europa, sobretudo os asiáticos, sabem e conhecem pormenorizadamente as manobras e estratagemas que fragilizam esta economia real, por propiciar uma bolha financeira especulativa cujo rebentamento vai arrasar a Europa, no entanto, sabem também que uma economia real europeia frágil facilita a sua conquista política.
Finalmente, é também validamente certo, que vários países do mundo, sobretudo asiáticos, nas suas relações internacionais, públicas e privadas, com a Europa e os seus dirigentes políticos, reconhecem a vontade que estes sentem de manter perpetuamente o poder pessoal; nem que para isso tenham volitiva e dolosamente de arrasar a Europa; os políticos para manter a sua estabilidade no poder necessitam de controlar variáveis macroeconómicas como, por exemplo, o crescimento do produto interno bruto, a estabilidade das taxas de inflação e de câmbio, o desemprego etc., por conseguinte, criam empregos desnecessários e não produtivos, no sector meramente financeiro, para manter as pessoas ocupadas, conformadas e consumistas; numa economia de consumo especulativo sucessivamente deficitária que, apesar de esconder ardilosamente as suas dívidas, na pureza da verdade, amplia excessivamente o seu défice externo com repercussões na economia real.         
Os europeus, com a ilusão enganosa de um sector financeiro forte e pujante, estão a consumir no presente, os produtos e mercadorias do sector primário e secundário da economia real asiática cujo trabalho, produção e poupança, aliados a uma estrutura económica eficaz e eficiente, vão permitir e favorecer, no futuro, a subjugação da Europa a uma soberania asiática capaz de conquistar e controlar a hegemonia do poder político mundial.

A solução da crise recessiva económica na Europa
Resumidamente, a solução da crise que avança, a passos largos, para uma recessão económica na Europa, passa pelo cumprimento das leis fundamentais da economia probabilística em conjugação com um planeamento econométrico quantitativo e baseado nos teoremas, próprios ou derivados, da modelagem económica probabilística.
Doutor Patrício Leite, 23 de Abril de 2019